O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à França nesta segunda-feira (15) para participar da cúpula do G7, que acontece entre os dias 15 e 17 de junho em Évian-les-Bains, cidade localizada a cerca de 45 quilômetros de Genebra. Esta é a décima vez que Lula representa o Brasil no encontro, ao longo de seus três mandatos.
O Brasil não integra o bloco formado pelas sete maiores economias do mundo, mas foi convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron para participar como país convidado. Lula embarcou de Brasília no domingo (14), com escala técnica para reabastecimento na Ilha do Sal, em Cabo Verde.
“A convite do Presidente Emmanuel Macron, parto nesta tarde para a França. Lá, pela décima vez, representarei o Brasil na Cúpula do G7. Desejo um bom trabalho ao companheiro Geraldo Alckmin, que assume a presidência até nosso retorno”, escreveu o presidente em suas redes sociais antes do embarque.
Embora tenha chegado nesta segunda, Lula só participará das reuniões a partir de terça-feira (16), já que as sessões do primeiro dia são reservadas apenas aos países-membros do bloco. Ao longo dos dois dias seguintes, o presidente brasileiro discursará pelo menos duas vezes.
Dois recados para os países ricos
Na terça-feira, em uma sessão sobre parcerias internacionais, Lula deve chamar atenção para a queda na ajuda ao desenvolvimento e fazer um apelo para que as nações mais ricas ampliem o financiamento aos países mais pobres. Na quarta-feira, o presidente encerrará sua participação com um almoço temático sobre inteligência artificial, ao lado de outros chefes de Estado.
A ida ao G7 foi decidida de última hora. No início de junho, Lula havia declarado publicamente que não pretendia ir ao encontro, mas mudou de posição após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a possibilidade de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras.
“Eu nem ia no G7, mas agora eu vou. É preciso alguém colocar ordem na casa e dar um paradeiro nesse desmonte do multilateralismo”, disse o presidente durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
A estratégia definida pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty para a cúpula é de uma postura diplomática, sem confrontos diretos. Embora Lula costume chamar o G7 de “festa dos ricos” em discursos no Brasil, seus auxiliares indicam que o tom na França será mais cuidadoso, focado na defesa do multilateralismo e na crítica ao avanço do protecionismo, sem citar nominalmente disputas comerciais ou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Encontro com Trump indefinido
A presença de Trump na cúpula abriu a expectativa de alguma interação com o presidente brasileiro, especialmente diante da tensão comercial entre os dois países. No entanto, não há reunião bilateral formalmente confirmada nem pedido oficial de nenhum dos lados. Assessores de Lula admitem que os dois líderes podem conversar informalmente nos bastidores, mas ressaltam que não há agendamento formal.
A estratégia do Planalto foi antecipar a chegada do presidente à França já na abertura do evento, ampliando as chances de um contato informal com o americano, que, segundo a expectativa do governo brasileiro, deve participar apenas do primeiro dia da cúpula.
Além da pauta econômica e comercial, Lula deve participar de debates sobre crescimento econômico equilibrado, desenvolvimento sustentável e o papel das grandes empresas de tecnologia.
A narrativa central do presidente será a de que o modelo de crescimento atual é excludente e coloca os países emergentes em posição de vulnerabilidade, e que o Brasil defende um reequilíbrio nas relações internacionais.
Fonte e foto: Presidência da República, Agência Brasil e informações do Palácio do Planalto.
Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória.







