A inflação oficial do país voltou a desacelerar em maio, mas os preços dos alimentos continuam sendo motivo de preocupação para as famílias brasileiras. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% no mês passado.

Embora o resultado seja inferior ao registrado em abril, quando a inflação ficou em 0,67%, o índice demonstra que o custo de vida permanece elevado, especialmente para a população de menor renda, que compromete uma parcela maior do orçamento com alimentação.

No acumulado de 2026, a inflação já soma 3,14%. Em 12 meses, o índice atingiu 5,42%, permanecendo acima do teto da meta contínua perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Alimentação foi a principal responsável pela alta

O grupo Alimentação e Bebidas, um dos mais sensíveis ao orçamento das famílias, foi o que exerceu maior influência sobre o resultado do mês. A alimentação no domicílio registrou aumento impulsionado principalmente pela elevação dos preços de itens básicos.

Entre os produtos que ficaram mais caros estão:

  • carnes;
  • leite e derivados;
  • café;
  • hortaliças e legumes;
  • alguns tipos de frutas.

Especialistas apontam que fatores climáticos, aumento nos custos de produção, despesas com transporte e oscilações do mercado internacional ajudam a explicar o comportamento dos preços.

Por outro lado, alguns alimentos apresentaram queda, contribuindo para evitar uma inflação ainda maior.

Outros grupos também tiveram reajustes

Além dos alimentos, outros segmentos pesquisados pelo IBGE apresentaram variações positivas, embora com impacto menor sobre o índice geral.

Os grupos de Saúde e Cuidados Pessoais, Despesas Pessoais e Habitação também registraram aumentos, refletindo reajustes de serviços e custos operacionais.

Já os setores ligados aos Transportes apresentaram comportamento mais moderado, ajudando a conter parte da pressão inflacionária.

A inflação afeta diretamente o poder de compra dos brasileiros. Quando os preços sobem mais rapidamente do que a renda das famílias, o consumo tende a diminuir e o planejamento financeiro se torna mais difícil.

Efeito sobre os juros

Os números da inflação também são acompanhados atentamente pelo Banco Central, responsável pela definição da taxa Selic, utilizada como principal instrumento para controlar a alta dos preços.

Inflações persistentes podem levar a autoridade monetária a manter juros elevados por mais tempo, com reflexos sobre o crédito, os investimentos e o ritmo de crescimento da economia.

Apesar da desaceleração registrada em maio, analistas avaliam que o cenário ainda exige cautela, principalmente porque a inflação acumulada segue acima do limite máximo da meta estabelecida pelo governo federal.

Veja o comportamento da inflação mensal ao longo de 2026:

  • Maio: 0,58%
  • Abril: 0,67%
  • Março: 0,88%
  • Fevereiro: 0,70%
  • Janeiro: 0,33%

O IPCA de maio veio acima da estimativa do mercado. Boletim Focus da última segunda-feira (8), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projeta que a inflação de maio ficaria em 0,48%. Para o fim de 2026, o mercado projeta 5,11%.

Alimentos pressionam

O IBGE apura o comportamento de nove grupos de preços. O que mais subiu foi o de alimentação e bebidas, com alta de 1,33%. Isso representa impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA do mês, ou seja, metade da inflação de maio.

Itens que mais impactaram o índice:

  1. batata-inglesa (+44,69% e impacto de 0,09 p.p.);
  2. tomate (20,62% e 0,06 p.p.);
  3. carnes (+1,39% e 0,04 p.p.);
  4. cebola (+16,80% e 0,02 p.p.).

O café do Espírito Santo

Entre os produtos que mais contribuíram para a alta da inflação em maio está o café, item tradicional na mesa dos brasileiros e um dos principais pilares da economia capixaba.

Segundo o INCAPER Espírito Santo é o maior produtor nacional de café conilon, responsável por cerca de 70% da produção brasileira da variedade, além de ocupar a posição de segundo maior produtor de café do país, somando as culturas de conilon e arábica. A cafeicultura está presente em aproximadamente 60 mil propriedades rurais capixabas, gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos e responde por 37% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola do Estado.

No caso específico do conilon, o valor da produção representa 38% do PIB agrícola capixaba. Em 2024, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Espírito Santo atingiu o recorde histórico de R$ 31,2 bilhões, impulsionado, principalmente, pela valorização das commodities agrícolas, com destaque para o café. Para 2025, a expectativa é de uma safra recorde de café conilon, superior a 13 milhões de sacas, beneficiada pela alta produtividade e pelos investimentos em tecnologia no campo.

Embora os preços elevados representem maior rentabilidade para os produtores rurais, o cenário também se traduz em aumento no custo do tradicional cafezinho para os consumidores, tornando o produto um dos protagonistas da inflação dos alimentos no país.

A valorização do café nos últimos meses reflete uma combinação de fatores, como adversidades climáticas em regiões produtoras, aumento da demanda internacional e custos mais elevados de produção e logística. Em um estado cuja identidade econômica e cultural está profundamente ligada à cafeicultura, o desafio é equilibrar o fortalecimento da renda no campo com os impactos da alta dos preços sobre o orçamento das famílias brasileiras.

Fonte e foto: Agência Brasil e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), INCAPER.

Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória.

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