Em entrevista à Jovem Pan News Vitória, Aline Alcoforado destacou a importância da fisioterapia pélvica para homens e mulheres e alertou para tabus relacionados à saúde íntima

A perda involuntária de urina pode afetar pessoas de diferentes idades e não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. O problema pode atingir homens e mulheres e, em muitos casos, interferir na rotina, na prática de atividades físicas e na vida social. A avaliação individualizada e o acompanhamento profissional são importantes para identificar as causas e definir as possibilidades de tratamento.

O assunto foi tema de uma entrevista com a fisioterapeuta pélvica Aline Alcoforado, mestre em Fisioterapia, no programa De Olho na Cidade da última quarta-feira (28). Em conversa com a jornalista Tatiana Sobreira, na Jovem Pan News Vitória, a especialista explicou como funciona a musculatura do assoalho pélvico e destacou a importância de falar abertamente sobre questões relacionadas à saúde íntima.

“Não é porque você está envelhecendo que você tem que perder xixi”, afirmou Aline, ao defender que a perda urinária não seja tratada como algo normal ou inevitável com o avanço da idade.

Incontinência urinária também afeta homens

Embora o tema seja frequentemente associado à saúde feminina, a incontinência urinária também pode atingir a população masculina. Durante a entrevista, Aline explicou que alterações no jato urinário, como interrupções, podem estar relacionadas a problemas que precisam de avaliação médica, incluindo alterações na próstata.

A especialista ressaltou que a idade, por si só, não determina o aparecimento do problema. Segundo ela, há pacientes jovens que procuram atendimento após perceberem perdas de urina durante situações cotidianas, como dar risada, pular ou praticar exercícios.

A fisioterapia pélvica trabalha com os músculos responsáveis por funções como a sustentação dos órgãos da região, o controle urinário e intestinal e aspectos relacionados à função sexual. A avaliação permite observar características como força, resistência, capacidade de contração e relaxamento da musculatura.

Aline também destacou que a perda urinária pode ocorrer tanto durante grandes esforços quanto em situações aparentemente simples, como espirrar ou rir. Por isso, a identificação do problema deve considerar a rotina e as características de cada paciente.

Dor durante a relação sexual não deve ser naturalizada

Outro ponto abordado foi a dor durante a relação sexual. Aline explicou que a musculatura pélvica pode apresentar tensão e alterações que interferem no conforto e na função sexual. Ela também relatou que fatores emocionais e situações de estresse podem fazer parte do contexto de pacientes que procuram atendimento.

Na avaliação da fisioterapeuta, experiências vividas ao longo da vida, incluindo situações de sofrimento e sobrecarga emocional, precisam ser consideradas durante o acompanhamento. Por isso, ela defendeu uma abordagem que leve em conta não apenas os sintomas físicos, mas também o contexto de cada pessoa.

“Não podemos colocar esse carimbo de normalidade para uma pelve que te foi feita para te dar prazer e exercer as funções dela”, afirmou.

A especialista também mencionou desconfortos que podem aparecer durante exames ginecológicos ou no uso de absorventes internos. Esses sintomas merecem atenção individualizada e podem justificar uma avaliação profissional, sem que sejam automaticamente considerados normais.

Saúde pélvica exige atenção em diferentes fases da vida

A fisioterapia pélvica pode ser procurada em diferentes etapas da vida, conforme as necessidades de cada pessoa. Durante a entrevista, Aline citou o acompanhamento de pacientes jovens, mulheres em fases reprodutivas e pessoas idosas.

Ela relatou, por exemplo, o caso de uma adolescente que recebeu acompanhamento preventivo antes do início da vida sexual. Segundo a profissional, o trabalho envolveu exercícios e recursos fisioterapêuticos voltados à consciência corporal e à preparação da musculatura, com o objetivo de reduzir desconfortos.

A especialista também destacou a importância de avaliar as necessidades de mulheres durante a gestação e a menopausa, além de homens e mulheres mais velhos que apresentam alterações no controle urinário ou intestinal.

Aline afirmou atender pacientes de diferentes idades, dos 19 aos 94 anos, e ressaltou que a busca por atendimento pode estar relacionada ao desejo de preservar a autonomia e evitar limitações nas atividades cotidianas.

Ela alertou ainda que pessoas fisicamente ativas também podem apresentar disfunções pélvicas. Segundo explicou, atletas com musculatura abdominal e membros fortes não estão necessariamente livres de alterações no assoalho pélvico, especialmente diante de esforços e padrões respiratórios inadequados durante os exercícios.

Tabus ainda dificultam a busca por atendimento

Para Aline, a vergonha e a falta de informação ainda impedem que muitas pessoas conversem sobre sintomas relacionados à saúde íntima. A perda de urina, a dificuldade de controlar gases e a dor durante a relação sexual podem provocar constrangimento e levar ao afastamento de atividades sociais.

A especialista defendeu que esses assuntos sejam tratados com naturalidade, sem que isso signifique ignorar os sintomas. O objetivo, segundo ela, é ampliar o acesso à informação e incentivar a procura por profissionais capacitados quando houver desconforto ou alteração funcional.

Durante a entrevista, Aline também explicou que a avaliação deve respeitar os limites de cada paciente. Ela reconheceu que alguns procedimentos podem provocar desconforto, mas ressaltou que a intensidade da abordagem precisa considerar a tolerância individual e o ritmo de quem está em atendimento.

A fisioterapeuta encerrou a conversa defendendo uma visão integral da saúde, que considere os aspectos físicos, emocionais e sociais envolvidos no bem-estar.

“Precisamos olhar para a saúde da população de uma forma integralizada”, afirmou.

A entrevista foi exibida na quarta-feira (28), no programa De Olho na Cidade, apresentado por Tatiana Sobreira na Jovem Pan News Vitória.

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Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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