O Espírito Santo entrou em fase de preparação para possíveis efeitos do El Niño 2026/2027. A previsão de formação do fenômeno no segundo semestre mobilizou órgãos estaduais, Defesa Civil, setor agropecuário e instituições federais, diante do risco de estiagens, temperaturas elevadas, chuvas concentradas e impactos sobre abastecimento, lavouras, infraestrutura e populações que vivem em áreas vulneráveis.

A preocupação não é apenas preventiva. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Instituto Nacional de Meteorologia, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia divulgaram nota técnica apontando probabilidade superior a 80% de configuração do El Niño no segundo semestre de 2026, com possibilidade de persistência até o início de 2027.

No Espírito Santo, o Governo do Estado informou que acompanha permanentemente a evolução do cenário e reforçou medidas de prevenção e adaptação. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, as projeções indicam possibilidade de um evento entre moderado e forte, com maior influência entre setembro e dezembro deste ano.

 

Governo do ES articula plano com órgãos ambientais, Defesa Civil e agro

No Espírito Santo, a estratégia estadual reúne a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Seama; a Agência Estadual de Recursos Hídricos, Agerh; o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Iema; o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, Incaper; o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal, Idaf; o Corpo de Bombeiros Militar; a Polícia Militar Ambiental e a Defesa Civil Estadual.

A atuação envolve monitoramento meteorológico e hidrológico, acompanhamento de reservatórios e mananciais, prevenção de queimadas, orientação ao setor rural e preparação das estruturas de resposta a emergências.

A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil mantém articulação com defesas civis municipais e atua na prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de desastres. A orientação à população é acompanhar alertas oficiais, manter atenção a áreas de risco e comunicar situações de emergência às autoridades locais.

Para moradores de encostas e regiões sujeitas a alagamentos, o alerta é para sinais como rachaduras em paredes, movimentação de terra, árvores inclinadas, aumento rápido de rios e córregos e alteração no solo. Em caso de risco, a recomendação é sair do local com segurança e acionar a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros.

 

Foto DEPES

Defensoria prepara atuação para garantir direitos de famílias atingidas

A Defensoria Pública do Espírito Santo informou que antecipou ações para possíveis impactos do El Niño e reforçou a atuação em situações de desastres climáticos. A instituição pode atuar na defesa de famílias desalojadas ou desabrigadas, na orientação sobre acesso a benefícios, emissão de documentos, acolhimento, assistência social, saúde e reparação de direitos em situações de emergência.

A Defensoria destaca que eventos extremos não são apenas uma questão ambiental. Eles também exigem resposta na área social, especialmente para comunidades que vivem em locais com maior vulnerabilidade e podem perder moradia, renda, documentos ou acesso a serviços essenciais.

 

Incaper alerta produtores e leva orientação técnica ao campo

O Incaper incluiu o El Niño 2026/2027 entre os temas de orientação ao setor rural. O meteorologista Ivaniel Fôro apresentou, em evento técnico voltado à cafeicultura e à pecuária, os riscos que o fenômeno pode trazer para o agro capixaba. A abordagem tratou de cenários climáticos e dos possíveis reflexos sobre a agricultura e a produção animal.

Para os produtores, os principais riscos envolvem irregularidade das chuvas, estiagens mais prolongadas, temperaturas elevadas, perda de umidade do solo, pressão sobre pastagens e necessidade maior de irrigação. Em determinadas áreas, também podem ocorrer chuvas concentradas, erosão, enxurradas e danos a estradas rurais.

A orientação técnica é antecipar o planejamento: revisar estruturas de armazenamento de água, proteger nascentes, adotar manejo de solo, avaliar sistemas de irrigação, monitorar previsões meteorológicas e buscar assistência técnica antes que a situação se agrave.

O alerta chega em um momento de atenção para a economia rural capixaba. Dados do Indicador de Atividade Econômica da Findes apontaram queda de 11,4% na agropecuária do Espírito Santo no primeiro trimestre de 2026, influenciada principalmente pelo recuo de 11,6% na agricultura.

 

Indústria acompanha riscos para logística, água e energia

Até o momento, não há anúncio público de um plano específico da indústria capixaba exclusivamente para o El Niño 2026/2027. O setor, no entanto, acompanha um cenário que pode afetar cadeias produtivas, logística, fornecimento de água, energia, transporte e produção agrícola.

A Findes projetou crescimento de 1,9% para a economia capixaba em 2026, mas destacou que o desempenho depende do comportamento dos setores produtivos. Em um Estado com forte ligação entre indústria, portos, mineração, siderurgia, celulose, comércio exterior e agronegócio, eventos climáticos extremos podem ampliar custos operacionais e afetar o transporte de cargas e o fornecimento de insumos.

 

Governo federal cria sala de situação e amplia monitoramento

No âmbito federal, o governo instalou uma sala de situação para articular a preparação do país diante do chamado “Super El Niño”. A iniciativa reúne órgãos públicos para acompanhar previsões, mapear áreas vulneráveis e organizar respostas para possíveis eventos extremos no segundo semestre.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, também vem promovendo encontros de preparação para desastres relacionados ao fenômeno. A orientação federal é fortalecer o planejamento dos estados e municípios, ampliar o monitoramento e preparar respostas antecipadas.

Além disso, um painel nacional de monitoramento do El Niño 2026/2027 passou a reunir informações do Inmet, INPE, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Os órgãos reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas.

 

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação da atmosfera e modifica os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta.

No Brasil, há risco de seca em áreas do Norte e Nordeste e favorecer volumes elevados de chuva no Sul do país. No Sudeste, os efeitos podem variar conforme a época do ano e a dinâmica regional, exigindo monitoramento contínuo.

Em escala global, episódios de El Niño podem contribuir para ondas de calor, secas prolongadas, chuvas intensas, cheias, perdas agrícolas, incêndios florestais e pressão sobre sistemas de água e energia.

 

O que a população deve fazer

  • A população deve acompanhar alertas oficiais da Defesa Civil, informações meteorológicas do Incaper e comunicados das prefeituras;
  • Famílias que vivem em áreas de risco precisam manter documentos acessíveis, identificar rotas seguras e seguir orientações de evacuação quando houver recomendação;
  • No campo, produtores devem procurar assistência técnica, planejar o uso da água, monitorar lavouras e adotar medidas de conservação de solo;
  • Empresas e cooperativas podem revisar planos de contingência, avaliar riscos de abastecimento e reforçar a comunicação com fornecedores e trabalhadores.

A preparação antecipada é apontada como o principal caminho para reduzir danos.

 

Fontes: Defensoria Pública do Espírito Santo, Governo do Espírito Santo, Seama, Incaper, Inmet, INPE, Cemaden, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Agência Brasil e Findes.
Edição: Tatiana Sobreira, da Redação da Jovem Pan News Vitória.

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