Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado em 3 de julho, reforça a importância de um modelo que reúne produtores, trabalhadores e consumidores em torno de negócios coletivos. No Espírito Santo, cooperativas se destacam no agronegócio, crédito, saúde, transporte e serviços, com impacto direto na geração de renda e na permanência das famílias no campo.
No Espírito Santo um dos seus ambientes mais organizados e diversificados é o do Cooperativismo, pois chama atenção para empresas formadas e administradas pelos próprios associados, que dividem decisões, resultados e responsabilidades.
O modelo de negócio das cooperativistas, os associados são, ao mesmo tempo, donos e usuários dos serviços. A lógica é diferente da empresa tradicional: cada cooperado tem direito a voto nas decisões, independentemente do capital investido. O objetivo é unir forças para reduzir custos, ampliar mercados, facilitar acesso a crédito, melhorar a comercialização e fortalecer comunidades.
No Brasil, o cooperativismo reúne 4.384 cooperativas, 25,8 milhões de cooperados, mais de 578 mil empregos diretos e movimentou R$ 757,9 bilhões em ingressos em 2024, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro. O setor está presente em mais de 64% do território nacional e atua em áreas como agropecuária, crédito, saúde, transporte, consumo, infraestrutura, educação, trabalho, produção, turismo e energia.
No Espírito Santo, o movimento ganha força principalmente pela ligação com a agricultura familiar, o crédito cooperativo, a produção de alimentos, a saúde e o desenvolvimento de municípios do interior. O Anuário do Cooperativismo Capixaba, produzido pelo Sistema OCB/ES, reúne os indicadores econômicos, sociais e financeiros das cooperativas registradas no Estado e aponta crescimento contínuo da participação do setor no desenvolvimento capixaba.
Cooperativas ajudam a manter famílias no campo
No interior capixaba, o cooperativismo é uma ferramenta decisiva para pequenos e médios produtores. Ao se unirem, agricultores conseguem comprar insumos em maior escala, acessar assistência técnica, melhorar a logística, industrializar produtos e negociar com mercados maiores.
Esse modelo tem sido importante para cadeias como café, leite, hortifrutigranjeiros, pescado, mel, frutas, temperos, feijão e agroindústrias familiares. Um exemplo recente é a Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins, a Coopram, realizou a inauguração de uma unidade de beneficiamento de pescados com investimento de cerca de R$ 12 milhões e capacidade futura de processar até 20 toneladas de tilápia por dia.
A estrutura deve ampliar a industrialização da produção, com derivados como hambúrgueres, quibes e bolinhos de tilápia, além de gerar empregos e abrir novos mercados para produtores da região serrana.
O cooperativismo também tem papel direto no abastecimento das escolas. Em 2024, o Espírito Santo aplicou 37% dos recursos da alimentação escolar estadual na compra de produtos da agricultura familiar, resultado acima do mínimo de 30% previsto pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar. A medida fortalece produtores rurais, cooperativas e agroindústrias locais, além de levar alimentos produzidos no Estado para a merenda dos estudantes.
Incaper reforça assistência técnica e inovação
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, o Incaper, tem atuação estratégica no fortalecimento da agricultura familiar e das cooperativas. O órgão desenvolve projetos de assistência técnica, capacitação, inovação, agroecologia, diversificação produtiva e acesso a políticas públicas.
Em 2025, cooperativas de agricultura familiar participaram de ações apoiadas pelo Incaper voltadas à troca de experiências em agroecologia e produção sustentável. O instituto também presta apoio técnico a agroindústrias e cooperativas rurais, como no caso da reinauguração da agroindústria da Cachaça Crioula, em Águia Branca, conduzida pela Cooperativa Mista de Produção e Comercialização do Estado do Espírito Santo.
A assistência técnica é fundamental porque muitos produtores familiares enfrentam dificuldades para acessar tecnologia, crédito, certificações, mercados consumidores e processos de industrialização. Ao atuar junto às cooperativas, o Incaper ajuda a transformar produção de pequena escala em negócios mais estruturados, com maior valor agregado.
Crédito cooperativo amplia acesso a financiamento
Outro ponto de destaque é o cooperativismo de crédito. Instituições como Sicoob e Sicredi atuam no financiamento de produtores rurais, empreendedores, pequenos negócios, empresas e famílias.
Diferentemente dos bancos convencionais, as cooperativas de crédito pertencem aos próprios associados. Parte dos resultados financeiros pode retornar aos cooperados, conforme as regras de cada instituição, e os recursos movimentados tendem a circular nas próprias regiões onde as cooperativas atuam.
No Espírito Santo, o crédito cooperativo tem sido uma alternativa importante para financiar compra de máquinas, equipamentos, veículos, imóveis, expansão de negócios, energia solar, agricultura, inovação e capital de giro. Para pequenos produtores, o acesso ao crédito pode ser o fator que permite sair da produção de subsistência e alcançar mercados institucionais, redes varejistas e canais de distribuição maiores.
O modelo também vem ampliando presença no mercado de consórcios. Dados divulgados com base em informações do Banco Central apontam que o setor cooperativo já ultrapassou 1 milhão de cotas ativas de consórcio no país, representando 8,4% do mercado nacional.
Governo do Estado e políticas públicas
O Governo do Espírito Santo tem ampliado ações voltadas à agricultura familiar, à comercialização de alimentos, ao desenvolvimento rural e à organização produtiva. Entre os instrumentos estão compras institucionais, programas de alimentação escolar, assistência técnica, incentivo à agroindustrialização e apoio a cadeias produtivas.
A atuação conjunta entre Estado, prefeituras, cooperativas, bancos cooperativos, Incaper, Sistema OCB/ES, Sebrae e entidades do setor produtivo é apontada como fundamental para que o cooperativismo avance de forma sustentável.
O modelo é especialmente relevante em municípios menores, onde a cooperativa pode se tornar uma das principais estruturas de geração de emprego, renda e circulação de recursos. Quando produtores conseguem vender coletivamente, acessar crédito e agregar valor à produção, o impacto não fica restrito à propriedade rural: ele alcança comércio, transporte, serviços e arrecadação municipal.
Espírito Santo se destaca pela diversidade
O cooperativismo capixaba não está restrito ao campo. O Estado possui cooperativas de crédito, saúde, transporte, produção agropecuária, trabalho, infraestrutura e consumo. A diversidade permite que o modelo esteja presente tanto nas cidades quanto no interior.
No setor de saúde, cooperativas médicas têm presença consolidada e atendem milhares de beneficiários. No transporte, cooperativas organizam trabalhadores e serviços. No crédito, oferecem produtos financeiros e financiamento. No agronegócio, ajudam a conectar pequenos produtores a mercados de maior escala.
A Organização das Cooperativas Brasileiras destaca que o cooperativismo é um modelo de negócio baseado na ajuda mútua, na gestão democrática e no desenvolvimento sustentável.
Em um cenário de juros elevados, dificuldades de acesso ao crédito e concentração econômica, o cooperativismo aparece como alternativa para fortalecer negócios locais e distribuir melhor os resultados da atividade econômica.
Desafios para os próximos anos
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios. Entre eles estão a necessidade de profissionalização da gestão, sucessão familiar no campo, acesso à tecnologia, ampliação da infraestrutura logística, formação de jovens cooperados e abertura de novos mercados.
A expansão das cooperativas depende também de educação financeira, capacitação empresarial e planejamento. A união entre produtores e empreendedores, por si só, não garante resultados: é preciso gestão, transparência, governança e visão de longo prazo.
O Dia Internacional do Cooperativismo, portanto, vai além de uma celebração. É uma oportunidade para discutir um modelo que ajuda a transformar pequenas iniciativas em cadeias produtivas mais fortes, amplia o acesso a crédito e mantém renda circulando nas comunidades.
No Espírito Santo, o cooperativismo se consolida como uma das ferramentas mais importantes para fortalecer a agricultura familiar, gerar empregos, estimular a inovação e criar oportunidades em todas as regiões do Estado.
Fonte: Incaper, Governo do ES, Sicoob, Sicredi, Sistema OCB/ES, Sebrae
Edição: Tatiana Sobreira, da Redação Jovem Pan News Vitória







