A catarata continua sendo uma das principais causas de cegueira reversível no mundo, especialmente entre a população idosa. No entanto, os avanços da oftalmologia têm permitido diagnósticos mais precoces, procedimentos cada vez mais seguros e uma recuperação visual mais rápida para os pacientes.
O tema foi abordado nesta quinta-feira (11) durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, com o médico oftalmologista Dr. César Ronaldo Filho, cirurgião do Hospital de Olhos Vitória e ex-presidente da Sociedade Capixaba de Oftalmologia.
Com explicou o especialista à jornalista Tatiana Sobreira, a visão exerce papel fundamental na qualidade de vida e na interação das pessoas com o mundo. Por isso, doenças que comprometem a capacidade visual produzem impactos não apenas individuais, mas também sociais.
“A catarata talvez seja o problema visual que mais impacta a vida das pessoas, porque compromete a autonomia do paciente e também afeta a família, que muitas vezes passa a assumir funções de cuidado”, explicou.
Apesar disso, o médico destaca que a doença possui tratamento altamente eficaz.
Envelhecimento natural dos olhos
Durante a entrevista, César Ronaldo Filho explicou que a catarata ocorre quando o cristalino — lente natural localizada dentro do olho — perde gradualmente sua transparência ao longo do envelhecimento.
Segundo ele, trata-se de um processo natural que acometerá praticamente toda a população em algum momento da vida.
“A catarata vai atingir praticamente 100% da população quando se chega a determinada idade”, destacou.
O especialista explica que os primeiros sinais costumam surgir após os 45 anos, quando muitas pessoas passam a perceber dificuldades para enxergar de perto, aumento do grau dos óculos ou perda gradual da qualidade visual.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Visão embaçada;
- Sensibilidade à luz;
- Dificuldade para dirigir à noite;
- Redução da nitidez das imagens;
- Necessidade frequente de trocar o grau dos óculos.
Além do envelhecimento, a catarata também pode surgir em decorrência de traumas oculares, uso prolongado de corticoides e até mesmo estar presente desde o nascimento em casos congênitos.
Espírito Santo possui estrutura consolidada para tratamento
Na avaliação do médico, o Espírito Santo apresenta uma rede bem estruturada para o atendimento de pacientes com catarata, tanto na rede privada quanto no Sistema Único de Saúde (SUS).
“O Espírito Santo é um estado muito bem servido em termos de profissionais e de serviços habilitados para tratar a catarata. Temos equipamentos modernos e profissionais altamente capacitados”, afirmou.
Segundo ele, instituições como a Santa Casa de Misericórdia de Vitória e o Hospital Evangélico oferecem atendimento especializado e acompanhamento adequado aos pacientes submetidos à cirurgia.
Cirurgia dura poucos minutos
Um dos pontos que mais despertam dúvidas nos pacientes é a segurança do procedimento cirúrgico.
De acordo com César Ronaldo Filho, a cirurgia de catarata é considerada atualmente um dos procedimentos mais seguros da medicina.
O especialista comparou a oftalmologia à aviação comercial: embora complicações possam ocorrer, elas são raras diante do grande volume de procedimentos realizados diariamente.
Atualmente, a técnica é realizada por microincisão, sem necessidade de pontos, permitindo uma recuperação significativamente mais rápida.
“Hoje fazemos uma cirurgia por microincisão, sem pontos, com recuperação muito mais rápida do que há alguns anos”, explicou.
Segundo o médico, o tempo efetivo do procedimento costuma durar entre quatro e cinco minutos, embora a permanência do paciente na unidade de saúde seja maior devido à preparação pré-operatória.
Novas lentes reduzem dependência dos óculos
Outro avanço destacado durante a entrevista foi a evolução das lentes intraoculares utilizadas após a retirada da catarata.
No passado, pacientes operados precisavam utilizar óculos de alto grau para compensar a lente natural removida. Hoje, existem lentes capazes de corrigir simultaneamente catarata, miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.
“Além de tratar a catarata, as lentes atuais também permitem corrigir o grau do paciente, reduzindo ou até eliminando a dependência dos óculos”, afirmou.
Segundo César Ronaldo Filho, essa evolução mudou inclusive o momento da indicação cirúrgica. Em muitos casos, pacientes que apresentam catarata inicial e dependência significativa dos óculos podem discutir com o médico a possibilidade de antecipar o procedimento, desde que haja indicação clínica.
Colírio para vista cansada existe, mas exige acompanhamento médico
Durante a entrevista, o oftalmologista também comentou sobre um tema que ganhou repercussão recentemente nas redes sociais: o uso de colírios para melhorar a visão de perto.
Segundo ele, o medicamento existe e pode apresentar bons resultados em casos específicos de presbiopia, popularmente conhecida como vista cansada.
O especialista ressaltou que o tratamento possui indicações limitadas e pode provocar efeitos colaterais, tornando inadequado o uso sem acompanhamento profissional.
Por outro lado, ele alertou para a disseminação de produtos vendidos na internet com promessas de curar a catarata sem cirurgia.
“Não existe comprovação científica de que colírios curem a catarata. Infelizmente, muitos desses produtos são comercializados sem qualquer evidência de eficácia”, afirmou.
Diagnóstico precoce faz diferença
Ao final da entrevista, César Ronaldo Filho reforçou a importância das consultas oftalmológicas regulares, especialmente após os 50 anos.
Segundo ele, identificar precocemente as alterações visuais permite acompanhar a evolução da catarata e definir o momento mais adequado para o tratamento.
“A medida que a qualidade de visão começa a diminuir e passa a interferir na rotina do paciente, avaliamos a melhor hora para realizar a cirurgia”, concluiu.
A entrevista completa pode ser conferida nos canais da Jovem Pan News Vitória.
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Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







