O talento continua sendo o ponto de partida para uma carreira artística, mas, no mercado atual, não é necessariamente suficiente para fazer um artista chegar a novos públicos, conquistar contratos, ampliar a agenda de shows ou transformar reconhecimento em negócio.
Por trás de muitos nomes da música existem profissionais responsáveis por funções que vão muito além da divulgação. Empresários artísticos, managers, agentes, produtores, assessores de comunicação, diretores criativos, stylists e especialistas em branding passaram a ocupar um espaço estratégico na construção de carreiras. O mercado artístico se tornou um grande cenário com inúmeras funções e desafios mais ampliados do que antes.
A profissionalização dessa estrutura acompanha as mudanças da própria indústria musical, que se tornou um grande negócio para além do artista musical. O Sebrae destaca que o mercado da carreira musical é amplo e está em constante transformação e aponta a necessidade de o artista compreender também aspectos de gestão e empreendedorismo.
Nem todo artista consegue cuidar sozinho da própria carreira
A dificuldade de transformar talento em uma carreira sustentável aparece nos dados mais recentes sobre agenciamento artístico no Brasil.
A quinta edição da Pesquisa Empresariamento Artístico, conduzida pela empresária e pesquisadora Anita Carvalho em parceria com o Laboratório de Economia Criativa da ESPM, mostra que apenas 12,5% dos artistas da amostra tinham representação profissional em 2025. A pesquisa também identificou que artistas com empresários apresentaram maior satisfação com a carreira, maior frequência de shows e maior acesso a mecanismos de fomento. Os dados indicam uma associação entre a presença de representação profissional e resultados mais favoráveis, embora não permitam afirmar, isoladamente, que a contratação de um empresário seja a causa desses resultados.
Na mesma pesquisa, metade dos artistas afirmou que sua principal fonte de renda vinha de uma atividade fora da música. Entre os pesquisados, os shows, que eram a principal fonte de renda para 57% dos artistas em 2019, passaram a representar 21,4% em 2025.
É nesse cenário que ganha espaço o trabalho de profissionais que ajudam o artista a estruturar não apenas a agenda, mas também sua identidade, comunicação, imagem e relacionamento com marcas e novos públicos. O artista da música ganha novas oportunidades para se tornar um ativo para além da música.
Ai que entra o empresário artístico ou manager que vai atuar na estratégia da carreira, podendo participar de negociações, contratos, planejamento, relacionamento com o mercado, shows, marcas e projetos comerciais.
O booker ou agente costuma estar mais diretamente ligado à contratação e comercialização de apresentações.
Já o trabalho de direção criativa, gestão de imagem e styling está relacionado à forma como o artista é apresentado ao público. Figurino, identidade visual, ensaios fotográficos, videoclipes, capas, redes sociais, materiais de divulgação e até a conexão entre a estética e o repertório podem fazer parte dessa construção.
No mercado brasileiro, empresas especializadas já oferecem modelos de gestão que integram carreira, marketing, imagem, relacionamento com marcas, publicidade e desenvolvimento artístico.
Uma indústria musical cada vez mais conectada
A transformação também é impulsionada pelas plataformas digitais.
Segundo a Pro-Música Brasil, a música brasileira representou 76% do Top 1000 do ranking de streaming da entidade em 2024. O relatório aponta ainda que o crescimento do streaming ampliou a visibilidade de novos talentos e facilitou o acesso do público brasileiro à produção musical de outros países.
Em 2023, as receitas de assinaturas de streaming de áudio no Brasil chegaram a R$ 1,6 bilhão, com crescimento de 21,9% em relação ao ano anterior.
O mercado também abre espaço para novas empreendedoras
Esse movimento se conecta a uma transformação mais ampla do mercado de trabalho brasileiro.
Dados do Sebrae apontam que o Brasil tinha 10,4 milhões de mulheres empreendedoras no quarto trimestre de 2024, além de registrar crescimento de 33% no número de donas de negócios em uma década.
O IBGE também mostra uma presença crescente das mulheres na formalização de seus negócios. Em 2024, 35,2% das mulheres ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria estavam em empreendimentos registrados no CNPJ, contra 32,7% entre os homens. Entre as empregadoras, especificamente, 84,4% das mulheres tinham CNPJ, enquanto entre os homens a proporção era de 78,1%.
No empreendedorismo ligado à cultura, o IBGE aponta que o setor cultural empregava 4,8 milhões de pessoas em 2020 e tinha uma forte presença de trabalhadores por conta própria: 41,6% dos ocupados estavam nessa condição. O levantamento também identificou que as mulheres representavam 49,5% dos trabalhadores do setor cultural naquele ano.
Os dados mais recentes do IBGE sobre indicadores culturais, que abrangem informações até 2024, passaram a incluir também estatísticas específicas sobre MEIs no setor cultural e dados do Censo 2022 sobre ocupações relacionadas à cultura.

A capixaba que enxergou uma oportunidade nesse mercado
Foi observando justamente essa transformação que a capixaba Fabíola Novaes encontrou uma possibilidade de empreender.
Administradora, Visual Manager e diretora criativa, Fabíola transformou a experiência com moda e gestão de imagem em um modelo de trabalho voltado também para artistas e profissionais que precisam construir uma presença mais consistente no mercado.
Natural de Cachoeiro de Itapemirim, Fabíola mudou-se para Vitória em 2017. Durante a faculdade de Administração, criou uma marca de roupas e, posteriormente, ampliou sua atuação para a gestão de imagem e direção criativa, a Novaes & Novaes Lab, que trabalha com posicionamento visual, produção de conteúdo, construção de portfólio, projetos audiovisuais e estratégias de marca. A formação em Music Branding pela ESPM também aproximou sua atuação do universo musical.
Entre os trabalhos citados pela assessoria estão projetos desenvolvidos com artistas como Morello, DJ ML da Vila e DJ Luka Martins.
A proposta é atuar em uma etapa que muitas vezes fica entre a criação artística e a entrada do artista no mercado: definir como aquele profissional será percebido, quais elementos visuais conversam com sua música e como essa identidade pode ser transformada em uma marca reconhecível.
Para um artista que pretende alcançar outras cidades, estados ou países, a imagem deixa de ser apenas uma questão estética. Ela pode funcionar como parte da narrativa da carreira, ajudando a estabelecer identidade e coerência entre música, conteúdo, palco, redes sociais, publicidade e relacionamento com marcas.
Essa lógica também aparece em trabalhos de diretoras criativas que atuam diretamente com grandes nomes da música. Em setembro de 2026, por exemplo, a Billboard Brasil destacou o trabalho da diretora criativa Gabriela Grafolin, que já trabalhou com artistas como Jão, Carol Biazin e Budah, mostrando como decisões sobre estética, videoclipes, capas e palco passaram a integrar a construção estratégica de uma carreira musical.
No caso de Fabíola, a oportunidade está justamente em transformar essa necessidade do mercado em negócio.
A trajetória mostra como áreas que antes poderiam ser vistas apenas como apoio no caso: moda; imagem; branding e direção criativa, passaram a ocupar um espaço mais estratégico na economia da música e no posicionamento de profissionais que buscam novos mercados.
A história também se conecta ao crescimento do empreendedorismo feminino no país.
Os números mostram que as mulheres estão ocupando espaços em diferentes pontos da cadeia criativa, inclusive em atividades que envolvem gestão, negócios, comunicação e construção de marcas.
No Espírito Santo, Fabíola Novaes representa um desses movimentos: uma profissional que identificou uma demanda existente no mercado artístico e transformou conhecimento em administração, moda e imagem em uma nova frente de empreendedorismo.
Mais do que cuidar do visual de um artista, a proposta é ajudar a construir uma identidade capaz de acompanhar a carreira, abrir conversas com marcas e criar pontes com públicos que estão além do mercado de origem.
Fonte: As informações fornecidas pela assessoria de Fabíola Novaes. (Anita Carvalho), (Sebrae), (Agência de Notícias IBGE), (Billboard Brasil), (POP CYBER), (Pro Música Brasil)
Foto Fabiola, cedida pela assessoria
Imagem capa feita por IA
Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória







