O governo dos Estados Unidos retirou todos os cafés brasileiros da tarifa adicional de 25% que passará a valer em 22 de julho. A decisão preserva as exportações de café verde e de produtos industrializados, como café torrado, solúvel, extratos e subprodutos, reduzindo um dos principais riscos para a economia do Espírito Santo, maior produtor nacional de café conilon.

A medida foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável pela política comercial norte-americana. Ao todo, cerca de 2.100 produtos brasileiros ficaram de fora da nova sobretaxa.

Café garante importante vitória para o Espírito Santo

O setor cafeeiro comemorou a decisão. Em nota conjunta, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) classificaram o resultado como uma importante conquista para a cadeia produtiva.

Além de manter o café verde entre as exceções, o governo americano também incluiu o café solúvel não aromatizado na lista definitiva de produtos isentos.

Segundo as entidades, a decisão protege um fluxo comercial estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano.

Para o Espírito Santo, o impacto é ainda maior. Além da liderança na produção de café conilon, o estado concentra cooperativas, indústrias, exportadores, armazéns, transportadoras e terminais portuários responsáveis pelo processamento e envio do produto ao mercado internacional.

Trabalho conjunto garantiu exclusão da tarifa

As entidades atribuem o resultado à articulação realizada com a National Coffee Association, entidade que representa a indústria do café nos Estados Unidos, além do apoio de importadores americanos.

Durante a consulta pública promovida pelo USTR, o setor argumentou que o Brasil ocupa posição estratégica no abastecimento do maior mercado consumidor de café do mundo e que o produto brasileiro não pode ser facilmente substituído por fornecedores de outros países.

O próprio órgão americano reconheceu que não existe oferta doméstica suficiente para suprir a demanda por café solúvel sem sabor.

Apesar da exclusão da tarifa de 25%, o setor segue atento a outra investigação comercial conduzida pelo governo americano, que poderá resultar em uma cobrança adicional de 12,5% sobre o café brasileiro.

Mais de 2 mil produtos brasileiros foram isentos

Além do café, a lista divulgada pelo governo americano inclui diversos produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou de difícil substituição.

Entre eles estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Suco de laranja;
  • Laranja;
  • Açaí;
  • Água de coco;
  • Componentes aeronáuticos;
  • Produtos do mar;
  • Medicamentos e insumos farmacêuticos;
  • Couros;
  • Alguns produtos de madeira;
  • Hidróxido de alumínio;
  • Sucata de ferro e aço;
  • Mel orgânico.

Segundo o USTR, esses itens foram retirados da tarifa por serem matérias-primas essenciais, cuja taxação poderia provocar desabastecimento ou impactos relevantes na economia americana.

Por outro lado, pedidos de exclusão apresentados por setores como vestuário, calçados e fabricantes de máquinas agrícolas e industriais foram rejeitados.

Panorama para a economia capixaba

A decisão reduz significativamente os impactos da nova política tarifária sobre o Espírito Santo ao preservar setores estratégicos como café, minério de ferro, pelotas, petróleo, celulose convencional e diversos produtos agrícolas.

Entretanto, a permanência da sobretaxa para parte das rochas ornamentais mantém um desafio importante para empresas exportadoras, empregos e municípios cuja economia depende do setor.

Fontes: A Gazeta e Folha Vitória
Editado por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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