A conexão entre celulares e satélites sem a necessidade de uma antena externa ganhou uma nova etapa no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prorrogou o projeto-piloto que permite testes da tecnologia conhecida como Direct-to-Device (D2D), sistema que possibilita a comunicação direta entre satélites e smartphones.
A decisão mantém o ambiente regulatório experimental por mais dois anos e seis meses a partir de 22 de outubro de 2026, ou até que sejam estabelecidas regras definitivas para esse tipo de serviço.
A tecnologia é considerada uma alternativa para ampliar a cobertura de telefonia móvel em locais onde a infraestrutura terrestre não chega ou apresenta limitações.
Celular poderá se conectar diretamente ao satélite
Na prática, o conceito do D2D transforma o satélite em uma espécie de estação de telefonia móvel no espaço. Em determinadas condições, um smartphone compatível poderá estabelecer comunicação diretamente com um satélite, sem depender de uma torre instalada nas proximidades.
Os primeiros testes autorizados pela Anatel utilizaram celulares comuns, sem necessidade de alterações físicas nos aparelhos. A agência destaca que a solução ainda está em fase experimental e não é oferecida comercialmente de forma ampla no país.
A tecnologia pode ser especialmente relevante para áreas rurais, comunidades isoladas, rodovias, regiões de fronteira e localidades sujeitas a dificuldades de cobertura.
Testes já apresentaram resultados positivos
A Anatel acompanhou, em 2025, testes realizados no Maranhão pelas empresas Claro e Lynk. Segundo a agência, foram obtidas conexões estáveis e de qualidade, permitindo serviços de voz e dados em áreas que anteriormente não tinham cobertura.
O experimento faz parte do chamado Sandbox Regulatório, mecanismo criado para permitir que novas soluções sejam testadas em ambiente controlado antes da definição de regras permanentes.
A experiência também permite à Anatel avaliar questões técnicas, como interferências, uso do espectro e condições necessárias para que a tecnologia possa coexistir com as redes móveis tradicionais.
Starlink está entre os projetos em teste
A tecnologia ganhou destaque com o avanço dos projetos da Starlink, empresa da SpaceX, em parceria com operadoras móveis. Em setembro de 2026, a Anatel prorrogou até abril de 2029 a autorização temporária da Telefônica Brasil, dona da Vivo, para testes de conexão direta entre celulares e satélites. A Starlink é a parceira indicada pela operadora nesse projeto.
A autorização, porém, não significa que todos os clientes da Vivo ou de outras operadoras já tenham acesso à internet via satélite no celular.
A oferta comercial depende do cumprimento das regras técnicas e regulatórias e das condições definidas pelas empresas envolvidas.
Ainda não é hora de abandonar a rede convencional
Apesar do avanço, o usuário não deve interpretar a autorização para testes como uma liberação imediata de uma rede nacional de celular via satélite.
A Anatel ainda trabalha na definição das características técnicas do serviço. O objetivo é estabelecer condições para que as aplicações D2D possam funcionar de forma segura e sem provocar interferências prejudiciais em outros sistemas de telecomunicações.
Também será necessário definir como as operadoras móveis e os sistemas de satélite poderão compartilhar as frequências utilizadas pela telefonia.
Um dos principais efeitos esperados do Direct-to-Device é a possibilidade de diminuir os chamados vazios de cobertura.
No Brasil, a tecnologia pode ter relevância em regiões extensas e de difícil implantação de infraestrutura terrestre, incluindo áreas rurais, estradas, comunidades ribeirinhas e localidades remotas.
Para o consumidor, isso pode representar uma nova alternativa de comunicação em locais onde atualmente o telefone celular simplesmente fica sem sinal.
Por enquanto, entretanto, a conexão direta entre smartphones e satélites permanece em fase de testes e desenvolvimento regulatório. A chegada efetiva do serviço ao mercado dependerá das próximas decisões da Anatel, das operadoras e das empresas responsáveis pelos sistemas de satélites.
Será que chegou a hora de o Brasil começar a desenvolver sua própria tecnologia, reduzir a dependência (ou zerar a dependência) de outros países e, finalmente, conquistar mais autonomia com a nova conexão direta entre celulares e satélites?
Vamos esperar para ver.
Fonte e foto: Anatel e ES Brasil. (anttlegis)
Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória







