A redução chama a atenção de pesquisadores e pode estar relacionada aos efeitos das mudanças climáticas sobre a disponibilidade de alimento nas áreas de alimentação das baleias, na Antártida.
Todos os anos, esses animais percorrem aproximadamente 4 mil quilômetros entre as regiões polares, onde se alimentam, e as águas tropicais brasileiras, utilizadas para reprodução, acasalamento e nascimento dos filhotes.
O arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, é uma das principais áreas de reprodução da espécie no país.
Os números de 2026 contrastam com os resultados de temporadas anteriores. Em 2025, a taxa bruta de natalidade foi de 10,7%. Já em 2024, o índice chegou a 16,69%, o maior registrado no levantamento citado pelo instituto.
Alimentação na Antártida pode estar relacionada à queda de nascimentos
O diretor de pesquisas do Instituto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, explica que o aquecimento global pode estar interferindo na disponibilidade de krill na Antártida. Esses pequenos crustáceos são a principal fonte de alimento das baleias-jubarte.
Como os animais praticamente não se alimentam durante a longa migração até as águas brasileiras, precisam acumular reservas de gordura antes de iniciar o deslocamento. A alimentação insuficiente pode comprometer a fertilidade das fêmeas e aumentar o risco de perda de filhotes durante a gestação.
A hipótese ainda está sendo investigada pelos pesquisadores. A redução de nascimentos também foi observada em populações de jubartes no Pacífico e na costa australiana.
Espírito Santo registra 11 encalhes de baleias-jubarte em 2026
O cenário também chama a atenção no litoral capixaba. Até outubro de 2026, o Brasil contabilizou 59 encalhes de baleias-jubarte. Desse total, 11 foram registrados no Espírito Santo, que aparece entre os estados com maior número de ocorrências, atrás de Santa Catarina, com 13 casos, e São Paulo, com 12.
Mais de 90% dos animais encontrados no levantamento nacional já estavam mortos quando chegaram às praias, segundo dados do Projeto Baleia Jubarte.
A distribuição dos encalhes neste ano também apresenta uma mudança em relação ao padrão habitual. Historicamente, Espírito Santo e Bahia concentram mais registros, mas, em 2026, Santa Catarina e São Paulo lideraram as ocorrências.
Temporada mais curta preocupa pesquisadores
A redução no número de filhotes também antecipou o encerramento da temporada de 2026. Normalmente, as baleias começam a chegar ao litoral brasileiro em junho, com maior concentração entre julho e outubro, permanecendo até novembro.
As mães costumam permanecer nas águas brasileiras até que os filhotes desenvolvam musculatura e uma camada de gordura suficiente para enfrentar a viagem de volta às regiões de alimentação.
Com menos nascimentos, esse período tende a ser mais curto.
Os pesquisadores também monitoram os encalhes e as condições de alimentação dos animais. Embora o número de ocorrências tenha sido menor que no ano passado, 59 contra 78, o diretor de pesquisas do Instituto Baleia Jubarte alerta que a continuidade da baixa disponibilidade de alimento pode provocar aumento da mortalidade nos próximos anos.
Fontes: Agência Brasil; Instituto Baleia Jubarte; Projeto Baleia Jubarte; Prefeitura de Vitória; CNN Brasil.
Imagem IA
Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória







