Em entrevista à Jovem Pan News Vitória, governador eleito também defendeu mudanças na máquina pública, ampliação da qualificação profissional e integração entre municípios para melhorar a segurança, a saúde e a infraestrutura do Espírito Santo
O governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), afirmou que o combate ao feminicídio será uma das prioridades de sua gestão a partir de janeiro de 2027. Em entrevista à jornalista Tatiana Sobreira, no programa De Olho na Cidade desta terça-feira (27), ele defendeu a construção de um pacto estadual de proteção às mulheres, com participação de instituições públicas, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil.
Eleito no segundo turno das eleições de domingo (25), Pazolini recebeu 52,17% dos votos válidos, contra 47,83% de Ricardo Ferraço (MDB), segundo os dados da Justiça Eleitoral. Ex-prefeito de Vitória, o republicano assumirá o governo estadual ao lado da vice-governadora eleita, Eliane Leal (PL), para um mandato de quatro anos.
Durante a entrevista, o governador eleito também apresentou propostas para as áreas de saúde, segurança pública, educação, mobilidade urbana e desenvolvimento econômico. Entre os pontos destacados estão a ampliação do atendimento especializado na rede de saúde, a integração das forças de segurança da Grande Vitória, investimentos em rodovias e o fortalecimento da qualificação profissional.
“Precisamos agora ter energia e a sensibilidade pra entender a demanda local, pra entender a realidade local”, afirmou Pazolini.
Combate ao feminicídio será prioridade do novo governo
Ao falar sobre os primeiros desafios da gestão, Pazolini apontou a violência contra as mulheres como uma das preocupações que pretende enfrentar. O governador eleito defendeu que o combate ao feminicídio seja tratado como um compromisso permanente do poder público e envolva diferentes instituições.
“O Espírito Santo não pode ser conhecido como o estado recordista da morte de mulheres do Brasil. Isso não é aceitável”, afirmou.
Segundo ele, o Espírito Santo registrava, até o momento da entrevista, um aumento de 18% nos casos de feminicídio em relação ao ano anterior. Os dados do Observatório da Segurança Pública ajudam a dimensionar o problema: o estado registrou 38 feminicídios em 2024, contra 35 em 2023, alta de 8,6%. Já em 2025, foram contabilizados 31 casos entre janeiro e novembro, ante 37 no mesmo período de 2024, uma redução de 16,2%.
Vale ressaltar que o painel do Observatório registrava 28 feminicídios até 30 de setembro de 2026. Como os períodos disponíveis não são idênticos, esses números não confirmam, por si só, a alta de 18% citada por Pazolini. A comparação exige os dados dos mesmos meses de 2026 e 2025.
O republicano ainda afirmou que pretende iniciar ainda durante a transição as articulações com o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, associações e lideranças comunitárias e religiosas. A intenção é estabelecer uma mobilização estadual que fortaleça a prevenção, a proteção das vítimas e a responsabilização dos agressores.
Saúde, trânsito e infraestrutura estão entre os desafios
Na área da saúde, Pazolini afirmou que pretende ampliar para o Espírito Santo um modelo de atendimento que, segundo ele, foi desenvolvido em Vitória. A proposta envolve o fortalecimento da rede pública, a valorização dos servidores efetivos e a contratação de serviços complementares junto à rede privada e a instituições filantrópicas.
A redução das filas de consultas e exames é um dos desafios já enfrentados pela rede estadual. Em 2025, a Secretaria de Estado da Saúde anunciou um pacote que previa 1,25 milhão de consultas e 670 mil exames especializados. No balanço divulgado em dezembro, a pasta informou a oferta de mais de 685 mil consultas e 867 mil exames. A ampliação da oferta faz parte da estratégia estadual para atender à demanda por especialistas, mas os números de procedimentos realizados não equivalem ao total de pacientes que aguardam atendimento.
Pazolini apontou a demora para conseguir consultas, exames e procedimentos especializados como uma das principais insatisfações da população. Ele defendeu a ampliação dos atendimentos em diferentes horários e a adoção de medidas que permitam reduzir as filas.
“Em Vitória, nós temos atendimento à noite, de madrugada, de dia, dia útil, feriado, qualquer dia. Isso precisa ser expandido para o Espírito Santo”, afirmou Pazolini.
A infraestrutura também foi citada como um dos pontos que exigirão atenção do novo governo. Pazolini mencionou a duplicação da BR-262, a situação da BR-259, que liga municípios do noroeste capixaba, e o acompanhamento das obras de ampliação da BR-101.
Ao abordar a segurança viária, o governador eleito afirmou que o trânsito precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e citou mais de mil mortes no Espírito Santo no ano anterior à entrevista. O problema já havia apresentado uma alta expressiva em 2024: de acordo com o Observatório da Segurança Pública, foram 984 mortes naquele ano, contra 828 em 2023, um aumento de 18,8%.
Para enfrentar esse cenário, Pazolini defendeu ações educativas desde a educação infantil, com continuidade nos ensinos fundamental e médio. Na avaliação dele, a formação de crianças e adolescentes pode ajudar a disseminar comportamentos seguros dentro das famílias, incluindo o uso do cinto de segurança e o respeito aos limites de velocidade e à sinalização.
“Precisamos ter ações de educação no trânsito, começar lá no CMEI, na creche, na base, depois passar pelo ensino fundamental e pelo ensino médio”, afirmou.
Pazolini defende integração entre municípios da Grande Vitória
A articulação entre os municípios foi outro tema central da conversa. Pazolini afirmou que os desafios da região metropolitana exigem ações coordenadas, especialmente nas áreas de segurança pública e mobilidade urbana.
Na segurança, ele defendeu maior integração entre as guardas municipais e as demais forças que atuam no Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes). Já na mobilidade, Pazolini destacou que o deslocamento diário de moradores entre cidades como Serra, Vitória, Vila Velha, Cariacica e Viana exige planejamento conjunto. Para ele, medidas adotadas isoladamente por uma prefeitura podem perder efetividade quando não existe continuidade nas cidades vizinhas.
O governador eleito também ressaltou que pretende estabelecer diálogo com prefeitos, vereadores, deputados estaduais, parlamentares federais e representantes do governo federal, independentemente do posicionamento político de cada um durante a eleição.
“O ciclo eleitoral se encerrou. O que estamos falando agora é de gestão, de entrega e de resultado”, declarou.
Pazolini afirmou que o Executivo estadual precisa representar todos os capixabas, e não apenas os eleitores que apoiaram sua candidatura. A mesma lógica, segundo ele, deverá orientar a relação com os municípios que deram maior ou menor votação à sua chapa.
Equipe de transição deverá orientar as primeiras decisões
Pazolini afirmou que a equipe de transição terá a missão de reunir informações sobre a situação do estado e preparar as primeiras medidas do novo governo. O grupo deverá contar com pessoas de diferentes áreas técnicas, com conhecimento em saúde, educação, segurança, assistência social, cultura, esporte e meio ambiente.
Durante a entrevista, ele anunciou o ex-deputado estadual Erick Musso como coordenador da equipe de transição. Segundo o governador eleito, os demais integrantes seriam apresentados ao longo dos dias seguintes, com a expectativa de concluir a composição inicial ainda na primeira quinzena de novembro.
O republicano afirmou que pretende fundamentar as decisões administrativas em evidências, dados concretos e conhecimento técnico, inclusive quando as medidas forem impopulares.
“Quando você toma decisões com base nas evidências e na ciência, você tem uma credibilidade muito maior e uma chance de dar certo infinitamente superior”, afirmou.
Pazolini diz que pretende manter políticas que apresentem resultados
Ao final da entrevista, o governador eleito afirmou que pretende preservar iniciativas que apresentem resultados positivos e reformular aquelas que precisarem de ajustes. Ele também defendeu a participação de lideranças comunitárias na construção das políticas públicas, citando o diálogo com representantes dos bairros durante sua passagem pela Prefeitura de Vitória.
Segundo Pazolini, a experiência da capital deverá servir de referência para ampliar a participação social nos 78 municípios capixabas. A intenção é reunir prefeitos, vereadores, lideranças e moradores em torno das prioridades de cada região.
“O que está bom, o que dá resultado, fica. Continua. O que precisar ser reformulado será, o que precisar ser corrigido será”, afirmou.
O governador eleito disse ainda que pretende manter uma rotina intensa de trabalho para corresponder à expectativa criada pela vitória eleitoral. Ao agradecer aos capixabas, reforçou que o próximo ciclo de governo deverá buscar resultados em todo o estado, sem restringir as políticas públicas aos municípios ou grupos políticos que apoiaram sua candidatura.
“A prioridade é cuidar de pessoas”, declarou Pazolini ao resumir a orientação que, segundo ele, deverá conduzir a gestão estadual.
A entrevista com Lorenzo Pazolini foi ao ar nesta terça-feira (27), no De Olho na Cidade, apresentado por Tatiana Sobreira, na Jovem Pan News Vitória.
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Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







