Em entrevista à Jovem Pan News Vitória, a produtora executiva Larissa Delbone destacou o papel do cinema na educação, na inclusão cultural e na formação de público. Evento acontece de 19 a 23 de outubro, na Ufes, com 11 curtas-metragens de nove estados brasileiros.
O cinema como ferramenta de educação, descoberta e transformação social é a proposta do 26º Festivalzinho de Cinema de Vitória, que será realizado de 19 a 23 de outubro, no Cine Metrópolis, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória. A programação reúne 11 curtas-metragens de nove estados brasileiros e tem como foco aproximar crianças e adolescentes da produção audiovisual nacional. A entrada é gratuita para o público previsto pelo evento, formado principalmente por estudantes da rede pública de ensino.
No De Olho na Cidade desta quinta-feira (15), a jornalista Tatiana Sobreira entrevistou Larissa Delbone, produtora executiva do Festivalzinho, para falar sobre a importância da iniciativa, os critérios de seleção dos filmes e o impacto do acesso à cultura durante a infância.
Para Larissa, o festival representa a oportunidade de apresentar o cinema brasileiro a crianças que, muitas vezes, nunca tiveram contato com uma sala de exibição.
“Quando você entra numa sala de cinema lotada de primeiras oportunidades, em que essa primeira oportunidade de encontrar o cinema encontra um filme brasileiro, falado na sua língua, com uma realidade que conversa com a sua, é um privilégio enorme”, afirmou.
Cinema, educação e inclusão cultural
O Festivalzinho foi criado para aproximar estudantes da rede pública do universo audiovisual e contribuir para a formação de novas plateias. Ao longo de sua trajetória, o projeto já alcançou aproximadamente 60 mil alunos e realizou quase 170 sessões.
Segundo Larissa, o trabalho começa antes mesmo da exibição. A organização prepara os estudantes para a experiência, conversa com professores e diretores e explica como será a visita ao cinema, desde o deslocamento até o momento em que as luzes se apagam e o filme começa.

A proposta é fazer com que as crianças vivenciem a sessão como uma experiência cultural completa, que estimule a imaginação, a curiosidade e a identificação com as histórias apresentadas.
“O Festivalzinho é um projeto de cidadania, de educação, de acesso”, destacou a produtora.
Na avaliação de Larissa, o contato com diferentes narrativas também ajuda a desenvolver o senso crítico e permite que os estudantes reconheçam experiências, culturas e realidades diferentes das suas.
Onze curtas de nove estados brasileiros
A mostra competitiva da 26ª edição reúne produções de animação e ficção selecionadas pela curadora Rosemeri Barbosa. Os 11 filmes representam nove estados de três regiões brasileiras.
A seleção busca combinar obras adequadas às diferentes faixas etárias atendidas pelo festival, que recebe estudantes de 6 a 14 anos, com temas que dialoguem com o cotidiano escolar e com a realidade das crianças.
Larissa explicou que a escolha exige atenção tanto à linguagem quanto aos assuntos abordados nas produções.
“A educação e a cultura são ferramentas que caminham juntas”, afirmou.
Entre os destaques está “Folclórica”, longa-metragem de animação dirigido por Rodrigo Aragão e Maíla Alarcón, que será exibido na abertura, fora da competição. A produção capixaba aborda personagens e elementos do folclore brasileiro, aproximando o público infantil de referências culturais do país e do próprio Espírito Santo.
Para a produtora, valorizar histórias brasileiras e produções locais é uma maneira de fortalecer a identidade cultural e mostrar às crianças que suas próprias referências também podem ocupar a tela do cinema.
Crianças participam da escolha dos filmes
Outro diferencial do Festivalzinho é a participação dos estudantes na avaliação das obras. As crianças acompanham as sessões e votam nos filmes de que mais gostaram, formando o júri popular da mostra competitiva.
Para Larissa, esse processo permite que os alunos desenvolvam a capacidade de avaliar o que assistem e expressem suas próprias opiniões.
A experiência também aproxima os estudantes de diferentes narrativas e incentiva a troca entre crianças de escolas e municípios distintos da Grande Vitória.
“Quando você vai pela primeira vez ao cinema, que a sua escola te levou, é um momento em que você não lida só com as suas expectativas enquanto estudante, mas com as suas expectativas enquanto cidadão”, explicou.
O projeto busca, assim, ir além da exibição de filmes: a intenção é garantir que as crianças tenham espaço para descobrir novas histórias, reconhecer suas identidades e exercer o direito de acesso à cultura.
Festivalzinho terá vagas para o público na segunda-feira
Embora as sessões sejam organizadas principalmente para escolas previamente selecionadas, Larissa anunciou durante a entrevista uma oportunidade especial para quem deseja participar da abertura do evento.
Na segunda-feira (19), haverá dez vagas para espectadores na sessão da manhã e outras dez na sessão da tarde, conforme informado pela produtora durante a conversa. A classificação indicativa é livre.
Os interessados devem consultar os horários e as orientações nos canais oficiais do Festival de Cinema de Vitória.
A programação geral do 26º Festivalzinho acontece de 19 a 23 de outubro, no Cine Metrópolis, na Ufes, em Vitória, com sessões gratuitas voltadas à formação cultural de crianças e adolescentes.
Cultura como oportunidade de transformação
Ao longo da entrevista, Larissa também compartilhou como o próprio contato com a arte influenciou sua trajetória. Segundo ela, oferecer a uma criança a oportunidade de conhecer o cinema pode abrir caminhos que vão muito além da experiência de assistir a um filme.
A produtora ressaltou que o acesso à cultura ajuda a ampliar horizontes, fortalecer o sentimento de pertencimento e apresentar novas possibilidades de futuro.
Para ela, o Festivalzinho mantém esse compromisso ao longo de 26 edições: colocar a infância no centro das ações culturais e aproximar o cinema brasileiro de quem está começando a descobrir o mundo.
A entrevista completa com Larissa Delbone foi ao ar no De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, nesta quinta-feira (15).
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Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







