Projeto reúne quatro organizações sociais em espaço no segundo piso do shopping, com produtos cuja renda é destinada às próprias instituições

O Shopping Vila Velha abriu espaço para quatro organizações sociais comercializarem produtos e ampliarem a divulgação de seus trabalhos. A iniciativa reúne as instituições em uma loja colaborativa no segundo piso do empreendimento, com camisetas, canecas, livros, acessórios e itens de artesanato. A renda obtida com as vendas é destinada às próprias organizações.

A ação foi tema da entrevista da jornalista Tatiana Sobreira com Verônica de Jesus, diretora-presidente e cofundadora do Instituto Oportunidade Brasil, e Kamilla Carvalho, gerente de marketing do Shopping Vila Velha, no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória 98.1 FM.

Segundo Kamilla, a iniciativa surgiu a partir da experiência do projeto EmpoderaEla, desenvolvido pela companhia à qual pertence, e da possibilidade de ampliar a proposta para organizações do terceiro setor.

“O EmpoderaEla já existe desde 2019 e é um projeto para dar visibilidade a pequenas empreendedoras.”

Loja busca aproximar ONGs do público

Para Verônica, ocupar um espaço dentro de um shopping representa uma oportunidade de ampliar a captação de recursos e, ao mesmo tempo, apresentar o trabalho das organizações a um público maior.

Segundo ela, grande parte das organizações sociais brasileiras é formada por instituições de pequeno porte, que enfrentam dificuldades para acessar editais e outras fontes de financiamento.

Verônica destacou ainda que a estrutura oferecida pelo shopping vai além de um pequeno ponto de venda. Para ela, a presença das organizações em uma loja com vitrine e estrutura própria ajuda a modificar a percepção sobre o trabalho desenvolvido pelo terceiro setor.

“Essa oportunidade está em um espaço onde há uma grande circulação de pessoas para conseguirmos captar recursos e continuar fazendo o trabalho que desenvolvemos: transformar vidas, alimentar sonhos, dignidade e cidadania.”

Compra também pode aproximar público das causas sociais

Além da geração de recursos, Verônica considera que a loja funciona como uma vitrine para organizações que muitas vezes são conhecidas apenas dentro das comunidades onde atuam. A exposição também pode ajudar as instituições a encontrar voluntários e novos apoiadores, segundo a diretora do Instituto Oportunidade Brasil.

“É atrair voluntários, atrair patrocinadores. Então, é muito além da venda. Eu acho que é uma vitrine enorme para conseguirmos mostrar o trabalho que está sendo feito pelo terceiro setor.”

Para Verônica, a aproximação com o público também facilita o contato entre consumidores e as causas apoiadas pelas instituições.

“Não fica somente numa coisa nichada dentro dos bairros, mas você aproxima porque é o comércio, é o shopping. Todo mundo está ali dentro.”

Projeto aposta no consumo como forma de impacto social

Kamilla também destacou que a proposta busca fazer com que os produtos sejam percebidos não apenas pelo caráter social, mas também pelo valor e pela qualidade.

Durante a entrevista, ela explicou que o trabalho de marketing procura transformar a iniciativa em uma experiência de consumo, sem deixar de lado a causa defendida pelas organizações.

“Você não está comprando uma peça, está comprando um sonho.”

A gerente de marketing também ressaltou a importância de apresentar produtos desenvolvidos especialmente para o projeto. Entre os itens citados durante a entrevista está uma camiseta criada por uma designer capixaba para a iniciativa. Para Kamilla, essa combinação entre produto, desejo e causa ajuda a aproximar o público da proposta.

“Eu não estou falando isso de um lugar ruim, mas como fazer com que um projeto social seja percebido dentro de um centro comercial pelo valor, não só pela questão da pauta social, mas também pelo objeto de desejo.”

Marketing busca valorizar identidade capixaba

A iniciativa também foi apresentada como parte de uma mudança na forma como os espaços comerciais podem se relacionar com a cultura e as comunidades onde estão inseridos.

Kamilla, que trabalha há 15 anos com marketing de shopping centers, afirmou que existe uma busca crescente por iniciativas relacionadas à identidade regional e ao sentimento de pertencimento.

Para ela, aproximar organizações sociais de um shopping também significa levar diferentes expressões da sociedade para um espaço de grande circulação.

“Isso é identidade, isso é pertencimento, isso é memória. É dizer: está aqui, o povo capixaba está aqui. Está todo mundo ali junto.”

EmpoderaEla já passou por mais de 50 shoppings

Kamilla explicou que o projeto EmpoderaEla começou em 2019 com a proposta de criar alternativas para falar sobre o Dia Internacional da Mulher para além das ações tradicionais do comércio.

Segundo ela, atualmente mais de 50 shoppings participam do projeto, que já abriu espaço para mais de mil mulheres com pequenos negócios.

“Ter hoje mais de 50 shoppings falando do EmpoderaEla, abrindo espaço para mulheres empreendedoras e para ONGs, mostra como esse projeto foi crescendo e ganhando espaço dentro da companhia.”

No Shopping Vila Velha, a iniciativa também passou por uma curadoria de pequenas empreendedoras. Segundo Kamilla, nove mulheres participaram da edição realizada em março deste ano, e a proposta é repetir a ação no próximo ano.

Quatro organizações sociais participam da iniciativa

A loja colaborativa reúne quatro instituições. Entre elas está o Instituto VOE Mais, projeto voltado à qualificação de mulheres que passaram por situações de violência doméstica, e o Instituto Oportunidade Brasil, fundado por Verônica, que trabalha com a qualificação de jovens negros em situação de vulnerabilidade social para o mercado de tecnologia.

Também participa uma instituição voltada ao atendimento de crianças com câncer, citada por Verônica durante a entrevista, além de uma organização da Serra que desenvolve atividades de reforço escolar no contraturno.

Segundo Verônica, a proposta é fazer com que cada organização apresente não apenas seus produtos, mas também o trabalho realizado e as pessoas beneficiadas.

“Cada ONG tem o seu material explicando o que faz. Essa conversa, quando a pessoa chega, é justamente para aproximar esse cidadão comum do trabalho que é feito dentro das instituições.”

Loja colaborativa funciona no segundo piso do Shopping Vila Velha

A loja está localizada no segundo piso do Shopping Vila Velha, próxima à escada rolante, e funciona das 10h às 22h, de segunda a domingo, segundo as entrevistadas.

Além de adquirir os produtos, o público pode conhecer as organizações participantes, entender as causas apoiadas e encontrar formas de contribuir com os projetos.

Para Verônica, a iniciativa mostra que diferentes setores podem atuar conjuntamente para fortalecer as organizações sociais. A proposta, segundo ela, é ampliar as possibilidades de sustentabilidade das instituições e permitir que o trabalho desenvolvido continue alcançando os beneficiários e suas famílias.

“Nós precisamos que o terceiro setor seja fortalecido para continuarmos fazendo esse trabalho, muitas vezes de base, para conseguirmos crescer enquanto nação, enquanto país.”

Confira a entrevista completa com Verônica de Jesus e Kamilla Carvalho clicando aqui.

Por Tatiana Sobreira e Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória.

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