Os pais de Jorge Teixeira da Silva Neto começam a ser julgados pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (12), em Vila Velha. Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31, são acusados pela morte do próprio filho, ocorrida em julho de 2022, quando a criança tinha apenas 2 anos e 8 meses.

Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a sessão está marcada para começar às 13h, no Fórum Desembargador Annibal de Athayde Lima. A previsão é que o julgamento se estenda até sexta-feira (14).

Os réus respondem por homicídio por omissão, qualificado pelo emprego de meio cruel e por recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima. As acusações também incluem causas de aumento relacionadas ao fato de a vítima ser filho dos acusados e ter menos de 14 anos, além do crime de estupro de vulnerável.

Menino morreu após ser levado ao hospital

O caso aconteceu em julho de 2022. Jorge foi levado pelos pais ao Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, mas não resistiu.

Na época, profissionais de saúde identificaram sinais de violência física e sexual no corpo da criança, o que levou ao acionamento das autoridades.

Segundo as investigações da Polícia Civil, a perícia encontrou vestígios de sangue e sêmen em roupas recolhidas durante a apuração. Cerca de 15 peças, entre vestimentas infantis e de adultos, foram encaminhadas para análise.

O corpo da criança também passou por exames no Departamento Médico Legal (DML), onde, segundo a polícia, foram constatados sinais compatíveis com abuso sexual e tortura. Uma perícia complementar também foi solicitada durante a investigação.

Conversas entre o casal foram analisadas

Durante a apuração, investigadores também tiveram acesso a conversas trocadas entre os pais da criança por um aplicativo de mensagens.

Em uma delas, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil à época, Maycon mencionava um boletim de ocorrência registrado enquanto o menino ainda estava internado.

“Sobre o boletim que você fez, precisamos sentar e conversar, pois podemos ter deixado algo passar despercebido”, teria escrito o pai.

O registro policial foi feito depois que uma médica do Himaba informou à mãe da criança sobre a possibilidade de violência sexual, conforme a investigação.

Os pais foram presos dias após a internação do menino. Durante o processo, eles negaram as acusações.

Relembre o caso

Segundo a investigação, os pais levaram Jorge ao Himaba durante a madrugada alegando que ele apresentava sintomas gripais.

A criança morreu na unidade hospitalar. Diante das lesões identificadas pela equipe médica, as polícias Militar e Civil foram acionadas.

O corpo foi encaminhado ao DML para exames. Ainda segundo informações divulgadas pela polícia durante a investigação, os pais teriam tentado liberar o corpo para uma funerária sem a realização de autópsia.

Após a conclusão das investigações, o caso seguiu para a Justiça. Agora, os dois acusados serão julgados pelo Tribunal do Júri.

Fontes: G1 Espírito Santo e Folha Vitória
Editado por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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