Tecnologia revela estruturas escondidas sob a floresta

Uma expedição científica realizada no Acre identificou quase 400 novos geoglifos escondidos sob a floresta amazônica. As estruturas foram localizadas por meio de voos equipados com tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), sistema que utiliza pulsos de laser para mapear o relevo mesmo sob a copa das árvores. A descoberta amplia significativamente o número de sítios arqueológicos conhecidos na região e reforça a hipótese de que a Amazônia foi ocupada por sociedades muito mais numerosas e organizadas do que se acreditava.

Os geoglifos são grandes estruturas geométricas escavadas no solo, em formatos como círculos, quadrados e octógonos, muitas delas com centenas de metros de extensão. A maioria só pode ser identificada por imagens aéreas ou por tecnologias avançadas de sensoriamento remoto.

Descoberta pode indicar milhares de monumentos

Com base nas novas imagens obtidas durante os sobrevoos, os pesquisadores estimam que a Amazônia Ocidental possa abrigar cerca de 20 mil monumentos pré-colombianos, número muito superior às estimativas anteriores. Até então, aproximadamente 1.300 estruturas haviam sido catalogadas no Acre e em áreas vizinhas. (Folha de S.Paulo)

Os cientistas acreditam que essas construções foram erguidas entre aproximadamente 100 e 300 d.C. por sociedades indígenas altamente organizadas, capazes de modificar grandes áreas da paisagem amazônica sem provocar a destruição da floresta.

Nova visão sobre a história da Amazônia

A descoberta reforça uma mudança de paradigma na arqueologia. Durante décadas, predominou a ideia de que a Amazônia era ocupada apenas por pequenos grupos humanos dispersos antes da chegada dos europeus.

As novas evidências indicam que extensas áreas da floresta foram manejadas por populações numerosas, com conhecimentos avançados de engenharia, agricultura e organização territorial. Os geoglifos podem ter servido como espaços cerimoniais, políticos ou comunitários, embora sua função exata ainda esteja sendo investigada.

Tecnologia LiDAR revoluciona a arqueologia

O uso do LiDAR tem permitido aos arqueólogos localizar estruturas invisíveis a olho nu. Os pulsos de laser atravessam parcialmente a vegetação e geram modelos tridimensionais do terreno, revelando valas, plataformas e formas geométricas escondidas pela floresta.

A tecnologia vem sendo utilizada em diferentes partes do mundo e já revolucionou pesquisas arqueológicas em regiões como América Central, Sudeste Asiático e Amazônia.

Descoberta fortalece preservação do patrimônio brasileiro

Os pesquisadores destacam que os novos geoglifos reforçam a necessidade de preservar o patrimônio arqueológico amazônico e ampliar os estudos científicos sobre os povos originários.

Além do valor histórico, os sítios podem contribuir para o desenvolvimento do turismo científico e cultural, fortalecendo ações de conservação da floresta e valorização da história indígena brasileira.

 

Fonte e foto: Agência Brasil; G1; Universidade de Helsinque; Instituto Geoglifos da Amazônia.

Edição: Tatiana Sobreira | Jovem Pan News Vitória

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