O novo Atlas da Violência divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública acendeu um alerta nacional sobre o aumento da violência letal contra mulheres no Brasil. O estudo mostra que, mesmo com a redução dos homicídios gerais no país nos últimos anos, os assassinatos de mulheres seguem em níveis preocupantes e apresentam crescimento em várias regiões brasileiras.

Segundo o levantamento, o Brasil registrou 3.903 homicídios femininos no período analisado, o equivalente a uma taxa nacional de 3,5 mortes para cada 100 mil mulheres. A média representa cerca de 10 mulheres assassinadas por dia no país.

O estudo aponta que a violência contra mulheres permanece fortemente ligada à violência doméstica e familiar. Em mais de 78% dos casos analisados, os crimes foram cometidos por companheiros, ex-companheiros ou pessoas próximas das vítimas.

Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi o avanço da violência contra mulheres negras. Segundo o Atlas, 68,2% das vítimas de homicídio feminino no Brasil eram negras. A taxa de homicídios entre mulheres negras chegou a 4,3 por 100 mil habitantes, enquanto entre mulheres não negras ficou em 2,5.

Nordeste lidera os índices de violência

O levantamento aponta forte desigualdade regional nos homicídios de mulheres. O Nordeste aparece como a região mais crítica do país, concentrando cerca de 38% de todos os assassinatos femininos registrados no Brasil.

Além disso, a região também lidera os homicídios praticados com armas de fogo. Segundo estudo do Instituto Sou da Paz, 62% das mortes de mulheres no Nordeste ocorreram por disparos de arma de fogo, índice acima da média nacional.

Na divisão regional do país, o cenário apontado pelas pesquisas mostra:

  • Nordeste: maior concentração de homicídios femininos e feminicídios
  • Norte: maiores taxas proporcionais em estados como Roraima e Amazonas
  • Centro-Oeste: crescimento dos feminicídios ligados à violência doméstica
  • Sudeste: redução gradual nos homicídios gerais, mas estabilidade nos crimes contra mulheres
  • Sul: índices menores proporcionalmente, mas aumento em casos de violência doméstica registrados pelos sistemas de saúde

Entre os estados com as maiores taxas de homicídios femininos aparecem:

  • Roraima: 10,4 mortes por 100 mil mulheres
  • Amazonas: 5,9
  • Rondônia: 5,9
  • Bahia: 5,9

Já São Paulo apresentou a menor taxa nacional, com 1,6 homicídio por 100 mil mulheres.

Violência cresce também fora dos homicídios

O Atlas da Violência também revelou crescimento expressivo nos registros de agressões não letais contra mulheres. Em 2023, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, contabilizou 275.275 notificações de violência contra mulheres, aumento de 24,4% em relação ao período anterior.

Os principais tipos de violência registrados foram:

  • Violência física: 37,4%
  • Violência múltipla: 30,3%
  • Negligência: 12%
  • Violência psicológica: 10,1%
  • Violência sexual: 9,5%

Segundo o levantamento, 81,3% das agressões ocorreram dentro de residências, reforçando o perfil doméstico da violência contra mulheres no país.

Espírito Santo registra alta nos homicídios de mulheres

No Espírito Santo, os dados também preocupam. O Anuário Estadual de Segurança Pública apontou aumento de 5,7% nos homicídios de mulheres em 2024. O estado registrou 95 assassinatos femininos, contra 88 no ano anterior.

Os feminicídios cresceram ainda mais: passaram de 35 para 39 casos no período, alta de 8,6%.

A Região Metropolitana concentrou o maior número de casos no estado, com 37 homicídios de mulheres. Na sequência aparecem:

  • Noroeste: 20 casos
  • Norte: 18 casos
  • Serrana: 10 casos
  • Sul: 9 casos

Entre os municípios capixabas, Serra e Vila Velha lideraram os registros, com 13 casos cada. Cariacica e Linhares tiveram sete ocorrências cada.

Especialistas apontam que os números reforçam a necessidade de ampliação das políticas públicas de proteção às mulheres, fortalecimento das delegacias especializadas, monitoramento de medidas protetivas e combate à violência doméstica.

O Atlas da Violência destaca ainda que o crescimento dos feminicídios no Brasil demonstra que a violência de gênero permanece como um dos principais desafios da segurança pública nacional.

Fonte: G1, Atlas da Violência 2026, Ipea, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Agência Brasil, Instituto Sou da Paz, Ministério da Saúde e Governo do Espírito Santo

Imagem IA

Edição: Tatiana Sobreira – Redação Jovem Pan News Vitória

 

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