A Suprema Corte dos EUA decidiu na sexta-feira (20) que Donald Trump excedeu sua autoridade ao impor uma série de tarifas que desestabilizaram o comércio global, bloqueando uma ferramenta fundamental que o presidente tem usado para implementar sua agenda econômica.

Embora Trump tenha usado tarifas como instrumento de pressão e negociação por muito tempo, ele fez uso sem precedentes dos poderes econômicos de emergência ao retornar à presidência no ano passado para impor novas tarifas a praticamente todos os parceiros comerciais dos EUA.

Essas tarifas incluíam tarifas “recíprocas” sobre práticas comerciais que Washington considerou desleais, além de conjuntos separados de tarifas direcionadas a importantes parceiros como México, Canadá e China, devido ao tráfico de drogas e à imigração.

A Corte observou na sexta-feira que “se o Congresso tivesse a intenção de conferir o poder distinto e extraordinário de impor tarifas” com a IEEPA, “teria feito isso expressamente, como tem feito consistentemente em outras leis tarifárias”.

A decisão não afeta as tarifas setoriais específicas que Trump impôs separadamente sobre as importações de aço, alumínio e vários outros produtos. Investigações formais, que podem levar à imposição de mais tarifas setoriais, continuam em andamento.

Embora o julgamento não determine automaticamente a devolução dos valores recolhidos, votos divergentes apontam que os Estados Unidos podem ser “obrigados a reembolsar bilhões de dólares a importadores que pagaram as tarifas”, o que deve gerar nova rodada de disputas judiciais.

Segundo o Washington Post, uma organização que representa pequenos produtores já solicitou ao governo federal que sejam ressarcidos os valores relativos às tarifas impostas.

decisão da Suprema Corte confirma as conclusões anteriores de tribunais inferiores de que as tarifas impostas por Trump sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) eram ilegais.

Um tribunal comercial de instância inferior havia decidido em maio que Trump extrapolou sua autoridade com tarifas generalizadas e impediu que a maioria delas entrasse em vigor, mas essa decisão foi suspensa enquanto o governo aguardava um recurso.

*Com informações da AFP e Estadão Conteúdo

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