O vice-líder do governo no Congresso Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que a base de Lula no Legislativo votará a favor da abertura de uma CPI para investigar o caso do Banco Master. “Nós vamos assinar tanto a CPI da Câmara quanto a CPMI. Nós não vamos entrar na defensiva”, falou. Ele negou, no entanto, que o partido vai assinar a proposta de CPMI feito pelo PL, que chamou de “distorcido”.

“A investigação é da PF. A Receita Federal está ajudando e o Banco Central também”, disse Lindbergh, que exaltou o trabalho de Gabriel Galípolo, atual presidente do BC. “Na gestão anterior, nada foi feito”, afirmou.

O deputado também afirmou que o governo está tranquilo com as investigações sobre o banco. “Quem está fazendo a investigação é o governo”, ponderou. Também acusou, sem provas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de estar envolvido com o escândalo. “Todo mundo sabe”, disse.

A informação sobre a aderência da base do governo à CPI já havia sido adiantada pelo colunista Bruno Pinheiro, da Jovem Pan.

No Senado, a defesa da apuração tem sido encampada por parlamentares do MDB, partido que integra a base do governo. O senador Eduardo Braga (MDB) afirmou não acreditar que o pedido de instalação de uma CPI perderá fôlego.

“Não acredito que esse caso perderá força! Maior escândalo do setor bancário do Brasil não pode deixar de ser investigado com toda a transparência”, disse Braga.

Também do MDB, o senador Veneziano Vital do Rêgo sinalizou ao jornalista Bruno Pinheiro o interesse em aprofundar a apuração dos fatos. “Tomara que avance.” Questionado sobre a possibilidade de uma CPMI revelar o envolvimento de nomes do Congresso, respondeu que “possivelmente”.

Na Câmara dos Deputados, além de parlamentares da oposição, aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também têm defendido a investigação do escândalo bancário. O deputado Reginaldo Lopes (PT) afirmou que a CPI do Banco Master é “inevitável.”

Ainda nesta quarta-feira, o senador Izalci Lucas (PL) afirmou à coluna que a pressão para a instalação do colegiado será elevada. “Ganhará muita força . A pressão será imensa para instalação imediata”, disse Izalci.

Apesar do interesse manifestado por parlamentares de ambos os lados do espectro político, a principal dificuldade deverá ser a convocação dos envolvidos para prestar depoimento. Integrantes da base governista apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantém fortes ligações com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já a oposição sustenta haver indícios de que integrantes do governo, ministros do STF e outras autoridades do sistema financeiro tinham conhecimento do caso.

*Por Rany Veloso

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