O Tupinakyîa, idioma do tronco Tupi, é a língua originária do povo Tupinikim que habita o litoral do Espírito Santo, mais especificamente em aldeias do município de Aracruz. O processo colonial, ameaças, violências, proibições, preconceitos, invasões dos territórios tradicionais, foram elementos que fizeram com que a língua fosse deixando de ser falada ao longo de gerações. Porém, nas últimas décadas, a luta do povo Tupinikim trouxe o ensino da língua tradicional para escolas e também para diversas iniciativas culturais, na música, no cinema e em outras linguagens.

Com o intuito de fortalecer o aprendizado, as trocas e as práticas linguísticas, a  Akangatara Produções criou Projeto Tupinakyîa, que foi selecionado pelo edital de Valorização de Territórios e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult) e conta com apoio da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios (AITC).

Desde o ano passado, a iniciativa tem promovido encontros e grupos de estudo voltados ao fortalecimento da língua Tupi no território indígena, conectando interessados de várias aldeias em encontros presenciais e virtuais. “Nosso grupo é formado por ex-estudantes da língua, jovens, alguns professores que estão lecionando e outros interessados. Nos reunimos e discutimos, entre outras coisas, formas de padronizar a língua, e alguns termos e expressões que são diferentes em algumas aldeias”, explica Tiago Mateus, coordenador do projeto

O projeto tem como objetivo desenvolver ações práticas e educativas, como a criação de materiais didáticos, incluindo cartilhas, vídeos, jogos e conteúdos midiáticos, visando ampliar o ensino e a valorização da língua nas comunidades.

“O ensino escolar da língua está presente há mais de 20 anos no território, mas ainda não é suficiente, tem apenas uma aula por semana, sendo que até a língua inglesa tem duas aulas. E temos o agravante de que em algumas aldeias, os alunos têm apenas até o quinto ano dentro de escola indígena e depois vão para a cidade ou vilas para estudar em escolas não indígenas, em que essa disciplina não existe. Então se não tiver prática, o estudante logo esquece”, aponta Tiago Mateus, também conhecido como T-Kauê, que é cineasta e já produziu obras utilizando o idioma originário de seu povo.

Para ele, para que se possa voltar a falar a língua em todo território os jovens precisam também acessar e produzir materiais como filmes, livros e jogos, pois há escassez de material no idioma. “Queremos alavancar esse processo. O Projeto Tupinakyîa é um pontapé inicial”, diz.

Em março, a iniciativa deu um novo passo ao reunir um grupo de alunos de ensino médio da aldeia de Caieiras Velha com foco na produção de desenhos de objetos do cotidiano acompanhados da pesquisa sobre seus respectivos nomes na língua Tupi, que foram registrados abaixo de cada ilustração. A ação também busca incentivar que os próprios jovens criem seus materiais e narrativas no idioma indígena por meio da construção coletivas de materiais, aproveitando também as novas tecnologias disponíveis.

Nos encontros foram gravados vídeos que estão em processo de edição e finalização. Ao fim, o Projeto Tupinakyîa também vai lançar um aplicativo para estudos de Tupi,  uma cartilha e um documentário com depoimentos sobre o tema.

Fonte e fotos: Chaski assessoria de comunicação e cultura

imagem capa IA ilustrativa

Edição: Tatiana Sobreira, Jovem Pan News Vitória

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