Lastênio Luiz Cardoso é alvo da Operação 1932, que apura possível pressão sobre servidores municipais para favorecer Ricardo Ferraço no segundo turno das eleições estaduais; Justiça Eleitoral determinou afastamento do prefeito por 30 dias.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (19), a Operação 1932 para apurar suspeitas de crimes eleitorais envolvendo o prefeito de Baixo Guandu, no Espírito Santo, Lastênio Luiz Cardoso (MDB). A investigação busca esclarecer se o cargo público teria sido utilizado para pressionar servidores municipais a votar em um candidato no segundo turno das eleições estaduais de 2026.
O caso envolve um vídeo publicado nas redes sociais em 10 de outubro. De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, o prefeito teria associado a permanência de aproximadamente 700 trabalhadores em seus postos à eleição do governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição. A continuidade de obras e serviços municipais também teria sido vinculada ao resultado da disputa.
PF cumpre mandados e apreende material eleitoral
No decorrer da operação, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão, além de uma busca pessoal. As medidas foram autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), após manifestação favorável da Procuradoria Regional Eleitoral.
A Justiça Eleitoral determinou ainda o afastamento de Lastênio Luiz Cardoso da função pública pelo período de 30 dias e proibiu o acesso dele às dependências do órgão público.
Durante as diligências, foram apreendidos materiais de campanha eleitoral. Os itens serão analisados e submetidos a exames periciais para auxiliar no andamento das apurações.
Além da possível coação eleitoral praticada por servidor público, a investigação considera a hipótese de utilização de serviços públicos em benefício de organização política. As condutas estão previstas no Código Eleitoral e ainda são objeto de apuração.
Evento público também está sob investigação
Outro ponto apurado pela Polícia Federal é a possível utilização de um evento público para divulgação de propaganda eleitoral. A investigação busca verificar as circunstâncias dos fatos e se houve uso da estrutura pública para beneficiar uma candidatura.
A apuração começou após a circulação do vídeo publicado pelo prefeito. A suspeita é de que as declarações tenham relacionado empregos, obras e serviços municipais ao resultado da eleição, em uma possível tentativa de influenciar o voto de servidores e outros eleitores.
As medidas adotadas pela Justiça Eleitoral fazem parte da investigação e não representam, por si só, uma condenação. A responsabilidade criminal do investigado dependerá da apuração dos fatos e do devido processo legal.
Por que a operação recebeu o nome de 1932?
O nome da operação faz referência ao Código Eleitoral de 1932, marco na organização da Justiça Eleitoral brasileira e na introdução de mudanças no sistema de votação, entre elas a adoção do voto secreto.
A referência remete ao enfrentamento de práticas históricas de pressão sobre eleitores, como o chamado voto de cabresto, associado ao controle político do voto durante a República Velha.
Até a publicação das informações citadas pela CNN Brasil, a Prefeitura de Baixo Guandu ainda não havia respondido ao pedido de manifestação feito pela emissora. O espaço permanece aberto para posicionamento.
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Fontes: CNN Brasil, Em Pauta 24 Horas e Metrópoles
Da redação da Jovem Pan News Vitória







