A Organização Mundial da Saúde (OMS) investiga uma possível transmissão rara de hantavírus entre passageiros do navio holandês MV Hondius, após a confirmação de mortes e casos suspeitos da doença durante uma viagem internacional.

Segundo a OMS, oito casos foram identificados até o momento, sendo três confirmados e cinco suspeitos. Três passageiros morreram desde o início da viagem, incluindo uma mulher holandesa com diagnóstico confirmado para hantavírus.

O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, no dia 1º de abril, com 174 pessoas a bordo, passando por regiões como Antártica, Geórgia do Sul, Tristan da Cunha, Santa Helena e Ilha de Ascensão.

Casos seguem sob investigação

O primeiro alerta oficial foi emitido em 2 de maio, após registros de doença respiratória aguda grave entre passageiros. Exames realizados na África do Sul confirmaram a presença do hantavírus em um dos pacientes internados em terapia intensiva.

A OMS informou que investiga a possibilidade de relação dos casos com a cepa Andes, variante rara associada a eventuais transmissões entre pessoas em contatos muito próximos.

Especialistas destacam, porém, que ainda não é possível afirmar se houve transmissão dentro da embarcação ou se os passageiros embarcaram já infectados.

Espanha receberá embarcação

Até esta terça-feira (6), o navio permanecia próximo a Cabo Verde. O governo da Espanha informou que permitirá a atracação da embarcação nas Ilhas Canárias para continuidade da operação sanitária e humanitária.

Passageiros com sintomas foram retirados do navio, enquanto os demais seguem sem apresentar sinais da doença, segundo autoridades sanitárias.

O que é o hantavírus

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres, por meio do contato com partículas presentes em fezes, urina ou saliva dos animais.

A infectologista Elba Lemos, pesquisadora da Fiocruz, explicou que a doença possui alta letalidade e que casos de transmissão entre humanos são extremamente raros, normalmente associados à cepa Andes, registrada na Argentina e no Chile.

Segundo a especialista, o episódio é considerado incomum porque surtos de hantavírus geralmente ocorrem em áreas rurais, e não em ambientes como navios de cruzeiro.

Cruzeiros e vigilância sanitária

O caso também reacendeu debates sobre segurança sanitária em cruzeiros marítimos, principalmente após surtos registrados nos últimos anos envolvendo norovírus e Covid-19.

Especialistas destacam que, apesar do ambiente fechado favorecer a propagação de doenças infecciosas, os navios operam atualmente sob protocolos sanitários mais rigorosos em relação à climatização, manipulação de alimentos, descarte de resíduos e monitoramento de passageiros.

A OMS informou que, até o momento, não recomenda restrições de viagem relacionadas ao caso.

Fontes: BBC News 
Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Porto Velho e Vitória

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