Fogo atinge área de vegetação às margens da AM-070; ocorrência mobiliza bombeiros em meio ao aumento dos focos de calor e à estiagem no Amazonas
Uma grande coluna de fumaça chamou a atenção de moradores de Manaus na tarde desta quarta-feira (30). O incêndio ocorre na região de Cacau Pirêra, em Iranduba, do outro lado do Rio Negro, e a fumaça pode ser observada de diferentes pontos da capital, incluindo a área da Manaus Moderna, no Centro.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) confirmou a ocorrência de incêndio em vegetação entre os quilômetros 3 e 4 da rodovia AM-070, conhecida como Manoel Urbano. A ocorrência está em andamento e as equipes foram deslocadas para o local. A informação mais recente do CBMAM aponta a atuação de 10 viaturas e 24 militares no combate às chamas.
Até o momento, não foram confirmadas oficialmente a extensão da área atingida, as causas do incêndio, a existência de vítimas ou possíveis danos a estruturas próximas.
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Fogo já havia atingido a região
O novo incêndio ocorre poucos dias depois de outros registros de fogo na região de Cacau Pirêra e às margens da AM-070.
No dia 23 de setembro, equipes do Corpo de Bombeiros combateram um incêndio de grandes proporções em uma área de vegetação de Iranduba. Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, aproximadamente 700 hectares foram atingidos naquela ocorrência.
Na ocasião, 15 viaturas e 35 bombeiros atuaram durante a noite e a madrugada. Foram utilizados mais de 150 mil litros de água, e as equipes permaneceram posteriormente na região para realizar o rescaldo e monitorar a área.
Em outro registro, no dia 25 de setembro, um incêndio no Cacau Pirêra avançou até as proximidades da AM-070 e provocou o deslocamento da fumaça em direção à Ponte Phelippe Daou. Na ocasião, houve suspeita de que o fogo pudesse ter sido provocado de forma criminosa, mas as circunstâncias do novo incêndio ainda não foram esclarecidas.
Aumento dos focos de calor
O incêndio ocorre em meio ao aumento dos focos de calor registrados no Amazonas.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o estado registrou 2.384 focos de calor entre 1º e 19 de setembro de 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 624 focos, uma alta de 282,1%.
A situação também tem reflexos na Região Metropolitana de Manaus. Segundo informações da Prefeitura da capital, episódios de fumaça registrados em setembro estiveram relacionados a ocorrências em municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru.
Em Itacoatiara, uma força-tarefa envolvendo órgãos municipais, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros foi mobilizada para combater incêndios na região do Rio Arari. Mais de 70 hectares de vegetação haviam sido atingidos nas áreas atendidas pelas equipes, com registros de fogo próximos a residências e áreas de plantio.
Fumaça também chega a Manaus
Mesmo quando os incêndios ocorrem longe da capital, a fumaça pode ser transportada pelos ventos e afetar a qualidade do ar em Manaus.
No dia 17 de setembro, a Prefeitura informou concentração média de 94,7 microgramas de partículas finas por metro cúbico, índice classificado como “muito ruim” para a qualidade do ar.
Em outro episódio, no dia 9 de setembro, a Defesa Civil de Manaus informou concentração de 87,6 microgramas de partículas finas por metro cúbico. Na ocasião, o órgão apontou que a fumaça era proveniente de áreas de queimadas no sul do Amazonas, norte de Mato Grosso e Rondônia e estava sendo transportada para a capital pela circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que a população redobre os cuidados durante períodos de fumaça e baixa qualidade do ar, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Estiagem aumenta risco de propagação
A redução das chuvas durante o período de estiagem deixa a vegetação mais seca e pode favorecer a propagação das chamas.
Após o incêndio de grandes proporções registrado em Iranduba na semana passada, o CBMAM alertou que, durante a estiagem, ocorrências aparentemente pequenas podem ganhar grandes proporções.
O Governo do Amazonas também mantém a Operação Amazonas + Verde, voltada à prevenção, ao monitoramento e ao combate aos incêndios florestais em municípios do estado.
Desde 9 de setembro, um decreto estadual proíbe o uso do fogo em todo o Amazonas pelo prazo de 120 dias, inclusive para atividades de limpeza, manejo agrossilvipastoril, renovação de áreas e eliminação de resíduos vegetais.
El Niño exige atenção para os próximos meses
Além da estiagem, os órgãos federais de monitoramento climático acompanham a evolução do El Niño 2026-2027.
O terceiro boletim do Painel El Niño, divulgado em setembro por órgãos como Inmet, Inpe, Cemaden, ANA, SGB, Sedec e Censipam, apontou mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte no trimestre de setembro a novembro. Os modelos também indicavam a permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.
Para a Amazônia Legal, a previsão para o período indicava chuvas abaixo da média em áreas do Amazonas e temperaturas acima da média. Segundo o Cemaden, essa combinação pode contribuir para o prolongamento da estação seca, reduzir a disponibilidade hídrica e aumentar o risco de incêndios florestais.
Diante desse cenário, órgãos de monitoramento reforçam a necessidade de acompanhamento das condições meteorológicas, hidrológicas e dos riscos associados ao fenômeno.
Estado mantém medidas de prevenção
O Governo do Amazonas decretou Estado de Emergência Climática e Ambiental em todo o território estadual, com medidas voltadas à prevenção e à preparação para impactos relacionados à estiagem, redução dos níveis dos rios, ondas de calor e incêndios florestais.
Entre as ações previstas estão o reforço do monitoramento pela Defesa Civil, a intensificação da fiscalização ambiental, o fortalecimento das ações do Corpo de Bombeiros e o acompanhamento dos efeitos da baixa qualidade do ar sobre a população.
Enquanto as equipes do Corpo de Bombeiros atuam no combate ao incêndio registrado nesta quarta-feira em Iranduba, a coluna de fumaça visível a partir de Manaus evidencia os efeitos que os incêndios em áreas de vegetação podem provocar também na Região Metropolitana.
Com a estiagem e as projeções climáticas para os próximos meses, o monitoramento e a prevenção de novos focos permanecem entre as medidas de atenção no Amazonas.
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Fontes: AM Post, Blog do Mario Adolfo, G1, CNN Brasil, Portal Marcos Santos e Radar Amazônico
Editado por Guilherme Pacheco e Tatiana Sobreira, da Jovem Pan News Vitória







