A Justiça condenou um morador de Jardim Camburi, em Vitória, a 12 anos e seis meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por cinco crimes de estelionato. Segundo a sentença, os golpes provocaram prejuízo de R$ 2,311 milhões a cinco vítimas.
Além da pena de prisão, a decisão determina o pagamento do valor como reparação mínima pelos danos, além de 700 dias-multa e das custas processuais. O juiz também manteve a prisão preventiva e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade.
De acordo com a sentença, os crimes ocorreram entre 2023 e 2025. As vítimas teriam sido atraídas por propostas de investimento relacionadas à compra e revenda de produtos da Apple, como iPhones, MacBooks e Apple Watches.
Os retornos prometidos variavam entre 6% e 12,5% em períodos curtos. Segundo a decisão, no início algumas pessoas receberam pagamentos, o que teria contribuído para aumentar a confiança e a realização de novos aportes.
Com o crescimento dos valores investidos, os pagamentos teriam sido interrompidos.
Investigação identificou R$ 115,6 milhões em movimentações
Um Relatório de Inteligência Financeira citado na sentença identificou R$ 115,6 milhões em movimentações nas contas do condenado entre agosto de 2022 e setembro de 2025.
Segundo a investigação, os recursos passaram por saques, transferências para terceiros e também por plataformas de apostas esportivas.
A sentença considerou que as movimentações financeiras faziam parte dos elementos utilizados para analisar a origem e o destino dos valores recebidos das vítimas.
Cinco vítimas tiveram prejuízos
A decisão reconheceu prejuízos que, somados, chegam a R$ 2,311 milhões.
Em um dos casos, o valor ultrapassou R$ 1,2 milhão. A sentença também considerou a forma como as vítimas teriam sido abordadas e a utilização de relações de amizade, convivência e vínculos profissionais para conquistar confiança.
Entre as provas analisadas estão comprovantes de transferências bancárias, conversas, atas notariais, boletins de ocorrência, depoimentos e o Relatório de Inteligência Financeira.
Defesa contesta condenação
Durante o processo, a defesa sustentou que as vítimas eram sócias ou parceiras em operações de compra e venda de produtos eletrônicos e que os problemas decorreram de dificuldades nas atividades comerciais.
O advogado Nelson Moreira Júnior também afirmou que existiam documentos que comprovariam pagamentos de lucros e alegou que o condenado e familiares teriam sofrido ameaças e extorsões.
Na sentença, porém, o magistrado rejeitou a interpretação de que o caso seria apenas um problema comercial e concluiu que as provas apontavam para fraude desde a captação dos recursos.
A defesa informou que pretende recorrer da decisão e contestou os fundamentos utilizados na condenação.
Condenado permanece preso
O homem já estava preso preventivamente. Em janeiro deste ano, policiais foram até a residência dele, em Jardim Camburi, para cumprir um mandado de prisão, mas encontraram apenas os pais, que informaram que ele havia se mudado para São Paulo.
Durante as buscas no imóvel, os policiais localizaram uma pistola.
Depois de permanecer foragido desde janeiro, ele se apresentou em março no Fórum Criminal de Vitória e foi preso.
A sentença determina que ele permaneça preso enquanto houver recurso. A condenação é de primeira instância e ainda está sujeita à análise das instâncias superiores.
Fonte: G1 Espírito Santo, A Gazeta e informações da sentença judicial.
Imagem IA
Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória







