No Outubro Rosa, especialista destaca a importância da reabilitação para recuperar movimentos, aliviar dores e melhorar a qualidade de vida das pacientes
O tratamento do câncer de mama pode deixar limitações físicas que afetam a rotina das pacientes mesmo após o fim das intervenções oncológicas. Dores, inchaço nos braços, dificuldades de movimentação e mudanças na imagem corporal estão entre os desafios que podem exigir acompanhamento especializado. Nesse processo, a fisioterapia contribui para a recuperação funcional e para a retomada das atividades do dia a dia.
No De Olho na Cidade da última quarta-feira (21), a jornalista Tatiana Sobreira recebeu Aline Alcoforado, mestre em fisioterapia, doutora em educação superior e pós-graduada em fisioterapia pélvica e acupuntura, para conversar sobre a importância da reabilitação após o tratamento do câncer de mama. A entrevista integrou a programação do Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a saúde da mulher e o câncer de mama.
Durante a conversa, a especialista explicou que a fisioterapia pode atuar em diferentes etapas do tratamento, com estratégias individualizadas para aliviar sintomas, recuperar movimentos e favorecer a autonomia das pacientes. Ela também ressaltou a importância de considerar os aspectos emocionais e sociais envolvidos na recuperação.
“Quem vai trazer vida a essa paciente é a fisioterapia”, afirmou a especialista.
Fisioterapia contribui para recuperar movimentos e autonomia
As consequências do tratamento do câncer de mama variam conforme o procedimento realizado e as necessidades de cada paciente. Cirurgias para retirada parcial ou total da mama, por exemplo, podem estar associadas a limitações nos movimentos dos ombros e dos braços, além de dores e dificuldades para realizar tarefas cotidianas.
Segundo Aline, o acompanhamento fisioterapêutico pode começar ainda durante o tratamento oncológico, conforme a avaliação da equipe de saúde. O objetivo é preparar o corpo para as intervenções, prevenir ou reduzir limitações e auxiliar na recuperação funcional.
“Se nós tivermos a possibilidade de estar em contato com essa paciente logo após o diagnóstico, a gente já consegue começar o envolvimento desse corpo para que ele responda melhor ao tratamento”, explicou.
A especialista destacou que atividades simples, como pentear o cabelo, levantar o braço ou realizar a higiene pessoal, podem se tornar difíceis para algumas mulheres após a cirurgia. Nesses casos, a fisioterapia trabalha a mobilidade, a força e a capacidade de realizar as atividades da vida diária.
A abordagem depende das condições de cada paciente e pode envolver exercícios, técnicas de respiração, eletroestimulação e outros recursos terapêuticos, de acordo com a avaliação profissional.
Dor e alterações físicas podem persistir após o tratamento
O fim da quimioterapia, da radioterapia ou das intervenções cirúrgicas nem sempre significa o desaparecimento imediato dos sintomas. Algumas mulheres continuam apresentando dor, rigidez e limitações de movimento durante a recuperação.
Aline explicou que a fisioterapia busca identificar as necessidades específicas de cada paciente e estabelecer estratégias para melhorar sua funcionalidade e qualidade de vida.
O acompanhamento também pode envolver outros profissionais, como médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. A atuação integrada é importante porque a recuperação não se limita aos aspectos físicos: o diagnóstico e as mudanças provocadas pelo tratamento também podem afetar o bem-estar emocional.
Durante a entrevista, Aline relatou o caso de uma paciente que passou um ano sem se olhar no espelho após o tratamento. Ao longo do acompanhamento, foram trabalhados aspectos como consciência corporal, respiração, força e mobilidade. Posteriormente, a paciente conseguiu voltar a se olhar e reconhecer a própria trajetória de recuperação.
“E quando ela se olha, ela se emociona. E aí ela começa a dizer o quanto ela é forte, o quanto ela ainda vai ganhar muito nesse mundo”, lembrou.
A história ilustra como as mudanças corporais podem afetar a relação da mulher consigo mesma e como o cuidado individualizado pode contribuir para a reconstrução da autonomia e da autoestima.
Reabilitação também envolve saúde emocional e imagem corporal
Além das limitações físicas, o câncer de mama pode provocar mudanças na percepção que a mulher tem do próprio corpo. Cirurgias para retirada parcial ou total da mama e procedimentos de reconstrução podem fazer parte de um processo delicado de adaptação.
Aline destacou que cada paciente reage de maneira diferente ao diagnóstico e ao tratamento. Enquanto algumas mulheres enfrentam a doença com a perspectiva da recuperação, outras podem vivenciar medo, sofrimento emocional e dificuldades para lidar com as mudanças corporais.
Nesse contexto, a fisioterapia pode contribuir para a retomada gradual dos movimentos e para o reconhecimento do próprio corpo. A especialista ressaltou, porém, a importância de uma abordagem multidisciplinar, com suporte psicológico e médico quando necessário.
A profissional também defendeu uma formação em saúde que valorize o vínculo com o paciente e a empatia no atendimento.
“Se envolva, sim, com os teus pacientes”, afirmou Aline ao recordar orientações que recebeu durante a graduação.
Para ela, o cuidado deve reunir conhecimento científico, experiência profissional e atenção às necessidades individuais de cada pessoa.
Outubro Rosa reforça a importância do autocuidado durante todo o ano
Ao final da entrevista, Aline deixou uma mensagem para as mulheres sobre a importância de observar as mudanças do próprio corpo e buscar ajuda diante de sintomas ou desconfortos persistentes.
Para a especialista, o cuidado com a saúde não deve ficar restrito ao Outubro Rosa ou a outras campanhas de conscientização. A atenção ao corpo e o acompanhamento profissional precisam fazer parte da rotina durante todo o ano.
“Meu desejo é que essa mulher se olhe como prioridade por todos os meses do ano”, afirmou.
Aline também orientou as mulheres a reconhecerem alterações e procurarem profissionais de saúde para receber avaliação e orientação adequadas. A observação do próprio corpo é importante, mas não substitui os exames de rastreamento recomendados nem a avaliação médica.
A entrevista completa com Aline Alcoforado foi ao ar na quarta-feira (21), no De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória.
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Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória






