O café conilon, a pimenta-do-reino e outros produtos do agronegócio capixaba mostram que a força econômica do Espírito Santo vai além das fronteiras estaduais. A capacidade de produção, a articulação comercial e a aproximação com compradores e investidores de diferentes mercados estiveram entre os temas abordados por Marcus Magalhães, empresário do setor cafeeiro há 40 anos, durante entrevista à jornalista Tatiana Sobreira, no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, nesta terça-feira (13).
Presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor da Fecomércio-ES, Magalhães também atua com consultoria de mercados e curadoria de eventos do agronegócio. Sua trajetória inclui a Feira Internacional do Café Conilon (FICC), em Jaguaré e São Mateus, e o Vitória Coffee Summit, realizado pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).
Durante a entrevista, ele destacou que os eventos funcionam como espaços de apresentação das potencialidades capixabas, aproximando produtores, empresas, especialistas e representantes do mercado. A proposta, segundo a perspectiva apresentada na conversa, é ampliar a visibilidade dos produtos do estado e criar oportunidades para além da comercialização do café.
Café conilon coloca o Espírito Santo em evidência
A importância do conilon para a economia capixaba também se reflete nos números da produção. Projeção divulgada pelo Centro do Comércio de Café de Vitória com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou uma colheita de 19 milhões de sacas de café no Espírito Santo em 2026, sendo aproximadamente 14,9 milhões de sacas de conilon. O volume projetado para essa variedade corresponde a cerca de 67% da produção nacional.
Para Magalhães, a discussão sobre o café precisa considerar toda a cadeia produtiva, desde o agricultor até a comercialização e a chegada do produto aos mercados consumidores. A competitividade envolve qualidade, informação, logística, análise de preços e capacidade de estabelecer relações comerciais.
Esse cenário também explica a importância de encontros que reúnem diferentes elos do setor. Além de apresentar a produção local, as feiras permitem discutir tendências, desafios e estratégias para ampliar a participação capixaba no comércio nacional e internacional.
Pimenta-do-reino reforça a diversificação do agronegócio
A entrevista também ampliou o olhar para produtos que nem sempre recebem a mesma atenção dedicada ao café. Entre eles está a pimenta-do-reino, cuja produção e comercialização têm forte presença no norte do Espírito Santo.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) mostram que as exportações capixabas de pimenta-do-reino alcançaram US$ 347,2 milhões em 2025, o equivalente a 10,8% das exportações do agronegócio estadual. O Espírito Santo respondeu por 69% das exportações brasileiras da especiaria naquele ano.
O resultado evidencia a dimensão de uma cadeia que envolve agricultores, beneficiadores, empresas exportadoras, trabalhadores e serviços ligados ao comércio exterior.
A pimenta-rosa também integra a diversidade produtiva capixaba. De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o estado se destaca nacionalmente na produção e exportação desse produto, obtido dos frutos da aroeira. A atividade envolve cultivo, extrativismo, beneficiamento e comercialização, além de aplicações nas indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos.
A diversificação reforça a importância de apresentar o conjunto da produção capixaba em ambientes de negócios. Ao reunir diferentes segmentos, as feiras do agronegócio podem contribuir para ampliar contatos comerciais, divulgar produtos e aproximar os produtores de novas oportunidades.
FICC em Jaguaré: conilon, qualidade e negócios
A primeira edição da Feira Internacional do Café Conilon (FICC) realizada em Jaguaré ocorreu entre 27 e 29 de novembro de 2025, no Parque de Exposições Alfeu Sossai. A programação reuniu expositores e participantes da cadeia produtiva, com atividades técnicas, concurso de qualidade, workshops, atrações culturais e iniciativas relacionadas ao agroturismo.
Segundo informações publicadas pelo setor, a feira recebeu entre 20 mil e 30 mil visitantes e contou com cerca de 80 expositores. A programação também incluiu o 4º Concurso de Qualidade do Café Conilon de Jaguaré, que avaliou 39 amostras.
A realização do evento em Jaguaré contribuiu para colocar em evidência a produção regional e criar um espaço de encontro entre produtores, empresas e profissionais ligados ao café. A programação também permitiu abordar questões como qualidade do grão, tecnologia de secagem e competitividade.
Vitória Coffee Summit aproxima o mercado capixaba de lideranças internacionais
Outra experiência de curadoria de Marcus Magalhães é o Vitória Coffee Summit, organizado pelo CCCV. Em 2026, o encontro ocorreu nos dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, em Vitória, integrando as comemorações dos 80 anos da entidade.
A programação reuniu representantes do mercado nacional e internacional para discutir temas como comportamento do consumidor, inteligência de mercado, sustentabilidade, tendências de oferta e demanda e oportunidades de exportação. O evento também promoveu debates sobre tecnologia e qualidade na produção do conilon.
A proposta do encontro é posicionar o Espírito Santo não apenas como origem produtora, mas também como participante das discussões que influenciam o mercado global. A proximidade entre áreas produtoras e estruturas portuárias foi um dos aspectos destacados na apresentação das oportunidades do estado.
A curadoria técnica, nesse contexto, envolve organizar os temas e os participantes de modo a conectar a realidade da produção às decisões comerciais, às tendências internacionais e às possibilidades de inovação.
Marcus Magalhães destacou ainda que a aproximação entre produtores capixabas e representantes do mercado internacional, incluindo embaixadores vindos da China, pode abrir caminho para uma nova etapa de articulação comercial: a ida de produtores locais ao país asiático ainda em 2026. A iniciativa representa uma possibilidade de ampliar contatos, identificar oportunidades de negócios e fortalecer a presença do café conilon capixaba no mercado chinês.
Durante a entrevista, Magalhães também ressaltou o potencial do conilon na expansão do consumo de café em novas modalidades, especialmente nas bebidas geladas e nos produtos à base de café solúvel. Segundo ele, a demanda chinesa por esse tipo de bebida pode abrir novas perspectivas para o produto capixaba.
“O café conilon é o futuro do café. Existe um mercado crescente para as bebidas geladas à base de café, e a China é um grande consumidor desse tipo de produto, especialmente daqueles feitos com café solúvel, que tem no conilon uma matéria-prima importante”, destacou.
FICC em São Mateus amplia a presença do evento no norte capixaba
A FICC voltou a ser realizada em 2026, desta vez em São Mateus, entre 8 e 10 de outubro, na área anexa ao Sesc. A programação foi concebida para reunir café conilon, tecnologia, agronegócio, turismo, gastronomia e conhecimento.
De acordo com a divulgação da Prefeitura de São Mateus, a feira previa 80 expositores, sendo 52 empreendimentos em espaços expositivos e 28 ligados a produtos e serviços gastronômicos. A organização também contou com apoio de instituições públicas e entidades representativas do setor.
A realização no município amplia a presença da feira no norte do estado e aproxima a programação de uma região importante para a cafeicultura capixaba. Além do setor cafeeiro, a proposta contempla atividades econômicas relacionadas a alimentação, hospedagem, comércio, serviços e turismo.
O potencial capixaba além do café
O balanço das experiências de Jaguaré, Vitória e São Mateus reforça a diversidade de caminhos para divulgar o agronegócio do Espírito Santo. O café conilon permanece como um dos produtos de maior relevância para o estado, enquanto a pimenta-do-reino e a pimenta-rosa mostram como outras cadeias também alcançam mercados externos.
Mais do que apresentar produtos, os eventos criam espaços para troca de conhecimento, relacionamento comercial e discussão sobre tecnologia, qualidade e competitividade. A continuidade dessas iniciativas pode contribuir para aproximar produtores e empresas de novas oportunidades e fortalecer a presença capixaba no cenário nacional e internacional.
As três experiências — a FICC em Jaguaré, o Vitória Coffee Summit e a FICC em São Mateus — apresentam formatos distintos, mas compartilham o objetivo de aproximar os agentes do mercado e ampliar a visibilidade da produção capixaba.
Representação sindical e fortalecimento da cadeia do café
Além da curadoria de eventos e da consultoria de mercados, Marcus Magalhães exerce a presidência do Sindicato dos Corretores de Café do Estado do Espírito Santo. Em março de 2026, a entidade reelegeu Magalhães para mais um mandato na gestão 2026–2030. A posse das diretorias do Sindicato dos Corretores de Café e do Sindicato do Comércio de Café em Geral e do Comércio Armazenador ocorreu em maio.
A atuação sindical envolve representar os interesses da categoria, promover o diálogo entre profissionais e instituições e acompanhar questões que afetam a atividade. No mercado cafeeiro, os corretores exercem uma função de intermediação entre produtores e compradores, incluindo exportadores, indústrias e comerciantes.
Magalhães também atua na Fecomércio-ES, entidade que representa segmentos do comércio de bens, serviços e turismo. Essa participação amplia o campo de discussão para temas como ambiente de negócios, competitividade, geração de oportunidades e integração entre os setores produtivos.
Ao reunir experiência no mercado, consultoria, curadoria e representação institucional, sua trajetória está ligada à articulação entre produção e comércio. A realização de feiras e encontros especializados integra esse esforço de aproximar o Espírito Santo de mercados, parceiros e oportunidades dentro e fora do Brasil.
Fonte: Entrevista concedida nos estúdios da Jovem Pan News Vitória e dados das assessorias dos eventos.
Por Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória







