O cheiro da panela de barro no fogo, o peixe fresco, o tomate, a cebola, o alho, o coentro e o azeite fazem parte de uma receita que ultrapassou as cozinhas capixabas e se tornou um dos principais símbolos culturais do Espírito Santo. Nesta quarta-feira (30), o Estado celebra o Dia da Moqueca Capixaba, data que valoriza uma tradição ligada à história, ao mar e ao trabalho de diferentes comunidades.

Em Vitória, a comemoração também ganha significado especial. A capital reúne pontos tradicionais ligados à gastronomia e à produção artesanal, como a Ilha das Caieiras, Goiabeiras e a Curva da Jurema, onde a relação entre a culinária e o território pode ser percebida em diferentes experiências.

A data integra o calendário oficial de Vitória desde 2012, por meio da Lei Municipal nº 8.213/2012. No Espírito Santo, o Dia Estadual da Moqueca foi instituído em 2013.

Uma receita que carrega história

A moqueca capixaba está relacionada a diferentes tradições que se desenvolveram ao longo da formação cultural do Espírito Santo. Registros históricos apontam para técnicas indígenas de preparo de alimentos que antecedem a receita conhecida atualmente.

Ao longo dos séculos, o prato passou por transformações e incorporou ingredientes e modos de preparo que ajudaram a formar a culinária capixaba.

Na versão tradicional, a moqueca é preparada sem dendê e sem leite de coco. O peixe é cozido com ingredientes como tomate, cebola, alho, coentro e azeite, preservando uma característica marcante da receita.

A Prefeitura de Vitória destaca que a história da moqueca está ligada também à pesca, aos manguezais e às comunidades que mantêm atividades tradicionais relacionadas ao mar.

Panela de barro é parte da tradição

Não é apenas o conteúdo da panela que conta a história. O próprio recipiente utilizado no preparo da moqueca é considerado parte fundamental da tradição capixaba.

As panelas de barro são produzidas artesanalmente pelas Paneleiras de Goiabeiras, em Vitória. O ofício envolve conhecimentos transmitidos entre gerações, desde a retirada e preparação da argila até a modelagem, secagem, acabamento e queima das peças.

O Ofício das Paneleiras de Goiabeiras foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil. O reconhecimento foi feito em 2002 e posteriormente revalidado

A técnica tradicional utiliza modelagem manual e queima a céu aberto. O acabamento escuro característico das panelas está relacionado ao uso de tanino extraído da casca do mangue-vermelho.

A produção artesanal, portanto, está diretamente ligada ao território de Vitória e ao conhecimento preservado pelas famílias de paneleiras.

Ilha das Caieiras reúne gastronomia e paisagem

Na Ilha das Caieiras, a moqueca se conecta diretamente à paisagem da cidade.

Localizada às margens do manguezal, a região mantém uma relação histórica com pescadores e marisqueiras e reúne restaurantes especializados em frutos do mar.

A experiência vai além da refeição. O visitante pode conhecer uma área tradicional da capital, observar o movimento dos barcos, caminhar pela orla e acompanhar o pôr do sol.

É justamente essa combinação entre gastronomia, território e paisagem que transforma a moqueca em uma experiência também turística.

Curva da Jurema também entra no roteiro

Outro ponto de Vitória associado à gastronomia e à paisagem é a Curva da Jurema.

Com o mar como cenário, a região reúne estabelecimentos que oferecem diferentes opções gastronômicas e permite combinar a experiência da culinária capixaba com a vista para a Baía de Vitória.

A presença da moqueca nesses espaços ajuda a reforçar a relação entre a gastronomia e o turismo na capital.

Tradição também movimenta uma cadeia de trabalho

Por trás de uma panela de moqueca existe uma cadeia que envolve diferentes profissionais.

Pescadores e marisqueiras participam da atividade ligada aos frutos do mar. As paneleiras preservam a produção artesanal das panelas. Restaurantes e cozinheiros transformam os ingredientes em pratos que chegam à mesa.

A própria Prefeitura de Vitória destaca que o ofício das paneleiras é predominantemente feminino e possui caráter familiar e comunitário, com conhecimentos transmitidos entre gerações.

A celebração do Dia da Moqueca, portanto, também coloca em evidência essas atividades e os trabalhadores responsáveis pela manutenção da tradição.

Pesquisa mostra variação nos preços dos ingredientes

Além do aspecto cultural, o Dia da Moqueca também é uma oportunidade para o consumidor ficar atento aos preços dos ingredientes.

Em setembro, o Procon Vitória realizou uma pesquisa em 17 estabelecimentos e comparou os valores de 21 produtos utilizados na preparação da receita.

Entre os pescados, o dourado apresentou variação de 51,01%, com preços entre R$ 29,80 e R$ 45. O cação teve diferença de 42,57%, enquanto o camarão-7-barbas apresentou variação de 37,25%.

Também foram encontradas diferenças expressivas entre produtos de hortifruti e mercearia. O sal, por exemplo, apresentou variação de 258,99%, com valores entre R$ 1,39 e R$ 4,99.

O levantamento ainda registrou oscilações em produtos como coentro, cebolinha, cebola, banana-da-terra, pimentão, farinha de mandioca e azeite.

Segundo o Procon, a pesquisa reforça a importância de comparar preços antes das compras, já que a diferença entre estabelecimentos pode representar economia para o consumidor.

Uma tradição que atravessa gerações

Mais do que uma receita, a moqueca capixaba reúne elementos da história e da identidade do Espírito Santo. A panela de barro, o pescado, os ingredientes, o trabalho das comunidades tradicionais e a relação com o mar fazem parte de uma mesma cadeia cultural.

Em Vitória, essa tradição pode ser encontrada tanto nas cozinhas quanto nos territórios onde ela continua sendo produzida e preservada.

No Dia da Moqueca Capixaba, celebrado em 30 de setembro, a receita ganha destaque justamente por representar uma parte da história do Estado que permanece presente na mesa e no cotidiano dos capixabas.

Fontes: Prefeitura de Vitória, Procon Vitória e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). (Prefeitura de Vitória)

Edição e foto: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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