O deputado estadual do Rio de Janeiro Valdecy da Saúde, conhecido como Val Ceasa (PRD), tornou-se alvo de uma nova fase da investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que apura uma suposta relação do parlamentar com integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo os investigadores, o deputado movimentou mais de R$ 13 milhões em transações imobiliárias, valor considerado incompatível com sua renda declarada.

A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) e resultou, nesta quinta-feira (18), no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Operação alcançou o Espírito Santo

As diligências não ficaram restritas ao território fluminense. De acordo com o Ministério Público, a operação também teve ramificações no Espírito Santo, onde parte dos mandados de busca e apreensão foi cumprida.

Até a publicação desta reportagem, as autoridades não divulgaram quais municípios capixabas foram alvo das buscas, tampouco informaram quem seriam os investigados no Estado. O MPRJ informou apenas que as diligências fazem parte da estratégia de aprofundamento das investigações sobre a movimentação financeira e patrimonial dos envolvidos.

Investigação aponta patrimônio incompatível

Segundo o Ministério Público, a análise financeira revelou que o deputado realizou negociações imobiliárias que somam aproximadamente R$ 13 milhões, volume considerado incompatível com seus rendimentos formais.

Os promotores investigam a existência de um possível esquema de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e utilização de transações imobiliárias para movimentar recursos de origem suspeita.

Além da movimentação financeira, os investigadores analisam documentos, contratos, registros bancários e informações fiscais que poderão indicar a origem dos recursos utilizados nas aquisições.

Suspeita de favorecimento ao crime organizado

As investigações também apuram se o parlamentar teria utilizado sua influência política para favorecer integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), uma das principais organizações criminosas em atuação no estado do Rio de Janeiro.

O Ministério Público não detalhou quais atos teriam sido praticados pelo deputado em benefício da facção, mas afirma que os elementos reunidos durante a investigação justificaram o cumprimento dos mandados autorizados pela Justiça.

Segundo o MPRJ, o objetivo desta fase da operação é reunir novas provas para esclarecer a relação entre a movimentação patrimonial do parlamentar e a atuação da organização criminosa.

Durante as buscas, equipes do Gaeco apreenderam celulares, computadores, documentos, contratos e mídias eletrônicas que passarão por perícia.

Todo o material será submetido à análise técnica para identificar possíveis ligações financeiras, comunicações entre investigados e eventuais movimentações relacionadas ao esquema investigado.

As autoridades também buscam identificar outros envolvidos que possam ter participado da ocultação de patrimônio ou do financiamento das atividades criminosas.

Parlamentar nega irregularidades

Por meio de sua defesa, o deputado Val Ceasa afirmou que desconhece qualquer irregularidade em suas atividades e declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Os advogados sustentam que todas as transações patrimoniais realizadas pelo parlamentar possuem respaldo legal e serão devidamente comprovadas durante o andamento das investigações.

Investigação segue em andamento

O Ministério Público ressaltou que esta fase da operação tem caráter investigativo e que não houve denúncia criminal nem condenação contra o parlamentar até o momento.

Com a análise dos equipamentos eletrônicos e documentos apreendidos, o Gaeco pretende verificar se existem elementos suficientes para o oferecimento de denúncia à Justiça ou para a ampliação das investigações sobre outros possíveis envolvidos.

Também não está descartada a realização de novas fases da operação caso surjam novos indícios durante a perícia do material recolhido.


Ramificação no Espírito Santo

Embora o foco da investigação esteja no Rio de Janeiro, a operação teve desdobramentos no Espírito Santo, reforçando a hipótese de que a movimentação patrimonial investigada possa envolver pessoas ou bens localizados fora do estado de origem da apuração.

O Ministério Público não informou quantos mandados foram cumpridos em território capixaba nem revelou detalhes sobre os alvos das diligências. As informações permanecem sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações.

Fonte e foto: O Globo, Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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