A União Europeia respondeu por 45% das compras de café brasileiro entre janeiro e setembro de 2026, consolidando a posição do bloco como um dos principais mercados para o produto nacional. No período, foram adquiridas 13 milhões de sacas, com receita de US$ 4,7 bilhões, crescimento de 3,5% em relação aos nove primeiros meses de 2025.

Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e foram divulgados em boletim estatístico mensal. Considerando os destinos por continente, a Europa também liderou as compras, com mais de 15 milhões de sacas brasileiras no período.

O desempenho europeu tem relevância para o Espírito Santo, um dos principais estados produtores de café do país e líder nacional na produção de conilon. O mercado internacional influencia a cadeia cafeeira capixaba, que reúne produtores rurais, cooperativas, exportadores, empresas de beneficiamento e indústrias de café solúvel.

Café movimenta mais de US$ 824 milhões nas exportações capixabas

No primeiro semestre de 2026, o complexo café foi o principal grupo de produtos exportado pelo agronegócio do Espírito Santo. O estado embarcou 174,8 mil toneladas, alta de 26,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 824,4 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 4,31 bilhões, crescimento de 6,7%.

Os cafés capixabas alcançaram 85 países entre janeiro e junho. Entre os principais destinos informados no levantamento estão Turquia, Colômbia e Estados Unidos.

Os números estaduais consideram o conjunto das exportações de café e não apenas as vendas destinadas à União Europeia. Por isso, o desempenho do mercado europeu para o produto brasileiro não deve ser interpretado como participação idêntica nas exportações do Espírito Santo.

Além do café verde, o estado participa do mercado internacional por meio do café solúvel, segmento industrial que agrega processamento à matéria-prima agrícola. No primeiro semestre de 2026, as exportações capixabas de café solúvel somaram US$ 93,2 milhões, queda de 18,3% na comparação anual, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura.

Novas exigências ambientais entram no radar dos exportadores

Além da demanda comercial, as regras ambientais europeias estão entre os fatores que exigem atenção da cadeia cafeeira brasileira. O Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, inclui o café entre as commodities abrangidas.

A aplicação das regras está prevista para começar em 30 de dezembro de 2026. A legislação estabelece que os produtos abrangidos colocados no mercado europeu devem ser livres de desmatamento e produzidos de acordo com a legislação pertinente do país de origem.

Na prática, empresas responsáveis pela entrada desses produtos no mercado europeu precisam cumprir procedimentos de diligência devida e demonstrar a conformidade das mercadorias. Informações sobre a localização das áreas de produção podem ser solicitadas aos fornecedores de países exportadores para atender às exigências de rastreabilidade.

O regulamento também passou por alterações e simplificações em 2026. Por isso, empresas e produtores precisam acompanhar as regras atualizadas, os produtos abrangidos e os prazos aplicáveis a cada categoria de operador.

Para os cafeicultores capixabas, a preparação para atender às exigências pode envolver organização de documentos, identificação das propriedades e das áreas de cultivo e compartilhamento de informações com cooperativas, exportadores e compradores internacionais.

As obrigações legais variam conforme a função de cada participante da cadeia. Produtores brasileiros que não colocam diretamente os produtos no mercado europeu não assumem automaticamente todas as obrigações atribuídas aos operadores europeus, mas podem precisar fornecer dados para que os compradores cumpram a legislação.

Mercado europeu combina oportunidade comercial e exigências de conformidade

O crescimento das compras europeias nos nove primeiros meses de 2026 reforça a importância desse mercado para o café brasileiro. Para o Espírito Santo, a demanda internacional representa uma oportunidade para a produção agrícola e para os segmentos industriais ligados ao produto.

Ao mesmo tempo, o acesso ao mercado depende de fatores que vão além do volume produzido, como qualidade, preços, logística, rastreabilidade e cumprimento das normas aplicáveis.

A combinação entre desempenho comercial e preparação para as regras ambientais coloca a organização da cadeia produtiva no centro das discussões sobre a competitividade do café brasileiro no exterior.

Fontes e foto: Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé); Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag); Comissão Europeia; ES Brasil.

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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