A história da atleta paralímpica Luiza Fiorese, natural de Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana do Espírito Santo, mostra uma trajetória marcada por desafios, mudanças e conquistas dentro e fora das quadras. Medalhista nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 e campeã mundial de vôlei sentado, ela decidiu amputar a perna esquerda depois de passar por 12 cirurgias desde a adolescência.

A trajetória foi destaque em um especial publicado pelo g1 Espírito Santo, em 9 de outubro, que apresenta diferentes aspectos da vida da atleta: a experiência com o câncer, a carreira esportiva, a decisão pela amputação e os planos para o futuro. Fora das quadras, Luiza também é conhecida no município onde nasceu por ter sido eleita rainha da 38ª Festa da Polenta, em 2016.

Diagnóstico na adolescência mudou os planos da atleta

Aos 15 anos, Luiza recebeu o diagnóstico de osteossarcoma, um tipo de câncer que atinge os ossos. O tumor estava localizado no fêmur esquerdo, e o tratamento exigiu a substituição de parte do osso por uma endoprótese. Na época, ela praticava handebol, mas precisou interromper a atividade esportiva.

Anos depois, uma oportunidade abriu caminho para uma nova modalidade. Em 2018, uma jogadora da Seleção Brasileira de vôlei sentado conheceu a história de Luiza e a convidou para experimentar o esporte. Em março de 2019, a capixaba aceitou o convite e iniciou uma trajetória que a levaria à seleção brasileira.

Entre os principais resultados estão a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2021, e o título mundial conquistado na Bósnia, em 2022. As conquistas colocaram a atleta entre os nomes brasileiros de destaque no vôlei sentado.

Amputação marca uma nova fase

A decisão de amputar a perna veio depois de novas complicações relacionadas à endoprótese. Em 2026, durante a preparação para mais uma intervenção, um espaçador colocado no local se quebrou, provocando dores e dificuldades. Diante do quadro, Luiza precisou avaliar com a equipe médica as alternativas para o futuro.

Uma possibilidade era colocar uma nova endoprótese, que poderia exigir outra substituição anos depois. A outra era realizar a amputação. Depois de conversar com familiares, amigos, médicos e o noivo, a atleta optou pela cirurgia.

Em relato ao g1, Luiza explicou que não deseja romantizar a amputação, mas considera que a decisão trouxe mais liberdade para realizar atividades cotidianas.

Espírito Santo tem outros nomes de destaque no esporte paralímpico

A história de Luiza faz parte de um cenário mais amplo. O Espírito Santo tem atletas com resultados expressivos em competições internacionais, especialmente na natação e no atletismo.

Nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, atletas nascidos no Estado ou que representavam o Espírito Santo conquistaram medalhas e ampliaram a presença capixaba no esporte de alto rendimento. Entre os nomes de destaque estão:

  • Patrícia Pereira — natação: criada em Cariacica, conquistou prata nos 50 metros peito e bronze no revezamento 4×50 metros livre misto em Paris 2024. A nadadora também havia conquistado medalhas nos Jogos do Rio, em 2016, e de Tóquio, em 2021. Segundo o Governo do Estado, ela chegou a quatro medalhas paralímpicas após a edição de Paris.
  • Mariana Gesteira — natação: atleta que se mudou para o Espírito Santo em 2020 para treinar no Clube Álvares Cabral. Conquistou bronze nos 100 metros livre em Tóquio e duas medalhas de bronze em Paris 2024, nos 100 metros livre e nos 100 metros costas.
  • Daniel Mendes — atletismo: natural de Nova Venécia, tem medalhas paralímpicas conquistadas em Londres 2012 e no Rio 2016, incluindo ouro no revezamento 4×100 metros masculino.
  • Lorraine Gomes — atletismo: nascida em Vitória, representou o Brasil em Paris 2024 e conquistou medalhas nos 100 e 200 metros no Parapan-Americano de Santiago, em 2023.
  • Marcos Vinícius de Oliveira — atletismo: natural de Jaguaré, participou dos Jogos de Paris 2024 após resultados expressivos em competições nacionais e no Parapan-Americano.
  • Bruno Kiefer — tiro esportivo: nascido em Vitória, chegou a Paris 2024 após conquistar medalhas em competições internacionais, incluindo o Mundial de Lima, em 2023.

Os resultados de Patrícia Pereira, Mariana Gesteira e Daniel Mendes foram destacados pelo Governo do Espírito Santo após os Jogos de Paris. A participação capixaba também contou com outros atletas e integrantes das equipes técnicas.

Novas gerações também conquistam espaço

O desenvolvimento do esporte paralímpico no Estado também aparece nas competições de base. Em 2025, a delegação capixaba encerrou as Paralimpíadas Escolares com 119 medalhas — 56 de ouro, 42 de prata e 21 de bronze — e 17 recordes. A equipe reuniu 54 estudantes-atletas em modalidades como atletismo, natação, halterofilismo, bocha, vôlei sentado, judô e tênis de mesa.

Entre os destaques esteve Rayssa Rocha, de Cariacica, que se tornou a primeira atleta do Espírito Santo a conquistar uma medalha no halterofilismo das Paralimpíadas Escolares, com ouro.

As histórias de Luiza Fiorese e de outros atletas mostram diferentes caminhos dentro do esporte paralímpico: do retorno à atividade depois de um tratamento de saúde às conquistas em pódios internacionais e à formação de novos talentos. No caso de Luiza, a próxima etapa envolve a reabilitação e a adaptação à nova rotina, sem apagar as conquistas que já fazem parte de sua carreira.

Fontes e foto: g1 Espírito Santo, Comitê Paralímpico Brasileiro, Governo do Espírito Santo e Secretaria de Esportes e Lazer do Espírito Santo.

Por Tatiana Sobreira, Redação Jovem Pan News Vitória

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