Em entrevista à Jovem Pan News Vitória, Vinícius Pereira, da Sicredi Serrana, destaca a importância do planejamento financeiro e da proteção cambial para empresas que atuam no mercado interno e internacional.

A oscilação do dólar pode afetar os custos, a rentabilidade e a capacidade de planejamento das empresas, especialmente daquelas que importam ou exportam mercadorias. Para reduzir esses riscos, a gestão cambial deve fazer parte do planejamento financeiro dos negócios, independentemente do porte da empresa.

Em entrevista ao De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Vitória, nesta quarta-feira (07), Vinícius Pereira, assessor de câmbio e comércio exterior da Sicredi Serrana, explicou como a proteção cambial pode ajudar empresários a preservar suas margens e ter mais previsibilidade nas operações.

“Quando temos uma variável que não está sob nosso controle, precisamos buscar uma proteção em relação a isso.”

Com 20 anos de experiência no mercado e formação em comércio exterior, Pereira destacou que a gestão cambial não deve ser vista como uma preocupação exclusiva de grandes empresas. Para ele, conhecer os custos, as margens e o fluxo de caixa é fundamental para que a variação da moeda não comprometa os resultados do negócio.

Gestão cambial não é apenas para grandes empresas

Um dos equívocos mais comuns, segundo o especialista, é acreditar que a gestão cambial só é necessária para empresas de grande porte ou que mantêm operações frequentes com o exterior.

Pereira explicou que as oscilações internacionais podem repercutir em diferentes etapas da cadeia produtiva, influenciando custos de transporte, seguros e mercadorias. Dessa forma, mesmo negócios que não importam ou exportam diretamente podem sentir os efeitos dessas mudanças.

Ele citou como exemplo o transporte marítimo: quando uma embarcação precisa percorrer uma rota mais longa, os custos com combustível e seguro podem aumentar, elevando o preço final dos produtos.

“Mesmo para pequenas e médias empresas, essa gestão é muito válida, porque qualquer diferença na cotação do câmbio pode diminuir as margens, reduzir os ganhos ou até mesmo tornar a operação completamente inviável.”

Na avaliação do assessor, compreender esses impactos permite que o empresário se prepare para variações de custos e tome decisões com base no planejamento financeiro, em vez de depender das condições do mercado no momento em que precisa realizar uma operação.

Como proteger a operação contra a variação do dólar

Para Pereira, a gestão cambial começa pelo conhecimento do próprio negócio. Antes de buscar proteção contra as oscilações da moeda, a empresa precisa entender seu fluxo operacional, sua margem de lucro, sua rentabilidade e os compromissos financeiros que terá de cumprir.

A partir desse diagnóstico, é possível avaliar alternativas de proteção cambial, como a contratação de operações que permitam fixar previamente uma taxa de câmbio para determinado compromisso, conforme as condições e os instrumentos disponíveis no mercado.

O objetivo é reduzir a exposição às oscilações e dar mais previsibilidade aos resultados.

“O dólar nunca vai ser uma aposta. É uma variável que não controlamos. Precisamos entender qual é o nosso fluxo operacional, qual é a nossa margem e qual é a nossa rentabilidade.”

O especialista ressaltou que uma empresa não deve depender da expectativa de que o dólar estará mais alto ou mais baixo em uma data futura para conseguir cumprir seus compromissos.

“Quando você já sabe do que necessita, pode travar o dólar e garantir a sua operação. Com a variação cambial, você pode ganhar, mas também pode perder.”

A escolha da estratégia, no entanto, depende das características de cada operação. Por isso, a avaliação dos prazos, dos valores envolvidos e das necessidades financeiras da empresa é importante antes de contratar uma solução cambial.

Oscilações podem afetar importadores e exportadores de maneiras diferentes

Os efeitos da variação do dólar não são iguais para todas as empresas. Enquanto a valorização da moeda estrangeira pode aumentar os custos de quem precisa importar produtos ou insumos, os resultados para exportadores dependem de fatores como despesas, receitas, contratos e compromissos assumidos em diferentes moedas.

Durante a entrevista, Pereira destacou a presença de setores capixabas, como o café e a pimenta-do-reino, no comércio internacional. Segundo ele, a gestão cambial ajuda as empresas a se prepararem para as mudanças do mercado e a protegerem as margens planejadas.

O especialista também explicou que os efeitos das oscilações econômicas podem demorar a chegar ao consumidor final. Isso significa que mudanças favoráveis em determinados indicadores não se refletem necessariamente de forma imediata nos preços dos produtos.

Além disso, as decisões de investimento, os juros e as expectativas econômicas podem influenciar os movimentos do câmbio. Por isso, acompanhar o cenário é importante, mas não substitui o planejamento da empresa.

Planejamento é essencial para quem deseja exportar

Empresas que pretendem ampliar suas atividades para o mercado internacional precisam considerar mais do que a cotação do dólar. A operação envolve prazos, logística, transporte, disponibilidade de contêineres, seguro da carga e condições comerciais do país de destino.

Pereira recomendou que os empresários conheçam essas etapas antes de iniciar a internacionalização de suas marcas. Um atraso na entrega, por exemplo, pode comprometer o cumprimento de contratos e gerar custos adicionais.

“É importante que você tenha o controle do seu fluxo para não ficar prejudicado e deixar de entregar, por exemplo, na data combinada.”

O assessor também orientou que as empresas avaliem a confiabilidade dos parceiros comerciais e os riscos relacionados ao destino da mercadoria. Entre os fatores a considerar estão a situação econômica do país, a idoneidade da empresa compradora e a existência de zonas de conflito que possam aumentar os riscos da operação.

Para ele, a preparação ajuda a evitar que o empresário fique exposto simultaneamente às oscilações cambiais e a problemas operacionais que poderiam ter sido identificados antecipadamente.

Espírito Santo tem oportunidades no comércio exterior

Na entrevista, Pereira também comentou as perspectivas para o Espírito Santo diante dos investimentos e dos projetos de expansão da infraestrutura logística, incluindo iniciativas relacionadas à malha ferroviária e aos portos.

Na avaliação do especialista, essas condições podem favorecer a atividade econômica e abrir espaço para novos negócios ligados direta ou indiretamente ao comércio exterior.

Ele destacou ainda a competitividade de produtos brasileiros no mercado internacional, especialmente os ligados ao agronegócio, e a presença de mercadorias capixabas que já possuem espaço consolidado em outros países.

O aproveitamento dessas oportunidades, porém, depende de planejamento e preparo financeiro. Para o assessor, empresas que desejam crescer precisam conhecer suas condições operacionais e avaliar os riscos antes de ampliar os negócios.

Consultoria ajuda a escolher a estratégia adequada

Outro ponto abordado foi a importância da orientação especializada para empresas e pessoas que precisam lidar com operações financeiras relacionadas ao câmbio.

Pereira explicou que a escolha de uma solução deve considerar o perfil do cliente, os objetivos financeiros e as características de cada operação. Segundo ele, existem alternativas diferentes no mercado, e a avaliação deve levar em conta quais delas fazem sentido para cada necessidade.

“O ideal é casar todas as expectativas e ter tudo muito bem desenhado, para que a operação saia com segurança e você tenha todo o horizonte bem definido.”

O especialista também destacou que a transparência na apresentação das condições e das alternativas disponíveis ajuda o cliente a compreender o funcionamento da operação e a tomar decisões mais conscientes.

Três orientações para empresas expostas ao dólar

Ao final da entrevista, Vinícius Pereira resumiu os principais cuidados que recomenda às empresas capixabas que atuam ou pretendem atuar no mercado internacional.

O primeiro é não tratar o dólar como uma aposta. Em vez de tentar prever os movimentos da moeda, o empresário deve avaliar mecanismos de proteção compatíveis com suas necessidades.

O segundo é conhecer o próprio negócio, incluindo o fluxo de caixa, as margens, os prazos e os compromissos financeiros. Esse controle permite avaliar a capacidade da empresa de cumprir contratos e absorver possíveis custos adicionais.

O terceiro é conhecer a operação internacional e os parceiros comerciais. A análise deve incluir a confiabilidade das empresas envolvidas, as condições do país de destino, a logística e os prazos de transporte e entrega.

Para Pereira, o comércio exterior oferece oportunidades, mas exige atenção aos diferentes fatores que podem influenciar o resultado financeiro.

“O câmbio é um mar, literalmente um mar de oportunidades. E, nesse mar de oportunidades, você tem que ficar atento.”

A entrevista completa com Vinícius Pereira, assessor de câmbio e comércio exterior da Sicredi Serrana, está disponível nos canais da Jovem Pan News Vitória. Confira a entrevista completa clicando aqui.

Por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória.

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