A disputa pelas dez cadeiras do Espírito Santo na Câmara dos Deputados ocorre em um cenário de reorganização partidária, mudanças no quadro de candidaturas e participação de lideranças estaduais na corrida eleitoral. Entre elas está o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), que concorre a uma vaga em Brasília após seis mandatos como deputado estadual.

Sua trajetória eleitoral, a experiência à frente do Legislativo capixaba e a participação na Federação União Progressista são elementos que ajudam a contextualizar a candidatura.

Os números da última eleição oferecem um primeiro parâmetro. Em 2022, Marcelo Santos foi reeleito deputado estadual com 41.627 votos. Sua votação ficou a menos de 12 mil votos da obtida individualmente por cinco dos dez deputados federais eleitos pelo Espírito Santo naquele ano.

Embora as eleições para deputado estadual e federal tenham dinâmicas distintas, a comparação permite dimensionar o desempenho eleitoral anterior de Marcelo, sem estabelecer uma equivalência direta entre os dois pleitos.

Outro elemento a ser considerado é a mudança na composição da disputa. Entre os parlamentares apontados como ausentes da corrida pela Câmara está Helder Salomão, que possui uma trajetória política ligada a Cariacica, município que também integra a base eleitoral de Marcelo Santos. Na eleição anterior, Helder foi o deputado federal mais votado do Espírito Santo, com 120.337 votos.

A eventual ausência de candidaturas com votação expressiva modifica o quadro eleitoral anterior, embora não permita determinar como os votos serão redistribuídos entre os concorrentes.

Há, ainda, diferenças entre os dois pleitos. A eleição para deputado federal costuma reunir um número menor de candidaturas do que a disputa estadual, circunstância que interfere na concorrência e nas estratégias de mobilização eleitoral.

Além dos números eleitorais, Marcelo Santos apresenta sua atuação na presidência da Assembleia Legislativa como uma das principais credenciais de sua candidatura à Câmara dos Deputados.

Durante sua gestão, adotou um modelo administrativo pautado pela transparência, pelo diálogo institucional e pela articulação política. A aproximação do Legislativo com o Governo do Estado, os municípios, o setor produtivo, representantes empresariais, organizações da sociedade civil e lideranças religiosas também passou a integrar a agenda da instituição.

Entre os resultados registrados durante sua presidência está a conquista, em 2024 e 2025, do Selo Diamante do Programa Nacional de Transparência Pública. A gestão também foi marcada pelo desenvolvimento de iniciativas como o projeto Arranjos Produtivos, com atuação em 36 municípios, o Guardiões da Infância, a Escola de Formação Política para Jovens e ações destinadas ao fortalecimento e à integração do Legislativo capixaba.

No campo político, Marcelo acumula a experiência de seis mandatos e de uma presidência marcada pela interlocução com parlamentares de diferentes orientações partidárias. Sua eleição por unanimidade para o comando da Assembleia também integra sua trajetória institucional.

Esse histórico compõe o conjunto de credenciais que o deputado apresenta ao eleitorado na tentativa de transferir sua atuação estadual para a representação do Espírito Santo no Congresso Nacional.

A disputa interna na União Progressista

A composição da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, acrescenta outra dimensão à análise da eleição federal no Espírito Santo. Movimento forte.

Além de Marcelo Santos, figuram entre os nomes mencionados na disputa pela Câmara dos Deputados Da Vitória, Bruno Resende e Messias Donato. A presença dessas candidaturas evidencia a concorrência interna pelos votos, além da disputa da federação com outras forças partidárias.

Interlocutores do meio político trabalham com a hipótese de que a federação conquiste três cadeiras, tendo esses quatro nomes entre seus principais candidatos.

A distribuição das vagas dependerá da votação individual dos candidatos, do desempenho coletivo da federação e das regras do sistema proporcional. Nesse cenário, a disputa reúne tanto a concorrência entre diferentes forças partidárias quanto a busca por votos entre candidatos que integram uma mesma composição política.

Entre outros nomes que ganham destaque na disputa pelas 10 vagas do Espírito Santo na Câmara dos Deputados estão, pelo PSB, Thyago Hoffmann, Emanuela Pedrosa e Vitor de Ângelo. Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, estão João Coser, Iriny Lopes e Jack Rocha. Republicanos, PL e Podemos também participam com destaque para os nomes como Erick Musso, Coronel Ramalho, Lucas Polese, Gilson Daniel e Serginho Vidigal.

A distribuição das vagas dependerá da votação individual dos candidatos e do desempenho coletivo de cada partido ou federação.

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