Fenômeno pode afetar produção agrícola, abastecimento de água e geração de energia; efeitos no Espírito Santo podem se estender até abril de 2027

O avanço do El Niño 2026/2027 pode aumentar a pressão sobre diferentes setores da economia do Espírito Santo e gerar reflexos para os consumidores. Entre os principais efeitos projetados estão temperaturas acima da média, agravamento das condições de seca, redução da disponibilidade de água e maior risco de incêndios florestais.

Segundo o Governo do Espírito Santo, os efeitos do fenômeno no Estado podem se tornar mais evidentes a partir da segunda quinzena de agosto e se estender até abril de 2027. O cenário é acompanhado pelo Centro Integrado de Comando e Controle para o Enfrentamento dos Impactos do El Niño 2026/2027.

Seca pode afetar produção e abastecimento

A redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem diminuir a disponibilidade de água para diferentes usos, além de elevar a demanda por irrigação na agricultura. O cenário também pode afetar rios, córregos e reservatórios, aumentando a pressão sobre os sistemas de abastecimento.

Dados do monitoramento estadual já apontaram avanço das condições de seca no Espírito Santo durante 2026. Em julho, todo o território capixaba passou da classificação de seca fraca para seca moderada, segundo informações do Monitor de Secas e do acompanhamento do Centro Integrado de Comando e Controle.

A Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH) também mantém o acompanhamento das condições hidrometeorológicas e da disponibilidade hídrica no Estado durante o período seco.

Agricultura pode sentir os efeitos

A agricultura está entre as atividades mais expostas à irregularidade das chuvas. Períodos prolongados de estiagem podem reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar os custos de irrigação.

No Espírito Santo, culturas como café e frutas podem ser afetadas caso o período seco se prolongue. Ao mesmo tempo, chuvas intensas concentradas em períodos curtos podem provocar danos às plantações, dificultar a colheita e prejudicar o transporte da produção.

A combinação desses fatores pode elevar os custos ao longo da cadeia produtiva. Uma eventual redução da oferta, somada a gastos maiores com irrigação, energia, transporte e recuperação das lavouras, pode pressionar os preços dos alimentos.

Impactos podem chegar à energia

A disponibilidade de água também interfere na geração de energia elétrica. Em um cenário de menor disponibilidade hídrica, pode haver maior necessidade de utilização de outras fontes de geração, o que pode aumentar os custos do sistema.

O setor elétrico também se prepara para o período de maior calor e para possíveis eventos climáticos associados ao fenômeno. A EDP, por exemplo, antecipou o Plano Verão 2026/2027, com medidas de monitoramento, prevenção e reforço da estrutura operacional no Espírito Santo.

Estiagem não elimina risco de chuva forte

O cenário de seca não significa ausência completa de chuva. A distribuição irregular das precipitações pode fazer com que períodos prolongados de tempo seco sejam intercalados com episódios de chuva intensa.

Em áreas que enfrentam estiagem, o solo pode apresentar menor capacidade de absorção de grandes volumes de água. Com isso, chuvas concentradas em pouco tempo podem aumentar o risco de alagamentos e enxurradas. Em áreas de encosta, também pode haver preocupação com a instabilidade do terreno.

O próprio acompanhamento estadual considera diferentes tipos de impactos associados ao fenômeno, incluindo as condições meteorológicas, hídricas e ambientais.

Maior risco de incêndios

O aumento das temperaturas, a baixa umidade e a redução das chuvas também podem favorecer a ocorrência e a propagação de incêndios em áreas de vegetação.

Entre os impactos projetados oficialmente para o Espírito Santo estão justamente o aumento do potencial para incêndios florestais e o agravamento gradual das condições de seca.

A fumaça provocada por queimadas pode ainda prejudicar a qualidade do ar, ampliando os impactos sobre a população.

Governo acompanha cenário

Para acompanhar os possíveis efeitos do El Niño, o Governo do Espírito Santo criou, em julho de 2026, o Centro Integrado de Comando e Controle para o Enfrentamento dos Impactos do Fenômeno El Niño 2026/2027.

A estrutura reúne ações de monitoramento, preparação, mitigação, resposta e recuperação diante dos impactos do fenômeno. O Estado também mantém boletins meteorológicos e informações específicas sobre o El Niño para orientar a população.

Na área da saúde, a Secretaria de Estado da Saúde criou uma Sala de Situação do El Niño, com medidas de preparação, monitoramento e resposta aos possíveis impactos do fenômeno no ciclo 2026–2027.

A população pode receber gratuitamente alertas da Defesa Civil Nacional por SMS. Para se cadastrar, é necessário enviar o CEP da localidade para o número 40199. O Governo do Espírito Santo também disponibiliza informações e boletins sobre a evolução do fenômeno.

–

Fontes: ES Brasil, Revista Conexão e Sim Notícias
Editado por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

Autor