Vitória avançou nesta semana em uma etapa técnica do estudo que vai ajudar a cidade a se preparar para os impactos das mudanças climáticas. Equipes de diferentes secretarias municipais e da Defesa Civil estão analisando mapas de vulnerabilidade e risco para identificar áreas que podem demandar maior atenção diante de eventos extremos.

Entre os pontos observados está a exposição a ondas de calor. Durante uma das análises, os técnicos identificaram preliminarmente uma área considerada vulnerável na qual estão instalados uma escola e um equipamento destinado ao atendimento de idosos.

A situação ajuda a demonstrar como o planejamento climático precisa considerar não apenas onde existe uma ameaça, mas também quem está exposto, quais serviços funcionam no local e quais estruturas podem ser afetadas.

Mapas passam por avaliação técnica

As reuniões começaram na terça-feira (22), no Observatório da Secretaria de Gestão e Planejamento (Seges), em Bento Ferreira. O objetivo desta fase é avaliar os mapas elaborados inicialmente para o Estudo de Vulnerabilidades e Riscos Climáticos.

Durante os encontros, os profissionais confrontam os dados apresentados nos mapas com o conhecimento que possuem sobre o território de Vitória. A análise pode apontar a necessidade de correções, complementações ou novos levantamentos antes da utilização dos resultados para definir prioridades de adaptação.

A programação começou com a análise de riscos relacionados a inundações e alagamentos. No período da tarde, o foco passou para ondas de calor e de frio.

Foi durante a discussão sobre o calor que apareceu a sobreposição entre uma área vulnerável e equipamentos utilizados por públicos que podem demandar atenção específica, como estudantes e idosos.

A identificação ainda será analisada pelas equipes responsáveis pelo estudo e não representa, neste momento, a definição de medidas específicas para aquela área.

Diferentes riscos serão avaliados

A metodologia adotada pela Prefeitura prevê reuniões específicas para diferentes ameaças climáticas. A divisão permite que os profissionais observem as características de cada fenômeno e suas possíveis consequências sobre a população, a infraestrutura e os serviços públicos.

Na quarta-feira (23), foram avaliados os mapas relacionados a deslizamentos e movimentos de massa e a incêndios florestais.

A programação continua em outubro. No dia 6, serão discutidos os riscos relacionados a secas e estiagem, às 9h30, e arboviroses, às 14h30. Já no dia 7, às 9h30, a pauta será ventos intensos e eventos costeiros.

As reuniões contam com representantes das áreas técnicas envolvidas na construção do estudo.

Calor extremo exige olhar para a população exposta

A análise das ondas de calor mostra uma diferença importante em relação a outros riscos climáticos.

Em uma inundação, por exemplo, é possível observar áreas sujeitas à elevação da água, vias atingidas, edificações e equipamentos públicos. No caso do calor extremo, além da localização geográfica, é necessário considerar as características da população exposta e as condições dos espaços onde essas pessoas vivem, estudam, trabalham ou recebem atendimento.

A presença de uma escola ou de um equipamento voltado ao atendimento de idosos em uma área identificada como vulnerável, portanto, acrescenta informações relevantes ao diagnóstico.

A partir desse cruzamento de dados, os técnicos podem aprofundar a avaliação sobre a exposição e a capacidade de resposta da cidade diante de diferentes cenários climáticos.

Estudo vai subsidiar plano de adaptação

O Estudo de Vulnerabilidades e Riscos Climáticos integra o trabalho desenvolvido pela Prefeitura de Vitória para elaborar um Plano Municipal de Adaptação às Mudanças Climáticas.

A iniciativa está relacionada ao contrato de governança climática firmado pelo município em outubro de 2025. O trabalho é coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e pela Defesa Civil e inclui a elaboração do Plano de Adaptação a Eventos Climáticos Extremos.

O contrato com a empresa I Care Estratégia Ambiental Ltda. conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Nesta fase, os mapas são submetidos à avaliação dos profissionais que atuam diretamente nas diferentes áreas da administração municipal. A intenção é verificar se os resultados representam adequadamente as condições observadas no território e identificar pontos que precisam de aprofundamento.

Comitê integra diferentes áreas da Prefeitura

O trabalho também está inserido nas ações do Comitê Gestor de Governança Climática, criado em 2025 para articular diferentes setores da Prefeitura e acompanhar a elaboração do plano de adaptação.

A proposta é incorporar a questão climática ao planejamento das políticas públicas municipais, considerando os riscos identificados e a capacidade de resposta do município.

Em agosto de 2026, o Comitê Gestor de Governança Climática de Vitória conquistou o primeiro lugar no Seminário Estadual de Boas Práticas para as Defesas Civis, com uma proposta reconhecida pela eficiência, pelo baixo custo de implementação e pela possibilidade de aplicação em outros municípios.

O estudo em andamento representa uma etapa anterior à definição das ações. A partir da consolidação dos mapas e das avaliações técnicas, o município deverá reunir informações para estabelecer prioridades e orientar medidas de adaptação aos diferentes eventos extremos.

A previsão é que o diagnóstico contribua para um plano baseado nas características do território de Vitória e nas condições das pessoas e dos serviços que podem ser afetados pelos efeitos das mudanças climáticas.

Fonte: Prefeitura de Vitória.

Imagem ilustrativa feita por IA

Edição: Tatiana Sobreira, redação Jovem Pan News Vitória

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