CNI estima que país deveria investir cerca de R$ 550 bilhões por ano para reduzir déficit histórico e alcançar padrões internacionais
O Brasil precisa mais que dobrar os investimentos em infraestrutura para reduzir o déficit histórico do setor e se aproximar dos padrões internacionais. A conclusão faz parte de um estudo divulgado nesta terça-feira (15) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o levantamento, o país investiu R$ 266,8 bilhões em infraestrutura em 2024, o equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Para alcançar um nível considerado adequado pela entidade, seria necessário elevar esse percentual para 4,65% do PIB, o que representa aproximadamente R$ 550 bilhões por ano.
A CNI avalia que esse patamar precisaria ser mantido por pelo menos duas décadas para que o Brasil consiga reduzir de forma significativa o déficit acumulado no setor.
Dos recursos aplicados em infraestrutura em 2024, R$ 188,1 bilhões, ou 70,5%, vieram do setor privado. Os investimentos públicos somaram R$ 78,6 bilhões, com estados e municípios respondendo pela maior parte desses aportes.
O estudo aponta ainda uma mudança significativa na composição do financiamento ao longo dos últimos anos. Entre 2010 e 2014, as fontes privadas representavam 29,3% dos recursos destinados à infraestrutura. Em 2024, essa participação chegou a 61,5%.
CNI defende novo modelo de financiamento
Para a Confederação Nacional da Indústria, o país precisa combinar recursos públicos e privados para ampliar a capacidade de investimento e garantir projetos de longo prazo.
Entre as medidas propostas estão o fortalecimento do mercado de capitais, expansão do crédito privado, ampliação da carteira de projetos estruturados para concessões e parcerias, maior segurança jurídica e previsibilidade regulatória.
A entidade também defende autonomia técnica para as agências reguladoras e destaca o papel do BNDES e de outras instituições públicas na estruturação de projetos e na redução de riscos para investidores.
Infraestrutura exige planejamento de longo prazo
O presidente da CNI, Ricardo Alban, avalia que a modernização da infraestrutura brasileira depende de estabilidade econômica, responsabilidade fiscal e segurança jurídica para ampliar a participação do capital privado.
A entidade também defende que os projetos tenham continuidade independentemente das mudanças de governo, com uma estratégia de Estado voltada para investimentos de longo prazo.
O estudo analisou experiências de países como Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França. Segundo a CNI, apesar das diferenças entre os modelos, estabilidade econômica, instituições confiáveis, previsibilidade regulatória e instrumentos de financiamento de longo prazo aparecem como características comuns nos países que conseguiram ampliar os investimentos em infraestrutura.
Fonte e foto: Agência Brasil, com base em estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória.







