Estudo com quase 88 mil brasileiros aponta que 26,1% dos adultos convivem com doenças musculoesqueléticas crônicas; especialistas alertam para o impacto do sedentarismo, excesso de exercícios e movimentos repetitivos

Dores no joelho, no ombro e em outras articulações já não são queixas restritas à população idosa. O problema tem aparecido com frequência entre jovens e adultos em idade produtiva e pode estar relacionado tanto ao sedentarismo quanto à prática inadequada de atividades físicas e à repetição de movimentos no trabalho.

Um estudo publicado em 2025, com base em dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), analisou informações de 87.648 brasileiros e apontou que 26,1% dos adultos convivem com doenças musculoesqueléticas crônicas. O grupo inclui problemas que atingem articulações, músculos, tendões e ligamentos.

Os dados também indicam aumento da ocorrência conforme a idade. Entre pessoas de 35 a 49 anos, a prevalência praticamente dobra em comparação com adultos mais jovens, sinalizando que essas condições já fazem parte da realidade de uma parcela significativa da população economicamente ativa.

Sedentarismo e excesso de exercícios podem favorecer lesões

Para o ortopedista Ricardo Luiz Gave Lima, o perfil dos pacientes que procuram atendimento mudou nos últimos anos.

Segundo o especialista, pessoas entre 30 e 45 anos estão chegando aos consultórios com queixas frequentes de dores no joelho, no ombro e em outras articulações. Entre os fatores associados estão a prática de exercícios sem preparação adequada, o sedentarismo, longos períodos diante do computador e a repetição de movimentos.

A preocupação não é com a atividade física em si. Pelo contrário, exercícios são importantes para a manutenção da saúde. O problema está na falta de preparação, no excesso de carga e na insistência em treinar mesmo quando o corpo apresenta sinais de alerta.

O ortopedista Dhyego Bonelle de Sousa destaca que a dor durante ou depois da atividade física não deve ser automaticamente ignorada.

“Quando uma dor persiste ou começa a limitar os movimentos, é importante investigar a causa”, orienta o especialista.

Joelho está entre as regiões mais afetadas

O joelho é uma das articulações que mais sofrem com atividades de impacto, especialmente quando existe aumento repentino da intensidade ou da frequência dos exercícios.

Corrida, musculação e outras modalidades podem contribuir para o surgimento de lesões quando não há adaptação progressiva do corpo. A situação também pode ser agravada por fatores como falta de fortalecimento muscular, técnica inadequada e ausência de períodos de recuperação.

Já no caso dos ombros, movimentos repetitivos e atividades realizadas acima da cabeça podem provocar sobrecarga, principalmente quando associados à falta de fortalecimento e mobilidade adequada.

No ambiente profissional, permanecer muitas horas diante do computador também pode contribuir para dores musculoesqueléticas, principalmente quando a postura e a ergonomia não são adequadas.

Quando a dor merece atenção?

Nem toda dor significa necessariamente uma lesão grave. No entanto, alguns sinais indicam que é importante buscar avaliação especializada.

Entre eles estão a persistência da dor por vários dias ou semanas, perda de força, inchaço, redução da mobilidade, dor que interfere no sono e dificuldade para realizar tarefas simples do cotidiano.

Também é recomendável procurar avaliação quando a dor aparece repetidamente durante determinada atividade física ou passa a limitar o desempenho.

A identificação precoce do problema pode permitir que o tratamento seja iniciado antes que uma alteração evolua para um quadro mais complexo.

Tratamento depende da causa

O tratamento ortopédico varia de acordo com a origem da dor, a idade, as condições clínicas e a rotina de cada paciente.

Dependendo do diagnóstico, podem ser indicados fisioterapia, programas de reabilitação, mudanças na rotina de exercícios e, em situações específicas, procedimentos como infiltrações ou terapias por ondas de choque.

Também existem abordagens relacionadas à chamada medicina regenerativa, mas a indicação deve ser feita individualmente, após avaliação médica.

O acompanhamento pode ainda contar com recursos complementares para avaliar o funcionamento do sistema musculoesquelético. Entre eles está a baropodometria computadorizada, exame que analisa a distribuição da pressão nos pés durante o apoio e pode contribuir para a avaliação biomecânica.

Prevenção começa antes da dor

A orientação dos especialistas é que a prevenção não deve começar somente quando surge um problema.

Manter atividade física regular, respeitar os limites do corpo, aumentar gradualmente a intensidade dos exercícios, realizar fortalecimento muscular e buscar orientação profissional são medidas que podem ajudar a reduzir o risco de lesões.

No trabalho, pausas durante períodos prolongados diante do computador e adequações ergonômicas também podem contribuir para diminuir a sobrecarga musculoesquelética.

A ortopedia atende pessoas de diferentes faixas etárias, desde crianças até idosos, e acompanha desde problemas comuns do dia a dia até casos de maior complexidade.

Dor persistente não deve ser normalizada

Com a aproximação do Dia do Ortopedista, celebrado em 19 de setembro, especialistas reforçam que conviver diariamente com dor não deve ser considerado parte natural do envelhecimento ou da rotina profissional.

O diagnóstico adequado permite identificar a origem do problema e definir o tratamento mais indicado para cada caso. Quanto mais cedo uma alteração é investigada, maiores podem ser as possibilidades de preservar a mobilidade e a qualidade de vida.

Fonte: informações fornecidas pelo Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT), com dados de estudo baseado na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).

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Edição: Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória.

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