Iniciativa desenvolvida em Alegre utiliza genética selecionada, acompanhamento técnico e capacitação para transformar a produção de carne suína em uma alternativa de maior valor agregado

Pequenos produtores rurais do Caparaó capixaba estão recebendo apoio da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para desenvolver uma nova alternativa de renda no campo: a produção de suínos gourmet, com genética selecionada e carne de maior valor agregado.

O projeto de extensão “Produção de Suínos Gourmet como Alternativa de Renda ao Pequeno Produtor” é desenvolvido no campus de Alegre, no Sul do Espírito Santo, e acompanha os criadores desde a chegada dos leitões às propriedades até etapas como abate, comercialização e formação de futuras matrizes.

Caparaó ainda tem participação pequena na suinocultura capixaba

Apesar do potencial da atividade, o Caparaó representa atualmente uma parcela reduzida da produção estadual de suínos. Dados de 2023 da Associação de Suinocultores do Espírito Santo (Ases) indicam que a região respondia por 1,31% da produção capixaba.

A participação é pequena quando comparada à região Centro-Sul, responsável por quase 60% da produção de suínos do Espírito Santo.

Segundo a professora Mariana Duran, do Departamento de Zootecnia da Ufes e coordenadora do projeto, muitos criadores do Caparaó trabalham em pequena escala e comercializam leitões ou destinam os animais ao consumo próprio e à produção de defumados e embutidos.

A proposta da universidade é justamente ampliar as possibilidades desses produtores, agregando conhecimento técnico e uma genética capaz de produzir uma carne diferenciada.

Genética selecionada busca mais sabor e qualidade

Uma das principais características do projeto é o trabalho com genética selecionada.

Na Fazenda Experimental de Rive, em Alegre, a Ufes mantém quatro fêmeas da linhagem BS-101, resultado do cruzamento das raças Moura, Pietrain e Berkshire, além de um macho da raça Duroc.

Os animais resultantes desses cruzamentos apresentam maior grau de marmoreio, característica relacionada à presença de gordura entremeada no músculo. De acordo com a coordenadora do projeto, essa característica contribui para uma carne mais saborosa, suculenta e macia.

Depois do nascimento, os leitões permanecem com as mães até aproximadamente 21 dias, quando são desmamados. Em seguida, passam por um período de creche de 15 a 20 dias para ganho de peso.

Ao atingirem cerca de 15 quilos, os animais são destinados aos produtores participantes, conforme a disponibilidade.

Nas propriedades rurais, estudantes extensionistas acompanham o desenvolvimento dos animais e indicadores de desempenho zootécnico, além de orientar os criadores sobre o manejo.

Da criação à comercialização

O projeto não se limita à produção dos animais. A proposta é trabalhar toda a cadeia, incluindo formas de transformar a carne em produtos com maior valor comercial.

Durante dias de campo e workshops, os produtores recebem orientações sobre produção, cortes, charcutaria e comercialização.

Também são apresentadas as diferenças entre a carne dos suínos gourmet e aquela obtida de híbridos utilizados tradicionalmente na produção comercial.

A capacitação inclui ainda possibilidades de utilização dos cortes em produtos como embutidos e defumados, ampliando as alternativas de comercialização para os pequenos produtores.

Universidade e produtores mais próximos

Para identificar criadores interessados em participar da iniciativa, a equipe da Ufes buscou apoio da Associação de Suinocultores do Espírito Santo, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf).

O projeto também conta com a parceria da Universidade Federal de Lavras (Ufla), por meio do professor Rony Ferreira, idealizador do Suíno Gourmet.

A iniciativa representa uma das formas pelas quais a extensão universitária aproxima a produção de conhecimento das necessidades encontradas no meio rural. Nesse caso, a pesquisa e a assistência técnica são utilizadas para buscar uma atividade capaz de gerar mais valor para propriedades de menor porte.

Para o Caparaó, a estratégia também pode contribuir para diversificar a produção rural e criar novas possibilidades de comercialização a partir de produtos diferenciados.

Fonte e foto: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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