Carlos Roberto Ferreira Lopes se apresentou à Polícia Federal em Brasília após ser considerado foragido desde novembro de 2025; investigação apura possíveis descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas

O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), em Brasília. Ele se apresentou à Superintendência Regional da PF e, após os procedimentos de praxe, deve ser encaminhado ao sistema prisional.

Lopes é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos supostamente irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as investigações, beneficiários teriam tido valores descontados mensalmente como se fossem filiados a associações, mesmo sem terem autorizado as cobranças ou realizado qualquer associação.

O presidente da Conafer havia sido indiciado pela Polícia Federal no mês passado e era considerado foragido desde novembro de 2025, quando não foi localizado para o cumprimento de um mandado de prisão expedido no curso das investigações.

Na época, a Conafer negou que Lopes tivesse fugido e informou que ele estaria em viagem por uma região de difícil acesso, com limitações de comunicação, e em processo de retorno.

Conafer é apontada como uma das entidades centrais da investigação

A Conafer é apontada pela Polícia Federal como uma das entidades centrais na investigação sobre os descontos associativos. A apuração teve início em 2023, inicialmente em procedimento administrativo conduzido pela Controladoria-Geral da União (CGU). Em 2024, diante da identificação de indícios de crimes, a Polícia Federal passou a atuar no caso.

Segundo os investigadores, o esquema consistia na inclusão de aposentados e pensionistas como supostos associados de entidades, permitindo a cobrança de mensalidades diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.

A estimativa das investigações é de que os descontos sob apuração possam alcançar R$ 6,3 bilhões.

Dados reunidos durante as apurações também apontaram um crescimento expressivo dos valores descontados em favor da Conafer entre 2019 e 2024. Segundo informações citadas nas investigações, os descontos passaram de cerca de R$ 400 mil para R$ 277 milhões no período.

A Polícia Federal também investiga suspeitas de divergências entre valores que teriam sido autorizados por beneficiários e os montantes efetivamente descontados. Em casos analisados pelos investigadores, os descontos cobrados teriam superado os valores registrados nas autorizações apresentadas.

PF indiciou 48 pessoas na primeira investigação

A prisão ocorre após a conclusão da primeira investigação da Operação Sem Desconto. No mês passado, a Polícia Federal indiciou 48 pessoas no inquérito.

Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, além do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca”.

Carlos Roberto Ferreira Lopes também foi formalmente indiciado. No pedido apresentado pela Polícia Federal, os investigadores defenderam que ele responda pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro majorada e reiterada e corrupção ativa majorada.

O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso.

Presidente já havia sido preso durante depoimento à CPMI

Carlos Lopes também foi preso em flagrante no ano passado durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Na ocasião, a prisão ocorreu após questionamentos sobre declarações prestadas durante a oitiva.

Posteriormente, ele foi liberado após o pagamento de fiança.

Com a apresentação desta quarta-feira (12), Lopes voltou à custódia das autoridades. As investigações da Operação Sem Desconto seguem em andamento, e os desdobramentos do caso continuam sendo acompanhados pelas autoridades responsáveis pela apuração.

Fontes: CNN Brasil, G1 e Infomoney
Editado por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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