Pesquisa publicada na revista Science aponta que eventual encerramento do acordo poderá aumentar em 14% a perda de floresta amazônica e elevar significativamente as emissões de gases de efeito estufa.
Um estudo publicado na revista científica Science acendeu um novo alerta sobre o futuro da Amazônia. Segundo a pesquisa, o fim da Moratória da Soja poderá provocar o desmatamento adicional de aproximadamente 1,4 milhão de hectares de floresta nos próximos dez anos, o equivalente a um aumento de cerca de 14% em relação ao cenário atual.
O levantamento foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros e internacionais e divulgado enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para retomar, em agosto, a discussão sobre ações relacionadas ao acordo firmado entre produtores, exportadores e organizações ambientais.
Além do avanço da devastação, os cientistas estimam que o encerramento da moratória poderá resultar na emissão de aproximadamente 745 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), volume comparável às emissões anuais de países industrializados.
O que é a Moratória da Soja
Criada em 2006, a Moratória da Soja é um compromisso voluntário firmado entre empresas exportadoras, organizações ambientalistas e o governo federal.
Pelo acordo, empresas signatárias deixam de comprar soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008, mesmo quando o desmatamento ocorre dentro dos limites permitidos pela legislação ambiental brasileira.
O objetivo foi reduzir a pressão da expansão agrícola sobre a floresta sem comprometer o crescimento da produção nacional.
Pesquisa aponta impactos ambientais
Segundo os pesquisadores, caso o acordo seja encerrado, os impactos poderão ser expressivos.
Entre as principais projeções estão o aumento de 1,4 milhão de hectares de floresta derrubada até 2036, o crescimento de aproximadamente 14% no desmatamento relacionado à expansão da soja, a emissão adicional de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente e a maior pressão sobre cerca de 28,7 milhões de hectares de florestas públicas, especialmente em áreas próximas às novas fronteiras agrícolas.
O estudo destaca ainda que existem aproximadamente 1,7 milhão de hectares já abertos e aptos para o cultivo, permitindo ampliar a produção agrícola sem necessidade de novos desmatamentos.
Resultados da moratória
Os autores afirmam que, ao longo de quase duas décadas, a Moratória da Soja apresentou resultados relevantes para a conservação da Amazônia.
Entre eles:
- redução de aproximadamente 35% do desmatamento em áreas com maior risco de expansão agrícola;
- preservação estimada de 1,8 milhão de hectares de floresta;
- manutenção da competitividade da produção brasileira, sem evidências consistentes de prejuízos econômicos aos produtores.
Debate divide o agronegócio
O tema, entretanto, permanece controverso.
Entidades ligadas ao agronegócio argumentam que a Moratória impõe restrições superiores às exigidas pelo Código Florestal Brasileiro, limitando o direito de produtores que cumprem a legislação ambiental.
Já pesquisadores e organizações ambientalistas defendem que o acordo se consolidou como um dos principais mecanismos privados de combate ao desmatamento na Amazônia, contribuindo para preservar a imagem internacional do agronegócio brasileiro.
A discussão ganhou força após mudanças no posicionamento de entidades do setor e deve voltar ao centro do debate jurídico e econômico com a retomada das ações no Supremo Tribunal Federal.
Importância para o Brasil
A Amazônia concentra a maior floresta tropical do planeta e exerce papel estratégico na regulação do clima, na conservação da biodiversidade e no regime de chuvas que abastece diversas regiões produtoras do país.
Especialistas alertam que o aumento do desmatamento pode comprometer metas climáticas assumidas pelo Brasil, além de gerar impactos sobre exportações, investimentos internacionais e acordos comerciais que exigem critérios de sustentabilidade.
Fontes e foto: Agência Brasil, Revista Science, Supremo Tribunal Federal (STF)
Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória







