A falta de acesso às comunidades mais vulneráveis e a ausência histórica do poder público ainda representam os principais obstáculos para a universalização do saneamento básico no Brasil. A avaliação é de Edison Carlos, presidente do Instituto Aegea, em entrevista exclusiva ao programa Olho na Cidade, apresentado pela jornalista Tatiana Sobreira, na Jovem Pan News Vitória.
Com experiência acumulada em visitas a diferentes regiões brasileiras, Edison destacou que o desafio vai além da implantação de redes de água e esgoto.
“Em muitas localidades, o principal desafio é chegar até essas comunidades. Há regiões onde faltou presença do poder público por décadas. E, mesmo onde a infraestrutura existe, a conscientização ainda é a melhor solução para garantir que essa transformação aconteça de forma completa”, afirmou.
Segundo ele, o saneamento básico precisa ser entendido como uma política pública diretamente ligada à saúde, à educação, à preservação ambiental e ao desenvolvimento econômico.
Espírito Santo recebe lançamento estadual do Saneamento Salva
Durante sua passagem pelo Estado, Edison participou do lançamento estadual da plataforma Saneamento Salva, iniciativa coordenada pelo Instituto Aegea e criada para ampliar o acesso à informação sobre os impactos do saneamento na vida das pessoas.
O Espírito Santo foi escolhido para receber o lançamento estadual do movimento por reunir experiências exitosas na área e apresentar avanços importantes na ampliação da cobertura de esgotamento sanitário.
A plataforma digital gratuita funciona como um ambiente de consulta e conscientização, reunindo estudos, indicadores, publicações técnicas, análises de especialistas e histórias reais de transformação social provocadas pela expansão do saneamento básico.
“O portal é uma fonte de conhecimento para líderes comunitários, educadores, jornalistas, agentes públicos e cidadãos comuns. Queremos criar um movimento nacional para que todos compreendam o impacto do saneamento na vida das pessoas”, destacou Edison Carlos.
Movimento percorre o Brasil
Lançado nacionalmente em agosto de 2025, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Saneamento Salva vem peregrinando por diferentes estados brasileiros com o objetivo de ampliar o debate sobre a universalização do saneamento.
A proposta é levar conhecimento a regiões que ainda enfrentam dificuldades históricas relacionadas ao acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto.
Desde então, o movimento já passou por diversos estados, promovendo seminários, encontros técnicos e atividades educativas voltadas à mobilização da sociedade.
“O saneamento só se completa quando a sociedade entende o seu valor e cobra avanços. É isso que esse movimento busca construir”, afirma Bruna Buldrini, presidente das unidades da Aegea no Espírito Santo.
Agentes comunitários se tornam multiplicadores
Uma das estratégias adotadas pelo Instituto Aegea é a realização de palestras e capacitações direcionadas aos agentes comunitários de saúde.
Por estarem inseridos diretamente nas comunidades, esses profissionais passam a atuar como multiplicadores das informações relacionadas à prevenção de doenças e ao uso correto da infraestrutura sanitária.
A iniciativa reforça a compreensão de que o saneamento vai além das obras físicas.
Ele depende também de educação, orientação e mudança de comportamento.
“Basta que uma única residência descarte esgoto inadequadamente para que toda a comunidade fique exposta à proliferação de doenças como leptospirose, verminoses e dengue”, alertou Edison Carlos.
Espírito Santo é referência nacional
No Espírito Santo, os resultados das parcerias entre a Cesan e a Aegea já aparecem nos indicadores.
As operações desenvolvidas na Serra, Vila Velha e Cariacica atendem quase 1,5 milhão de moradores, o equivalente a cerca de 40% da população capixaba.
Na Serra, a cobertura de esgotamento sanitário saltou de 58% para mais de 90% após o início da parceria. Já em Cariacica, a meta é atingir 95% de cobertura até 2033.
Os avanços colocaram municípios capixabas entre os destaques do Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil.
Saneamento é investimento em qualidade de vida
Para Edison Carlos, investir em saneamento significa reduzir internações hospitalares, melhorar indicadores educacionais e ampliar as oportunidades de desenvolvimento econômico.
Segundo ele, a universalização dos serviços depende da união entre governos, concessionárias, profissionais da saúde e a própria população.
“Cada ligação nova de esgoto representa dignidade, saúde e qualidade de vida para uma família. Mas precisamos que a sociedade participe dessa transformação”, concluiu.
A plataforma Saneamento Salva está disponível gratuitamente para consulta no endereço eletrônico www.saneamentosalva.com.br, reunindo conteúdos voltados a gestores públicos, profissionais da imprensa, educadores e cidadãos interessados em compreender a importância do saneamento básico para o desenvolvimento do país.
Fonte: Entrevista exclusiva de Edison Carlos ao programa Olho na Cidade; Instituto Aegea.
Texto, edição e foto: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória.







