Os bancos brasileiros já transferiram cerca de R$ 5,7 bilhões em valores esquecidos por clientes para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo que será utilizado para garantir as renegociações do programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal para combater a inadimplência no país.

Os recursos são provenientes do Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma do Banco Central do Brasil que reúne dinheiro esquecido em contas bancárias, consórcios e instituições financeiras. Segundo dados atualizados do Banco Central, ainda existem mais de R$ 10,5 bilhões disponíveis para resgate por pessoas físicas e jurídicas.

De acordo com o Ministério da Fazenda, os R$ 5,7 bilhões transferidos serão utilizados como garantia financeira para operações de renegociação de dívidas no Desenrola Brasil 2.0. O fundo cobre parte do risco de inadimplência das instituições financeiras que aderirem ao programa.

A nova fase do programa é voltada principalmente para famílias com renda de até cinco salários mínimos — cerca de R$ 8,1 mil em 2026 — e permite renegociação de dívidas atrasadas entre 90 dias e dois anos. O governo promete descontos que podem chegar a 90% do valor devido.

Segundo o Banco Central, do total de recursos esquecidos, cerca de R$ 8,13 bilhões pertencem a mais de 45 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 2,43 bilhões estão vinculados a aproximadamente 5 milhões de empresas.

Os bancos concentram a maior parte dos recursos esquecidos, com cerca de R$ 6,25 bilhões. Em seguida aparecem administradoras de consórcios, com R$ 2,6 bilhões, e cooperativas financeiras, com quase R$ 1 bilhão.

Mesmo com a transferência parcial para o fundo do Desenrola, o governo informou que os cidadãos continuam tendo direito ao resgate do dinheiro esquecido. O Banco Central reservou parte dos recursos justamente para garantir futuras devoluções aos titulares.

A consulta aos valores pode ser feita gratuitamente pelo sistema oficial do Banco Central, por meio do site Valores a Receber. O procedimento exige login Gov.br e, em muitos casos, cadastro de chave Pix para devolução automática dos recursos.

O governo federal avalia que a utilização dos valores esquecidos pode fortalecer o programa de renegociação de dívidas sem necessidade de ampliar gastos públicos diretos. A expectativa é que o Desenrola 2.0 movimente bilhões de reais em acordos financeiros ao longo de 2026.

Além das famílias, a nova etapa do programa também contempla estudantes com dívidas do Fies, micro e pequenas empresas e produtores rurais.

Fonte e foto: Agência Brasil, Banco Central e Ministério da Fazenda

Edição: Tatiana Sobreira – Redação Jovem Pan News Vitória

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