O número de mortes envolvendo motociclistas segue em alta no Brasil e acende alerta entre especialistas em mobilidade, saúde pública e segurança no trânsito. O avanço da economia de aplicativos e o aumento do trabalho com entregas e transporte por moto aparecem entre os principais fatores apontados por pesquisadores.

De acordo com levantamento divulgado pelo Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 12.058 mortes de motociclistas em 2024 — o maior número da série histórica recente. O dado representa aumento de aproximadamente 12% em comparação com os registros de 2023. (agenciabrasil.ebc.com.br)

O relatório também aponta crescimento acelerado da frota de motocicletas no país. Atualmente, o Brasil possui mais de 35 milhões de motos em circulação, impulsionadas principalmente pelos serviços de entrega e transporte via aplicativos.

Segundo os pesquisadores, muitos trabalhadores passam mais de 10 horas diárias no trânsito em busca de aumento de renda, enfrentando pressão por produtividade, prazos curtos e condições precárias de trabalho.

O estudo mostra ainda que os motociclistas já representam cerca de 38% das mortes no trânsito brasileiro, consolidando-se como o grupo mais vulnerável nas vias urbanas e rodovias do país.

No Espírito Santo, os dados também preocupam. O estado aparece entre os que registraram crescimento nas internações e mortes de motociclistas nos últimos anos. Segundo informações do Ministério da Saúde e do DataSUS citadas no levantamento, o Espírito Santo teve aumento no número de atendimentos hospitalares relacionados a acidentes com motos, especialmente na Grande Vitória e em municípios do interior.

Especialistas apontam que o crescimento da informalidade e da dependência econômica dos aplicativos ampliou a exposição dos motociclistas aos riscos diários do trânsito.

Além das mortes, os acidentes geram impactos diretos no sistema público de saúde, previdência e assistência social, elevando custos hospitalares e afastamentos por invalidez.

Pesquisadores defendem políticas públicas voltadas à segurança viária, fiscalização, melhoria da infraestrutura urbana e regulamentação das condições de trabalho dos profissionais que utilizam motocicletas como principal fonte de renda.

Fonte e foto: Agência Brasil, Atlas da Violência 2026, Ipea, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ministério da Saúde e DataSUS

Edição: Tatiana Sobreira – Redação Jovem Pan News Vitória

 

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