O deputado federal Mario Frias voltou atrás e admitiu que parte dos recursos usados na produção do filme “Dark Horse”, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve origem em aportes feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
A declaração foi publicada nesta quinta-feira (14), um dia após o parlamentar afirmar nas redes sociais que “não havia um centavo do Master” no longa-metragem. Segundo Frias, a manifestação anterior se referia ao fato de que Vorcaro e o Banco Master não figuravam formalmente como investidores da produção.
“Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, declarou.
O deputado afirmou ainda que a relação financeira ocorreu por meio de outra pessoa jurídica e reforçou que os senadores Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro não possuem participação societária no filme nem na produtora responsável pelo projeto. Segundo ele, ambos apenas autorizaram o uso da imagem da família Bolsonaro.
Frias também sustentou que todos os recursos captados foram utilizados exclusivamente na produção do filme, sem uso de verba pública.
Declarações de Flávio Bolsonaro
Em entrevista à GloboNews, Flávio Bolsonaro afirmou que “todo o dinheiro arrecadado foi integralmente utilizado para o filme” e negou qualquer desvio de finalidade envolvendo os valores repassados por Vorcaro.
O senador declarou ainda que assinou um acordo de confidencialidade relacionado à produção e que só comentou o assunto após a divulgação das mensagens trocadas com o banqueiro.
Segundo Flávio, o último pagamento realizado por Vorcaro ocorreu em maio de 2025, período em que começaram a surgir denúncias envolvendo o Banco Master. O parlamentar afirmou que o longa só foi concluído graças à entrada de outros investidores privados.
Intimação no STF
Paralelamente à polêmica envolvendo o financiamento do filme, Mario Frias também é alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora responsável por “Dark Horse”.
O ministro Flávio Dino determinou, em março deste ano, que o deputado apresentasse esclarecimentos após representação protocolada pela deputada Tabata Amaral.
A ação questiona o envio de ao menos R$ 2 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, associada ao filme sobre Bolsonaro.
Segundo os autos, oficiais de Justiça tentaram intimar Frias em diversas ocasiões na Câmara dos Deputados, mas assessores informaram que o parlamentar estava em São Paulo cumprindo agendas políticas.
Emendas parlamentares
Reportagem do portal The Intercept Brasil apontou que entidades ligadas à produtora receberam cerca de R$ 2,6 milhões em emendas destinadas por parlamentares do PL, incluindo Mario Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon.
Pollon afirmou ter destinado R$ 1 milhão para um projeto documental chamado “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, mas disse que os recursos foram posteriormente redirecionados para a área da saúde.
Já Bia Kicis admitiu ter indicado R$ 150 mil para a mesma produção, porém sustentou que a verba não chegou a ser executada.
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Com informações da Agência Brasil*
Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Porto Velho e Vitória







