A cidade de Vitória chegou a 638 dias sem registrar feminicídios, marco alcançado neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher. O resultado é atribuído a um conjunto de políticas públicas integradas que envolvem segurança, assistência social, saúde, educação e programas de autonomia econômica para mulheres.

Em um cenário nacional em que o feminicídio ainda representa um grave problema social, o indicador coloca a capital capixaba em destaque no enfrentamento à violência de gênero.

Segundo a comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, o resultado representa vidas preservadas e reflete a priorização da pauta na gestão municipal.

De acordo com ela, quando se fala em mais de 600 dias sem feminicídio, o indicador significa que mulheres continuam vivas graças a políticas públicas estruturadas e ações permanentes de proteção.

Monitoramento e resposta rápida

A Guarda Municipal tem papel estratégico no combate à violência doméstica com patrulhamento preventivo e fiscalização do cumprimento de medidas protetivas.

Entre as ferramentas utilizadas está o Botão Maria da Penha, dispositivo que permite acionamento imediato das forças de segurança em situações de risco. Quando ativado, o sistema envia a localização da vítima para a central de monitoramento, que direciona uma viatura ao local.

Rede de acolhimento e atendimento especializado

O enfrentamento à violência contra mulheres também envolve uma rede estruturada de atendimento social e psicológico.

Um dos principais equipamentos é a Casa Rosa, centro voltado à saúde da mulher e ao atendimento de famílias em situação de violência intrafamiliar.

Desde a inauguração, em 2021, o espaço já realizou mais de 16 mil atendimentos. O serviço oferece atendimento multidisciplinar com médico, equipe de enfermagem, assistente social, psicólogo e terapeuta ocupacional.

Entre os casos atendidos, 65% envolvem violência sexual, 16% violência física e 19% violência psicológica ou negligência. A maioria das vítimas atendidas é do sexo feminino e 44% têm entre 10 e 19 anos.

Outro equipamento importante é o Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência, que oferece acolhimento psicossocial, escuta qualificada e avaliação de risco.

Entre 2022 e fevereiro de 2026, o serviço realizou mais de 11 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência doméstica.

Prevenção e conscientização

A prefeitura também desenvolve ações educativas e de prevenção. Uma delas é o projeto Maria da Penha vai à Cidade, que leva orientações sobre direitos das mulheres e combate à violência para feiras livres e espaços públicos da capital.

Somente em 2025 foram 2.800 abordagens. Em 2026, a iniciativa já alcançou 1.200 mulheres.

Além da segurança, o município aposta em políticas sociais para reduzir situações de vulnerabilidade que muitas vezes mantêm mulheres em relações abusivas.

Entre as iniciativas está a ampliação da educação em tempo integral. A rede municipal passou de 4 escolas nessa modalidade em 2022 para 50 unidades em 2026, permitindo que muitas mães tenham mais tempo para trabalhar ou participar de cursos de qualificação profissional.

Outro eixo importante é o programa de transferência de renda Vix Mais Cidadania, que ampliou a proteção social de famílias em situação de vulnerabilidade e contribuiu para a erradicação da extrema pobreza na capital.

Para o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, o resultado demonstra que o enfrentamento à violência contra mulheres depende de ações coordenadas entre diferentes áreas da gestão pública.

Segundo ele, segurança, educação, assistência social e geração de oportunidades precisam caminhar juntas para garantir proteção e autonomia às mulheres.

Fonte: Prefeitura de Vitória
Por: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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