A mais recente pesquisa do Instituto Veritá para o Governo do Espírito Santo colocou novamente a corrida eleitoral de 2026 no centro do debate político estadual. No cenário estimulado de segundo turno divulgado pelo instituto, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), aparece com 54,9% das intenções de voto, enquanto o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) registra 45,1%.

Os números divulgados pelo instituto coincidem com os dados constantes no material apresentado no registro da pesquisa, sem divergências identificadas entre o percentual divulgado e o documento disponibilizado ao público.

O levantamento surge em um momento estratégico da pré-campanha, quando os principais grupos políticos intensificam articulações, alianças e movimentos de posicionamento para a sucessão do governador Renato Casagrande.

Como a pesquisa foi realizada

De acordo com os dados registrados junto à Justiça Eleitoral, a pesquisa possui abrangência estadual e ouviu eleitores em municípios distribuídos por diferentes regiões do Espírito Santo. O instituto informa ter adotado metodologia baseada em amostragem estratificada por sexo, idade, escolaridade e renda, seguindo parâmetros populacionais do IBGE e da Justiça Eleitoral.

Segundo o registro, cerca de 20% dos questionários passaram por processo de fiscalização, conferência e checagem após a realização das entrevistas. O documento também esclarece que a margem de erro e o intervalo de confiança são indicadores estatísticos independente.

O que os números revelam

Politicamente, o resultado é significativo por apresentar uma vantagem próxima de dez pontos percentuais para Pazolini em um cenário direto contra Ferraço. Segundo jornalistas que cobrem a política local, a pesquisa reforça uma tendência observada por analistas desde a reeleição do prefeito de Vitória: a ampliação do nome de Pazolini e sua projeção para além da capital.

Nos bastidores, interlocutores de diferentes partidos avaliam que Pazolini conseguiu transformar a visibilidade conquistada na administração municipal em um ativo eleitoral estadual, especialmente na Grande Vitória.

Já Ricardo Ferraço continua apostando na força política do grupo liderado por Renato Casagrande (que disputa o Senado) e na elevada aprovação administrativa do atual governo para sustentar sua pré-candidatura. A avaliação predominante é que o Governador Ferrao, que tem a máquina do estado nas mãos, ainda possui espaço para crescimento, sobretudo à medida que aumenta sua exposição junto ao eleitorado do interior capixaba.

Mudanças no marketing ampliam atenção sobre a pré-campanha governista

O resultado da pesquisa também ganhou repercussão em razão das recentes mudanças na equipe de comunicação de Ricardo Ferraço. Nas últimas semanas, a pré-campanha promoveu mais uma alteração em sua estrutura de marketing político. Foi a terceira troca relevante na condução estratégica da comunicação desde o início das articulações para 2026.

Embora não exista qualquer confirmação oficial relacionando as mudanças diretamente aos números das pesquisas, o movimento foi interpretado por observadores políticos como uma tentativa de reposicionar a narrativa da pré-campanha diante do cenário eleitoral.

Pesquisa de abril entrou na mira da Justiça Eleitoral

A divulgação da nova pesquisa ocorre em meio à repercussão de um levantamento anterior do Instituto Veritá, registrado em abril deste ano, que acabou sendo questionado judicialmente e se tornou alvo de uma representação no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo.

Segundo parecer do Ministério Público Eleitoral, a principal inconsistência identificada não estava nos números divulgados, mas na composição da amostra utilizada pelo instituto. O procurador regional eleitoral Paulo Augusto Guaresqui apontou que houve forte concentração de entrevistas em Vitória, principal base eleitoral de Lorenzo Pazolini, enquanto importantes colégios eleitorais do estado ficaram sub-representados ou sequer foram contemplados na amostragem.

De acordo com o parecer, das 1.220 entrevistas realizadas, 514 ocorreram em Vitória, o equivalente a 42,13% de toda a amostra, embora a capital represente cerca de 8,9% do eleitorado capixaba. Ao mesmo tempo, municípios de grande peso eleitoral, como Serra e Vila Velha, não teriam recebido entrevistas, além da ausência de cidades como Aracruz, São Mateus e Viana. Para o Ministério Público, essa distribuição teria produzido uma distorção territorial capaz de favorecer artificialmente o desempenho eleitoral de Pazolini.

Outro ponto destacado foi a inclusão de perguntas relacionadas à disputa presidencial sem que esse cargo constasse formalmente no registro da pesquisa junto à Justiça Eleitoral, situação que, segundo o parecer ministerial, contrariaria as exigências previstas na regulamentação eleitoral

Cenário ainda está longe de ser definitivo

Apesar da vantagem apresentada por Pazolini, cientistas políticos lembram que a eleição estadual ainda está em fase inicial de construção. Historicamente, pesquisas realizadas antes do período oficial de campanha funcionam mais como retratos momentâneos do ambiente político do que como projeções definitivas do resultado eleitoral.

A tendência é que os próximos meses sejam marcados por novas pesquisas, consolidação de alianças partidárias, entrada de novos atores no debate e intensificação das agendas públicas dos pré-candidatos, além claro, movimentação entre marqueteiros e composição de montagem das equipes para trabalhar o perfil de cada candidato.

O levantamento da Veritá, no entanto, deixa claro que a disputa pelo Palácio Anchieta já começou a ganhar forma e deverá ser uma das mais observadas da história política recente do Espírito Santo. Acrescenta-se também, que a movimentações entre parlamentares, aquece cada vez mais os redutos eleitoras de cada um.

Fonte: Instituto Veritá; Registro da pesquisa na Justiça Eleitoral; Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES); Ministério Público Eleitoral e portais que cobrem políticas no ES.

Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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