Decisão considera novos elementos da investigação, mas juiz ressalta que a suposta confissão de outro suspeito ainda precisa ser analisada com cautela
A Justiça do Espírito Santo revogou a prisão preventiva de Raphael Alves Nepomuceno, marido de Laydiane Lacerda da Silva, encontrada morta dentro de casa em 3 de outubro, no distrito de Cristal do Norte, em Pedro Canário, no Norte do Estado. A mulher estava grávida de aproximadamente quatro meses, segundo informações divulgadas sobre o caso.
O homem deixou a prisão na quarta-feira (21), após permanecer 18 dias detido. A decisão foi tomada depois que a defesa apresentou novos elementos à investigação, entre eles a informação de que outro homem teria assumido a autoria do homicídio.
O juiz Leandro Cunha Bernardes da Silveira determinou a expedição do alvará de soltura e substituiu a prisão por medidas cautelares. Entre as obrigações impostas estão o comparecimento mensal em juízo e a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e a autoridade policial se manifestaram favoravelmente à revogação da prisão preventiva, diante da mudança no cenário investigativo.
Suspeito teria confessado o crime, mas negou autoria em audiência
Adriel de Jesus Sena, de 21 anos, foi preso em 16 de outubro, em Pedro Canário, suspeito de tentativa de latrocínio e estupro. Segundo a Polícia Militar, durante a ocorrência, ele também teria confessado o assassinato de Laydiane.
A declaração trouxe uma nova linha de investigação para o caso, já que o marido da vítima havia sido preso em flagrante pelo homicídio.
Entretanto, a decisão judicial destaca que Adriel negou ter confessado a morte da grávida durante uma audiência de custódia relacionada a outro procedimento. Por esse motivo, o magistrado ressaltou que ainda não é possível atribuir definitivamente a autoria do homicídio ao segundo suspeito nem descartar por completo os indícios que levaram à prisão do companheiro de Laydiane.
Adriel foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória após ser autuado pelos crimes de tentativa de latrocínio e estupro. A possível participação dele no homicídio continua sob apuração da Polícia Civil.
Marido relata período na prisão
Após deixar o sistema prisional, Raphael voltou para casa e relatou o impacto dos dias em que ficou detido.
“Estava chorando, pensando no que aconteceu. Fiquei isolado lá, preso”, contou.
A mãe dele, Odete Alves, também falou sobre o dia em que o corpo de Laydiane foi encontrado. Segundo ela, o filho chegou à residência, encontrou a companheira morta e teve contato com o sangue da vítima ao tentar socorrê-la.
“Ele chegou na casa, se deparou com aquela cena e, desesperado, pegou nela e sujou a roupa de sangue. Como Rafael estava muito mal e fazendo vômito, pedi ao pai dele para o levar para tomar um banho”, relatou.
Odete afirmou ainda que a roupa foi deixada em um canto e negou que tenha sido escondida. Segundo ela, depois do banho, o filho voltou e aguardou a chegada da polícia.
Relembre a morte de Laydiane
Laydiane Lacerda da Silva foi encontrada morta na própria casa, em Cristal do Norte, no dia 3 de outubro. De acordo com as informações divulgadas sobre a ocorrência, o corpo apresentava perfurações na região do pescoço.
Durante a perícia inicial, foram identificados vestígios de sangue no banheiro e uma calça manchada de sangue. Um canivete também foi encontrado junto à peça de roupa.
Na ocasião, o companheiro afirmou aos policiais que havia saído para trabalhar pela manhã e, ao retornar, encontrou a mulher sem vida. Ele foi levado à Delegacia Regional de São Mateus e autuado em flagrante por feminicídio.
Conforme a delegada responsável pelo caso, Geyce Narcisa, os vestígios de sangue na roupa do marido contribuíram para que ele fosse considerado o principal suspeito naquele momento.
Laydiane tinha baixa visão permanente e deficiência motora. Familiares relataram que ela e Raphael estavam juntos havia cerca de cinco anos e moravam na mesma residência desde o início de 2024. A gravidez era muito aguardada pela família, após ela ter sofrido um aborto espontâneo cerca de dois anos antes.
A investigação sobre a morte continua em andamento.
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Fontes: A Gazeta, G1 Esírito Santo e Tribuna Online
Editado por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória





