Estudo de pós-doutorado desenvolvido por professor de Gemologia relaciona sentimentos, memórias e tecnologia ao processo de criação de peças
Sentimentos, memórias e experiências pessoais podem deixar de ser apenas lembranças e se transformar em elementos concretos de uma joia. Essa é a proposta de uma pesquisa desenvolvida pelo professor Marcos Antonio Spinassé, do Departamento de Gemologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em seu pós-doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio).
A pesquisa aproxima três áreas que tradicionalmente podem parecer distantes: afeto, design e tecnologia. A proposta é utilizar referências subjetivas da pessoa que receberá ou utilizará a joia como ponto de partida para definir características da peça.
Sentimentos podem orientar a criação
O estudo apresenta três conceitos desenvolvidos pelo pesquisador: Design de Joias Influente, Método da Gaveta de Bancada e Arquitetura Joalheira.
A partir dessas abordagens, memórias, sentimentos e outras referências afetivas podem orientar decisões relacionadas aos materiais, formas, cores, texturas e símbolos que farão parte da joia.
A proposta amplia a compreensão da joia para além de um objeto de ornamentação. A peça passa a incorporar elementos relacionados à história e às referências pessoais de quem irá utilizá-la.
Inteligência artificial entra como ferramenta de apoio
A pesquisa também incorpora ferramentas de inteligência artificial ao processo criativo. Segundo Spinassé, a tecnologia pode auxiliar na busca por referências visuais, na identificação de elementos relacionados aos sentimentos trabalhados e na sugestão de possibilidades de componentes para a peça. A utilização da IA, no entanto, não elimina a participação humana. De acordo com o pesquisador, a seleção das referências, a curadoria dos materiais e as decisões tomadas durante o desenvolvimento continuam sob responsabilidade do designer.
Dessa forma, a tecnologia funciona como instrumento de apoio ao processo criativo, enquanto a autoria e as escolhas que definem a peça permanecem humanas.
Pesquisa aproxima Ufes e PUC/Rio
A apresentação dos resultados do pós-doutorado também representa uma oportunidade de intercâmbio acadêmico entre a Ufes e a PUC/Rio.
O estudo desenvolvido por Spinassé está relacionado às atividades acadêmicas realizadas na Universidade Federal do Espírito Santo e leva para o ambiente da universidade carioca uma discussão que une design, gemologia, afetividade e novas tecnologias. A pesquisa acompanha uma transformação no próprio processo de criação de produtos e peças de design, em que ferramentas digitais passam a participar de diferentes etapas, sem necessariamente substituir a interpretação, a sensibilidade e a decisão do profissional.
Fonte: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). (Universidade Federal do Espírito Santo)
Edição: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória







