O Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) determinou a cassação do exercício profissional da dentista e influenciadora Mariana Laranja. A decisão foi tomada após uma nova denúncia apresentada por uma paciente que relatou ter sofrido lesões graves depois de realizar um procedimento estético em uma clínica de Vila Velha, na Grande Vitória.
Mariana havia sido indiciada pela Polícia Civil do Espírito Santo, ao lado do sobrinho e sócio, Nathan Laranja Roeder Holz, em uma investigação envolvendo três pacientes que relataram deformidades, infecções e outras complicações após procedimentos estéticos realizados na clínica.
A decisão do CRO-ES, à qual tiveram acesso a TV Gazeta e o g1, também determinou a suspensão das atividades profissionais da clínica por 30 dias. A medida, porém, ainda não impede definitivamente Mariana de exercer a profissão.
Isso porque a cassação precisa ser analisada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO). Além disso, segundo o CRO-ES, a dentista foi notificada da decisão em 9 de agosto e tem prazo de 30 dias para apresentar recurso.
A defesa de Mariana afirma que a decisão é “juridicamente inadmissível”, sustenta que ela não realizou o procedimento que originou o processo ético e diz que já recorreu. Os advogados também afirmam que tanto a clínica quanto o Instituto Laranja continuam funcionando normalmente.
Denúncia que levou à cassação
O processo analisado pelo CRO-ES teve origem na denúncia de uma paciente que sofreu lesões após passar por um procedimento de ultrassom microfocado, realizado em abril de 2025.
Segundo o conselho, a paciente apresentou queimaduras de segundo grau no pescoço e não teria recebido o atendimento considerado adequado para tratar as lesões.
O CRO-ES também apontou que Mariana teria deixado de garantir a proteção da saúde e da dignidade da paciente e impedido o acesso dela ao próprio prontuário. Na avaliação do conselho, essas condutas configurariam descumprimento das obrigações atribuídas ao responsável técnico.
Durante a análise do caso, o conselho informou ter consultado registros do Tribunal de Justiça do Espírito Santo e identificado outros processos relacionados à dentista e à clínica.
Ainda conforme o documento, outras mulheres procuraram o CRO-ES para apresentar denúncias semelhantes depois que o caso ganhou repercussão.
Na avaliação do conselho, o conjunto das ocorrências apontaria para uma quantidade significativa de intercorrências envolvendo a profissional, situação considerada pelo órgão como fator de risco à saúde dos pacientes.
Decisão ainda não é definitiva
Apesar de o CRO-ES ter determinado a cassação, a punição não produz, neste momento, o efeito de retirar definitivamente de Mariana o direito de exercer a Odontologia.
A profissional foi notificada em 9 de agosto e possui 30 dias para recorrer. Depois do encerramento desse prazo, o processo deverá ser encaminhado ao Conselho Federal de Odontologia.
De acordo com o CRO-ES, enquanto houver possibilidade de recurso com efeito suspensivo, as decisões do conselho regional não são definitivas.
A entidade também esclareceu que os processos éticos tramitam sob sigilo, conforme estabelece o Código de Processo Ético Odontológico. Por esse motivo, o órgão não divulga detalhes sobre a tramitação ou o conteúdo de processos que ainda estão em andamento.
Nos casos em que há determinação de suspensão de atividades de clínicas, o cumprimento da medida é fiscalizado pelo próprio CRO-ES, dentro de suas atribuições.
O conselho também informou que, durante processos éticos, são verificadas eventuais outras ações envolvendo o profissional, estejam elas concluídas ou ainda em andamento. Essas informações podem ser consideradas na análise do caso e na avaliação de possíveis circunstâncias agravantes, quando aplicável.
O que diz a defesa de Mariana Laranja
Os advogados da dentista afirmaram ter recebido a decisão com “absoluta perplexidade” e classificaram a cassação como “juridicamente inadmissível”.
A defesa sustenta que Mariana não realizou o procedimento que deu origem ao processo ético. Segundo os advogados, ela não participou do atendimento e sequer estava na clínica no momento em que o procedimento foi realizado.
Ainda de acordo com a defesa, Mariana estava fora do país, participando de um curso profissional, na época dos fatos.
Os advogados também contestam a utilização de outros processos, alegações relacionadas a terceiros e reportagens jornalísticas como elementos para aumentar a punição. Para a defesa, não houve individualização adequada da conduta atribuída à dentista.
Outro ponto questionado é a ausência de uma perícia técnica sobre o equipamento utilizado e sobre as causas da intercorrência relatada pela paciente.
A defesa afirma que pretende levar esses questionamentos ao Conselho Federal de Odontologia e sustenta que o processo disciplinar deve analisar individualmente, de maneira técnica e imparcial, a responsabilidade da profissional.
Os advogados também afirmam que não existe, atualmente, uma decisão administrativa definitiva que impeça Mariana de trabalhar. Segundo a defesa, o registro profissional permanece ativo e o Instituto Laranja continua funcionando, com CNPJ ativo e licença sanitária válida.
Indiciamento pela Polícia Civil
A decisão do CRO-ES ocorre meses depois de a Polícia Civil do Espírito Santo concluir uma investigação envolvendo Mariana Laranja e Nathan Laranja Roeder Holz.
O inquérito, finalizado em abril de 2026, investigou três pacientes que passaram por um procedimento chamado “mini lifting facial” na clínica de Vila Velha.
As pacientes relataram problemas como deformidades, infecções graves e complicações permanentes após os procedimentos.
Segundo o relatório policial, os profissionais não apresentariam os requisitos técnicos mínimos nem aptidão para realizar procedimentos cirúrgicos invasivos considerados de maior complexidade.
Mariana e Nathan foram indiciados pela Polícia Civil por lesão corporal.
Desde a divulgação da investigação, a defesa da dentista afirma que os procedimentos estavam dentro de sua área de atuação profissional e que existe uma discussão técnica e jurídica sobre os limites da harmonização orofacial no país.
A defesa também sustenta que Mariana possui habilitação, formação e experiência profissional na área e ressalta que o Conselho Federal de Odontologia posteriormente reconheceu a cirurgia estética orofacial como especialidade.
Os advogados destacam ainda que o indiciamento não representa uma condenação e que a investigação depende de elementos periciais complementares. Também argumentam que intercorrências podem ocorrer em procedimentos estéticos e que os riscos teriam sido informados previamente aos pacientes.
Nota do CRO-ES
O Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo informou que os processos éticos são sigilosos e que as decisões ainda podem ser contestadas por meio dos recursos previstos na legislação.
Segundo o órgão, as partes têm direito ao contraditório e à ampla defesa, incluindo a possibilidade de recurso voluntário no prazo de 30 dias.
O CRO-ES afirmou ainda que os procedimentos relacionados ao Instituto Laranja continuam em andamento e seguem o devido processo legal.
Sobre eventuais suspensões de clínicas, o conselho informou que a fiscalização do cumprimento das medidas está entre suas atribuições.
Nota da defesa
A defesa de Mariana Laranja afirmou que a profissional não realizou o procedimento investigado, não estava na clínica no momento do atendimento e que a decisão do CRO-ES teria partido de uma identificação equivocada da autoria.
Os advogados também contestaram a utilização de outros processos e reportagens como elementos para fundamentar a penalidade e criticaram a ausência de perícia técnica sobre o equipamento e sobre as causas da intercorrência.
A defesa afirmou que irá questionar a decisão no Conselho Federal de Odontologia e classificou a apuração como marcada por falhas na individualização da conduta.
Por fim, reiterou que, segundo sua interpretação, não há atualmente uma decisão administrativa definitiva ou executável que impeça Mariana de exercer a profissão e que o Instituto Laranja permanece em funcionamento.
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Fontes: A Gazeta e G1 Espírito Santo
Editado por Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória







