O grito vindo de baixo chegou tarde demais. “Gente, a corda!” Essa foi a exclamação dos presentes no momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, despencava de aproximadamente 40 metros em queda livre da Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. Era sábado, 13 de junho. Ela não estava presa a nada.

Três dias depois, os responsáveis pelo salto prestaram depoimento à Polícia Civil, e não conseguiram explicar quem cometeu o erro fatal.

O que disseram os presos

As declarações, reveladas pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostram que um dos investigados admitiu participar da preparação dos saltos, mas afirmou não se recordar de quem deveria instalar ou verificar a corda de segurança no momento do acidente. Durante o interrogatório, um dos homens presos confirmou que atuava na montagem do sistema de segurança ao lado de outros integrantes da equipe.

O advogado de defesa do trio, Rafael Gomes dos Santos, resumiu a situação com uma frase que chocou: o trio não soube esclarecer quem foi o responsável pelo erro que levou a jovem à queda livre.

A defesa classificou o caso como uma “triste fatalidade” e afirmou que os profissionais atuavam no esporte havia anos sem registros anteriores de acidentes semelhantes.

Quem são os presos

Os três instrutores presos por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de morte, mesmo sem a intenção de matar, estão no Centro de Detenção Provisória de Piracicaba. São eles: Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27. Segundo a defesa, Luis Felipe e Maicon são os homens filmados lançando a jovem. Vitor é quem segurava os pés da vítima.

A 17ª da fila

Maria Eduarda foi a 17ª pessoa a saltar naquele dia. Segundo a defesa dos instrutores, o evento atraiu cerca de 90 amantes de esportes radicais. No momento da queda, havia mais de 40 pessoas no local, inclusive aquelas que gravaram tudo. O namorado da jovem estava acompanhando e ficou em choque ao presenciar o acidente. Precisou ser hospitalizado.

O grupo responsável pelos saltos não tinha empresa formal registrada, segundo a Polícia Civil. Eram pessoas físicas operando um evento de esporte radical sem estrutura legal, o que limita as responsabilizações jurídicas ao âmbito penal individual.

A decisão da Justiça

A Justiça converteu em preventiva a prisão dos três homens. Eles permanecem detidos enquanto o caso segue sendo apurado. Nos primeiros dez dias, ficam isolados dos demais detentos.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que as investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do ocorrido e identificar eventuais responsabilidades.

E a ponte?

A Prefeitura de Limeira informou que estuda a adoção de medidas judiciais com objetivo de restringir o acesso à Ponte do Esqueleto. Ressaltou que há placas na ponte informando sobre os riscos e uma barreira de ferro para evitar entrada de veículos. Em relação à proibição de acesso, a administração municipal disse que se trata de propriedade particular. Mapa Cultural ES

A Prefeitura também anunciou que vai processar o Governo Federal pela tragédia. O caso repercutiu internacionalmente e foi noticiado por veículos como The Sun, NBC News, TMZ e The Times of India.

Maria Eduarda tinha 21 anos. Queria um salto. E o que recebeu foi o descaso de quem deveria garantir que ela chegasse ao chão com vida.

Fontes e fotos: Fantástico | Metrópoles| Correio Braziliense | Polícia Civil do Estado de São Paulo | Secretaria da Administração Penitenciária (SAP-SP) | Prefeitura de Limeira | Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP)

Edição e curadoria: Tatiana Sobreira | Redação Jovem Pan News Vitória 

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