No De Olho na Cidade da última terça-feira (26), a jornalista Tatiana Sobreira entrevistou o advogado e assessor jurídico da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Caio Kuster, sobre a atualização da NR-01, que entrou em vigor no mesmo dia da entrevista e amplia a responsabilidade das empresas sobre fatores que podem levar ao adoecimento mental dos trabalhadores.

Durante a conversa, Caio explicou que a NR-01 não é uma norma nova, mas que a principal mudança está na inclusão dos riscos psicossociais no mesmo nível de atenção dado aos riscos físicos e acidentes de trabalho.

Segundo ele, a norma já estabelecia mecanismos de prevenção dentro das organizações, mas agora passa a exigir que as empresas rastreiem, identifiquem e desenvolvam estratégias para reduzir fatores ligados à saúde mental.

“O que a gente tem de novidade é a incorporação nela dos riscos psicossociais elevados ao mesmo nível dos riscos físicos, bioquímicos, químicos e fisiológicos.”

O advogado ressaltou que as empresas já podem ser autuadas a partir da entrada em vigor da atualização.

Apesar disso, Caio afirmou que ainda existem dúvidas sobre os efeitos práticos da norma no cotidiano das empresas e dos trabalhadores. Para ele, o principal mérito da mudança é justamente abrir espaço para a discussão sobre saúde mental no ambiente corporativo.

“Talvez o maior mérito da NR-01 seja trazer esse assunto para a mesa, até porque o resto entra numa campo de subjetividade e até de elevação de custos para a camada empresarial.”

Durante a entrevista, o assessor jurídico destacou ainda que a norma não transforma o empregador em responsável pelo tratamento psicológico dos funcionários, mas exige acompanhamento, indicadores e planos de ação dentro das organizações.

Segundo Caio, as empresas precisarão criar mecanismos de escuta e canais de diálogo com os trabalhadores, incluindo pesquisas de clima organizacional para identificar possíveis fatores de risco psicossocial.

Ele também chamou atenção para a preocupação do setor empresarial com os impactos econômicos da nova regulamentação, especialmente entre pequenos e médios empreendedores.

Caio afirmou que os grandes conglomerados possuem estrutura mais preparada para lidar com as exigências da norma, enquanto empresas menores podem enfrentar mais dificuldades de adaptação.

“A grande massa empregadora é o empreendedor pequeno e médio. O grande conglomerado consegue absorver isso com mais facilidade.”

Outro ponto levantado durante a entrevista foi o risco de aumento da informalidade no mercado de trabalho diante das novas exigências legais.

O advogado avaliou que ainda será necessário acompanhar os efeitos da norma ao longo dos próximos anos para entender se ela conseguirá produzir impactos concretos na saúde mental dos trabalhadores.

A conversa também abordou temas como home office, produtividade, inteligência artificial e o futuro das relações de trabalho no Brasil.

Sobre a inteligência artificial, Caio afirmou que o mercado ainda subestima a velocidade das mudanças provocadas pela tecnologia.

Segundo ele, profissões novas já começam a surgir rapidamente, enquanto outras funções devem passar por transformações profundas nos próximos anos.

O advogado defendeu que empresas e trabalhadores precisam aprender a utilizar a tecnologia sem abandonar as relações humanas.

“Invista nas relações humanas e invista na inteligência artificial para fazer aquilo que não gera valor para a sua vida.”

A entrevista completa pode ser conferida em nosso canal do Youtube, clicando aqui.

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Edição: Redação Jovem Pan News Vitória

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