Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo alertam que ondas de calor no oceano Atlântico já estão provocando mudanças nos recifes costeiros do Espírito Santo. O fenômeno está ligado ao aumento da temperatura da água do mar e pode alterar a biodiversidade marinha ao longo do tempo.
O estudo foi realizado por cientistas do grupo de Ecologia Bêntica da universidade e analisou dados coletados entre 2017 e 2022 em áreas costeiras do município de Aracruz. Os resultados foram publicados em uma revista científica internacional e indicam que eventos extremos de temperatura têm impacto direto na composição das comunidades marinhas.
Segundo os pesquisadores, a análise mostrou que mais de 80% das mudanças observadas na cobertura de organismos marinhos estavam associadas à ocorrência de ondas de calor no mar. Esses eventos são considerados capazes de acelerar transformações ambientais que normalmente levariam décadas para acontecer.
O que são ondas de calor marinhas
As chamadas ondas de calor marinhas ocorrem quando a temperatura da superfície do oceano permanece anormalmente alta por vários dias ou semanas. Esse aquecimento extremo pode afetar organismos como corais, algas e outras espécies que vivem nos recifes.
Esses ecossistemas são considerados essenciais para o equilíbrio ambiental do oceano, pois abrigam uma grande diversidade de espécies e ajudam a proteger a costa contra erosão e ressacas.
Estudos científicos indicam que a frequência e a intensidade desses eventos vêm aumentando em várias regiões do planeta devido ao aquecimento global e às mudanças climáticas.
Impactos nos recifes e na biodiversidade
Os pesquisadores explicam que o aumento da temperatura da água pode provocar alterações na composição das espécies que vivem nos recifes, favorecendo alguns organismos e reduzindo a presença de outros.
Em casos mais extremos, o calor excessivo pode causar fenômenos como o branqueamento de corais, processo em que os organismos expulsam as algas que vivem em simbiose com eles, podendo levar à morte do coral.
Além de afetar a biodiversidade, mudanças nos recifes podem impactar atividades econômicas ligadas ao mar, como pesca e turismo.
Monitoramento ambiental
O estudo reforça a importância do monitoramento constante das condições ambientais na costa brasileira. Segundo os cientistas, compreender como os ecossistemas respondem ao aumento da temperatura do oceano é fundamental para desenvolver estratégias de conservação.
Pesquisas semelhantes já apontam que eventos extremos de temperatura no oceano têm se tornado cada vez mais frequentes ao longo da costa brasileira, o que aumenta a preocupação com o futuro dos recifes e de outros habitats marinhos.
Fonte: TC Online / UFES / estudos científicos sobre aquecimento do oceano
Edição: Por Tatiana Sobreira, da Redação Jovem Pan News Vitória







